Os maiores defensores das proibições a atletas transgénero no desporto nos Estados Unidos são, estatisticamente, os norte-americanos menos solidários com as mulheres. É esta a conclusão central de um inquérito nacional a 1.000 adultos divulgado a 20 de outubro pelos politólogos Tatishe Nteta, Jesse Rhodes e Lane Cuthbert, da Universidade de Massachusetts Amherst.
Os investigadores concluem que «as pessoas com as atitudes mais negativas em relação às mulheres, e em relação às políticas que protegem o desporto feminino, são as que mais apoiam a proibição de mulheres transgénero no desporto feminino», um padrão que contraria a justificação pública que os legisladores têm apresentado para a vaga de proibições em todo o país.
28% contra 79% na escala do sexismo
Para medir o sexismo hostil, foi perguntado aos inquiridos se concordavam com três afirmações, entre elas a de que as mulheres procuram poder ao assumirem o controlo sobre os homens, são demasiado suscetíveis e exageram os problemas no local de trabalho.
Entre quem obteve a pontuação mais baixa nessa escala, 28% apoiavam a proibição de atletas transgénero no desporto feminino. Entre quem obteve a pontuação mais alta, o apoio saltou para 79%.
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43% contra 70% quanto ao Título IX
A diferença voltou a surgir no Título IX, a lei federal de 1972 que exige igualdade de tratamento no desporto escolar. Entre os apoiantes do Título IX, 43% apoiavam restrições aos atletas transgénero, enquanto, entre os opositores à lei, esse apoio chegava aos 70%.
Os autores observam que o padrão «mantém-se mesmo depois de controlar outros fatores como a filiação partidária, a ideologia e as características demográficas».
As atitudes em relação às próprias mulheres revelaram uma diferença menor, mas ainda assim relevante. Num termómetro de sentimentos de 0 a 100, os inquiridos com as opiniões mais positivas sobre as mulheres apoiavam as proibições em 45%; os que tinham as opiniões mais negativas apoiavam-nas em 58%.
As leis estaduais avançaram mais depressa do que a investigação
A legislação ultrapassou os dados da opinião pública. Segundo o Movement Advancement Project, 27 estados proíbem agora, por lei estadual, que os estudantes transgénero joguem em equipas correspondentes à sua identidade de género, havendo mais dois a aplicar proibições por via regulamentar ou por decisão administrativa.
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A 30 de junho, o Supremo Tribunal dos EUA decidiu por 6-3, em processos vindos da Virgínia Ocidental e do Idaho, que os estados podem exigir que os estudantes transgénero compitam de acordo com o sexo atribuído à nascença. Em nome da maioria, o juiz Brett Kavanaugh defendeu que «equipas desportivas separadas para homens biológicos e mulheres biológicas são razoáveis», numa decisão que o tribunal deliberadamente circunscreveu ao desporto.
Eleitores preferem candidatos a favor das proibições
Uma sondagem de setembro do The 19th e da YouGov, realizada a 2.357 adultos e com uma margem de erro de mais ou menos 2,5 pontos, concluiu que 45% dos adultos norte-americanos estariam mais inclinados a votar num candidato que apoie a proibição de atletas transgénero no desporto de raparigas e mulheres, contra 20% mais inclinados a apoiar um opositor a essas proibições. Entre os republicanos, a fatia favorável à proibição chegou aos 78%; entre os independentes, 46%; entre os democratas, 19%.
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