A neutralidade olímpica é posta à prova enquanto os Estados Unidos enfrentam pressão internacional
Por que o COI se manifestou neste momento
Os Jogos Olímpicos de Inverno estão programados para começar no início de fevereiro na Itália, com Milão e Cortina como cidades anfitriãs. Nesse contexto, o Comitê Olímpico Internacional divulgou um comunicado após especulações sobre uma possível exclusão de atletas dos Estados Unidos.
A manifestação ocorreu em meio a um aumento do debate político relacionado a ações recentes dos Estados Unidos no exterior. Segundo a BBC Sport, o COI afirmou que respondeu à discussão crescente sobre se os atuais acontecimentos geopolíticos deveriam influenciar a participação olímpica.
Os acontecimentos que geraram preocupação internacional
A controvérsia teve início a partir de declarações feitas no começo deste mês pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele afirmou que forças americanas realizaram uma operação militar de grande escala na Venezuela e detiveram o presidente do país, Nicolas Maduro, juntamente com sua esposa, Cilia Flores.
Autoridades dos Estados Unidos também confirmaram ações militares na Nigéria, enquanto declarações públicas de altos funcionários mencionaram possíveis operações futuras envolvendo Groenlândia, México, Colômbia e Irã. Esses acontecimentos provocaram críticas internacionais e intensificaram o escrutínio sobre a política externa de Washington.
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A pressão política chega ao esporte internacional
As reações políticas não ficaram restritas aos canais diplomáticos. No Reino Unido, um grupo multipartidário de parlamentares assinou uma moção que insta organismos esportivos internacionais a considerar a suspensão dos Estados Unidos de grandes competições.
A moção propõe que essa suspensão permaneça em vigor até que o país demonstre cumprimento claro do direito internacional e respeito à soberania de outras nações.
O texto afirma que as ações na Venezuela representaram uma intervenção direta nos assuntos internos de um Estado soberano e que foram amplamente condenadas pelas Nações Unidas. Também sustenta que ameaças repetidas contra outros países enfraquecem a ordem internacional baseada em regras.
Grandes torneios aumentam o peso do debate
A discussão ganha relevância adicional devido ao papel dos Estados Unidos como anfitriões de importantes eventos esportivos futuros. O país irá co sediar a Copa do Mundo da FIFA ainda este ano ao lado do México e do Canadá, além de se preparar para receber os Jogos Olímpicos de Verão em 2028.
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O presidente Trump já chamou atenção por comentários relacionados a quais seleções poderiam participar da Copa do Mundo, ampliando as preocupações sobre a interferência da política no esporte.
Como o COI define seu papel no esporte mundial
Em sua declaração, citada pela BBC Sport, o COI reafirmou seu compromisso com a neutralidade política.
“Como organização global, o COI precisa lidar com uma realidade complexa. O COI tem de enfrentar o contexto político atual e os acontecimentos mais recentes no mundo”, afirmou o comunicado.
O órgão acrescentou que a capacidade de reunir atletas independentemente de sua origem é fundamental para um esporte verdadeiramente global, baseado em valores e capaz de oferecer esperança.
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O COI concluiu que não pode se envolver diretamente em questões políticas ou conflitos entre países, pois esses assuntos estão fora de sua esfera de atuação e pertencem ao campo da política.
Um dilema recorrente para o esporte internacional
A situação evidencia uma tensão persistente no esporte internacional entre o princípio da neutralidade e a crescente pressão política. Com os Jogos de Inverno se aproximando, a posição do COI indica que, por enquanto, a participação olímpica continuará a ser avaliada de forma independente das disputas diplomáticas.
Fontes: BBC Sport
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