Tensões de guerra ameaçam jogos de qualificação para a Copa do Mundo
Os preparativos do Iraque para um crucial play-off de qualificação para o Mundial, no final deste mês, foram colocados em dúvida, à medida que a escalada do conflito no Médio Oriente está a perturbar as viagens em toda a região.
Responsáveis da Federação Iraquiana de Futebol (IFA) afirmam que vários jogadores e membros da equipa técnica estão a enfrentar dificuldades para garantir os vistos necessários para viajar para o México e disputar o torneio de play-off intercontinental. As complicações surgem numa altura em que encerramentos do espaço aéreo e avisos de segurança afetam vários países do Golfo.
O torneio de play-off está programado para decorrer no México entre 26 e 31 de março, com seis equipas de cinco confederações diferentes a competir pelas últimas vagas no Mundial. A FIFA confirmou o México como país anfitrião em novembro, com jogos previstos para Monterrey e Guadalajara.
No entanto, as mais recentes tensões geopolíticas criaram incerteza para pelo menos uma das equipas participantes.
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Conflito regional afeta as viagens
A situação intensificou-se depois de os Estados Unidos e Israel terem lançado, no início desta semana, aquilo que responsáveis descreveram como uma “grande operação militar” contra o Irão.
Desde então, o Irão realizou ataques de retaliação contra instalações militares dos Estados Unidos e de Israel em todo o Médio Oriente. A escalada levou ao encerramento temporário do espaço aéreo em vários países, incluindo o Catar, os Emirados Árabes Unidos e o Barém.
Reportagens da BBC indicam que o espaço aéreo iraquiano também foi fechado, enquanto as autoridades norte-americanas aconselharam os cidadãos dos EUA no Iraque a abandonar o país imediatamente.
A perturbação das viagens poderá complicar a capacidade do Iraque de reunir a sua seleção e a equipa técnica antes dos jogos do play-off.
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Problemas com vistos e desafios logísticos
O Iraque deverá disputar a final do play-off intercontinental a 31 de março contra o vencedor do jogo entre a Bolívia e o Suriname.
Segundo informações do The Guardian, a FIFA informou a Federação Iraquiana de Futebol de que o torneio seguirá em frente conforme planeado. No entanto, uma fonte descrita como “próxima da seleção iraquiana” afirmou ao jornal que “há muitos obstáculos a ultrapassar”.
A agravar os desafios logísticos, o selecionador do Iraque, Graham Arnold, encontra-se atualmente nos Emirados Árabes Unidos, outro país afetado pelas perturbações do espaço aéreo na região.
Iraque procura a primeira participação num Mundial desde 1986
O Iraque chegou aos play-offs depois de vencer 12 dos seus 20 jogos na fase de qualificação asiática alargada. A campanha incluiu uma vitória agregada por 3–2 sobre os Emirados Árabes Unidos na ronda final de qualificação.
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A seleção nacional não participa num Campeonato do Mundo desde o torneio de 1986, realizado precisamente no México.
Os regulamentos da FIFA estabelecem planos de contingência caso uma nação qualificada se retire do torneio. Nesses casos, o organismo dirigente pode selecionar “um substituto nomeado, muitas vezes o vice-campeão direto do play-off de qualificação correspondente ou a equipa não qualificada melhor classificada dessa confederação”.
Reação política
Questionado pelo The Athletic sobre se o Irão ainda poderia participar no Mundial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desvalorizou a questão.
“Não me importa realmente [se o Irão participa]”, disse Trump. “Acho que o Irão é um país muito derrotado. Estão a funcionar no limite.”
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Separadamente das tensões geopolíticas, já tinham sido levantadas preocupações sobre a segurança em torno dos play-offs após episódios de violência relacionada com gangues em algumas partes do México no início deste ano. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou anteriormente que “não estava preocupado” com a situação.
Fontes: The Guardian, BBC, The Athletic
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