Futebol

Críticos criticam Fabrizio Romano após anúncio da Arábia Saudita

O jornalista italiano especializado em transferências de futebol, Fabrizio Romano, está enfrentando críticas online depois de promover uma organização saudita em uma publicação patrocinada nas redes sociais.

Romano, um jornalista italiano de 33 anos conhecido por divulgar notícias de transferências em primeira mão, construiu sua reputação em torno da frase “Here we go!”, as palavras que usa para indicar que a transferência de um jogador foi finalizada, muitas vezes antes de os clubes confirmarem oficialmente o acordo.

Mas um vídeo que ele compartilhou em 3 de março gerou debate entre torcedores e jornalistas sobre a linha que separa o jornalismo da promoção.

Segundo a emissora dinamarquesa TV 2 Sport, Romano publicou um vídeo no X elogiando o Centro de Ajuda Humanitária e Socorro, uma organização estatal da Arábia Saudita. No vídeo, ele destacou o trabalho humanitário da organização e revelou que a publicação era um anúncio pago.

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A organização foi fundada pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.

Reação negativa na seção de comentários

A publicação rapidamente recebeu críticas de alguns seguidores, muitos dos quais questionaram se um repórter com uma audiência tão grande deveria promover uma iniciativa ligada ao governo.

“O jornalismo está completamente morto quando o maior repórter de futebol é pago por campanhas de relações públicas para iniciativas patrocinadas pelo Estado. O dinheiro sempre vence no final, mas a credibilidade desaparece completamente”, escreveu um usuário em um comentário que recebeu mais de 10.000 curtidas.

Outro comentarista escreveu: “Fique com as transferências não com a propaganda.”

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A TV 2 Sport informou que entrou em contato com Romano para obter um comentário, mas ele não havia respondido no momento da publicação.

Romano reuniu uma das maiores audiências do jornalismo esportivo, com quase 100 milhões de seguidores em suas plataformas de redes sociais. Atualmente, ele tem cerca de 27 milhões de seguidores no X e mais de 42 milhões no Instagram.

Preocupações com direitos humanos voltam à tona

As críticas à promoção também estão ligadas à liderança política da Arábia Saudita e ao histórico de direitos humanos do país.

Mohammed bin Salman atua tanto como príncipe herdeiro quanto como primeiro-ministro da Arábia Saudita. O reino tem enfrentado intenso escrutínio internacional por questões de direitos humanos, incluindo o assassinato, em 2018, do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

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Agências de inteligência dos Estados Unidos concluíram que o príncipe herdeiro aprovou a operação que levou ao assassinato de Khashoggi, alegação que a Arábia Saudita nega.

Organizações de direitos humanos também criticaram o uso da pena de morte no país. A Anistia Internacional informou em 2025 que as execuções na Arábia Saudita estavam aumentando, registrando 345 execuções em 2024 o maior número já documentado pela organização no país.

Debate sobre jornalismo e influência

Troels Bager Thøgersen, editor-chefe do veículo de futebol Campo, disse à TV 2 Sport que a promoção chamou atenção porque tinha pouca relação com o tipo de cobertura que Romano costuma fazer.

“Eu realmente levantei as sobrancelhas quando tomei conhecimento da publicação. O momento parece bastante incomum”, disse ele, acrescentando que o tema parecia muito distante do futebol.

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Romano já enfatizou anteriormente que se considera um jornalista, inclusive em entrevistas ao The New York Times.

No entanto, críticos argumentam que conteúdos promocionais patrocinados podem borrar a distinção entre jornalismo e marketing de influenciadores.

O jornalista britânico Chris Harris expressou frustração em um artigo criticando Romano.

“Fabrizio Romano não é jornalista, e sua promoção da Arábia Saudita esta semana me irritou enormemente porque (mais uma vez) mina a percepção que a pessoa ‘comum’ tem do que o jornalismo deveria ser”, escreveu Harris.

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Não é a primeira controvérsia

Romano já havia enfrentado questionamentos anteriormente sobre parcerias comerciais ligadas à sua cobertura de transferências.

Em 2024, o veículo dinamarquês Tipsbladet e o site norueguês Idrettspolitikk relataram que a empresa Memmo, que colabora com Romano, havia abordado o clube dinamarquês FC Copenhagen e o clube norueguês Vålerenga para envolver o repórter em campanhas promocionais relacionadas a transferências.

Ambos os clubes recusaram a proposta.

A recente reação negativa ilustra os desafios enfrentados por jornalistas que constroem grandes audiências nas redes sociais, onde as fronteiras entre jornalismo, marca pessoal e publicidade muitas vezes são menos claramente definidas.

Fontes: TV 2 Sport, Amnesty International, Tipsbladet, Idrettspolitikk, The New York Times