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Carragher sobre o Liverpool: há grandes problemas

A temporada do Liverpool sofreu mais um golpe depois do empate do Tottenham nos descontos em Anfield, prolongando uma tendência preocupante em que a equipa perde o controlo dos jogos nos minutos finais.

Segundo o Daily Mirror, Jamie Carragher acredita que os problemas vão além de erros individuais, apontando para uma queda mais ampla na intensidade, estrutura e identidade sob o comando de Arne Slot.

O resultado deixa o Liverpool numa posição delicada na Premier League, com a qualificação para a Liga dos Campeões cada vez mais em risco, apenas uma época depois de conquistar o título.

Perda de intensidade em Anfield

A principal preocupação de Carragher está relacionada com a falta de pressão alta, uma característica fundamental durante a era de Jürgen Klopp que ajudou o Liverpool a tornar-se uma das equipas mais dominantes da Europa.

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“Acho que eles estão demasiado recuados. Disse ontem no comentário que há muitas coisas erradas nesta equipa do Liverpool, nada está a funcionar. Mas o principal problema, para mim, é que o Liverpool perdeu a pressão”, afirmou.

Sob o comando de Jürgen Klopp, o estilo intenso do Liverpool, muitas vezes descrito como “gegenpressing”, permitia recuperar a bola rapidamente, pressionar os adversários e transformar a defesa em ataque em segundos. Essa identidade foi essencial nos títulos da Premier League e da Liga dos Campeões.

Agora, segundo Carragher, essa vantagem desapareceu. Anfield já não impõe o mesmo respeito e os adversários conseguem jogar com mais facilidade contra o Liverpool.

Isso também se reflete nos resultados. O Liverpool tem perdido pontos várias vezes nos minutos finais esta temporada, incluindo jogos contra Chelsea, Crystal Palace e Manchester City. O Tottenham juntou-se a essa lista quando Richarlison marcou aos 90 minutos para empatar.

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Falta de coesão no Liverpool

A reconstrução do plantel no verão foi uma das mais ambiciosas da história recente do clube. O Liverpool bateu por duas vezes o recorde de transferências britânico para contratar Florian Wirtz e Alexander Isak, além de garantir Hugo Ekitike e Jeremie Frimpong.

No papel, os reforços trouxeram qualidade, velocidade e criatividade. No entanto, Carragher considera que a equipa não funciona como um coletivo.

“Eles não são uma equipa, são um grupo de indivíduos”, disse.

“Têm qualidade, sim, mas foram juntados sem coesão. Dá para ver isso nos lances, e é exatamente isso que se perdeu.”

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Esta crítica reforça a ideia de que o Liverpool se afastou da estrutura coletiva que sustentou o seu sucesso nos últimos anos.

A pressão aumenta sobre Arne Slot no Liverpool

A reação dos adeptos após o jogo contra o Tottenham evidenciou a crescente frustração. Os assobios em Anfield marcaram um momento invulgar num estádio historicamente unido em torno da equipa.

Arne Slot, sucessor de Jürgen Klopp, enfrenta uma pressão cada vez maior à medida que os resultados e as exibições ficam aquém das expectativas. A sua abordagem, mais baseada na posse de bola, contrasta com o estilo intenso e vertical da era Klopp.

A transição não tem sido tranquila, e surgem dúvidas sobre se o atual plantel se adapta ao novo sistema ou ainda reflete a filosofia anterior.

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A corrida à Liga dos Campeões aumenta a pressão sobre o Liverpool

Com a temporada da Premier League a entrar numa fase decisiva, o Liverpool corre o risco de falhar a qualificação para a Liga dos Campeões, um retrocesso significativo para um clube que recentemente dominava o futebol europeu.

Ficar fora do top quatro não seria apenas um golpe desportivo, mas também poderia afetar a estabilidade financeira e os planos futuros do clube.

Para já, o Liverpool precisa de recuperar a intensidade, reconstruir a coesão e estabilizar o desempenho antes que a temporada se complique ainda mais.

Sources: Daily Mirror

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