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O drama do asilo no Irão termina com o regresso a casa

Uma viagem marcada pelo medo e pela pressão

A equipa nacional de futebol feminino do Irão regressou a casa na quarta-feira, pondo fim a uma viagem tensa que começou na Taça Asiática Feminina na Austrália, noticiam a Reuters e o Digi24.

Vários jogadores tinham inicialmente pedido asilo por receio das possíveis consequências do regresso ao seu país de origem. As autoridades australianas concederam vistos humanitários a seis jogadores e a um membro do pessoal.

No final, apenas dois jogadores ficaram na Austrália, enquanto cinco retiraram as suas candidaturas e integraram a equipa nacional antes de regressarem ao Irão.

Este episódio reflecte a difícil realidade dos atletas que competem em sistemas políticos em que a participação internacional pode envolver riscos pessoais.

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Porque é que alguns jogadores voltaram atrás na sua decisão

De acordo com a agência noticiosa Reuters, citada pela Digi24, os activistas dos direitos humanos acreditam que os jogadores que retiraram os seus pedidos de asilo podem ter receado as consequências das autoridades iranianas.

As tensões já tinham surgido durante o torneio, quando vários jogadores se recusaram a cantar o hino nacional. Esse momento atraiu grande atenção no Irão, onde a televisão estatal descreveu os jogadores como "traidores em tempo de guerra".

Casos semelhantes ocorridos nos últimos anos mostram que os atletas iranianos que são considerados desviantes podem ser sujeitos a pressões não só pessoais, mas também por parte das suas famílias.

Uma viagem de ida e volta sob vigilância apertada

Segundo a Reuters, a equipa viajou de Istambul para a cidade de Igdir, no leste da Turquia, antes de seguir de autocarro para a fronteira iraniana. Depois de atravessar o posto fronteiriço de Gurbulak, o grupo entrou no Irão como um grupo.

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Os jogadores, que tinham reconsiderado o seu pedido de asilo, encontraram-se com os seus companheiros de equipa em Kuala Lumpur, depois de deixarem Sydney, e formaram uma delegação conjunta para a viagem de regresso.

A Federação Iraniana de Futebol declarou que os jogadores repatriados serão reunidos às suas famílias e ao seu país de origem.

Dois jogadores começam um novo capítulo na Austrália

Embora a maior parte da equipa tenha regressado, dois jogadores decidiram ficar na Austrália e já deram passos em direção a um novo futuro.

De acordo com a revista She Kicks e o site OneFootball, a meia Fatemeh Pasandideh, de 21 anos, está entre as que ficaram. Ela foi vista treinando com o Brisbane Roar na A-League feminina, ao lado da companheira de equipe Atefeh Ramezanisadeh.

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Pasandideh partilhou uma mensagem nas redes sociais com as palavras "Tudo vai correr bem", mostrando um otimismo cauteloso enquanto se adapta à vida no estrangeiro.

O diretor executivo do Brisbane Roar, Kaz Patafta, disse que o clube deu as boas-vindas aos dois jogadores e que está empenhado em ajudá-los a dar o próximo passo nas suas carreiras.

Pressão para além do campo de jogo

De acordo com a revista She Kicks, a antiga internacional iraniana Shiva Amini afirmou que as autoridades exerceram uma "pressão intensa e sistemática" sobre as famílias dos jogadores no Irão, o que poderá ter influenciado algumas decisões de regresso.

O Ministro dos Assuntos Internos da Austrália, Tony Burke, também reconheceu a complexidade da situação e explicou que, embora possam ser apresentadas opções, o contexto mais vasto que influencia as decisões das partes interessadas não pode ser ignorado.

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Esta situação provocou tensões diplomáticas, com as autoridades iranianas a acusarem a Austrália de pressão psicológica, enquanto activistas e membros da diáspora iraniana manifestaram a sua preocupação com a intimidação a que estão sujeitos.

Uma história que vai para além do futebol

Os acontecimentos que envolveram a equipa sublinham como o desporto e a política podem estar intimamente ligados, especialmente no caso de atletas que representam países que enfrentam conflitos internos e externos.

Para os que regressaram, o futuro continua incerto. Para os dois que ficaram, um novo capítulo já começou, noutro país e noutro campeonato.

A história da seleção feminina iraniana já não é apenas sobre futebol, mas também sobre as escolhas difíceis que as atletas têm de fazer quando a sua segurança pessoal, as expectativas do seu país e a atenção do mundo inteiro entram em conflito.

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Fontes: Reuters, Digi24 Reuters, Digi24