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Pogacar chega a Paris, Roubaix com a história ao alcance e rivais por todos os lados

Segundo Jorge Borreguero, na análise original da CyclingUpToDate, a principal história em torno de Paris, Roubaix deste domingo é bastante clara: Pogacar está perto de algo raro, mas a corrida que tem pela frente pode ser a mais cruel de todos os Monumentos. O texto de Borreguero centra-se em cinco corredores que podem travar esse passo, e a escolha faz sentido. Pogacar chega depois de ter vencido tanto a Milano, Sanremo como a Volta à Flandres nesta primavera, mas Roubaix coloca uma pergunta diferente daquelas a que ele respondeu em Itália ou nas subidas flamengas. (cyclinguptodate.com)

Há ainda o próprio percurso, que muda por completo o tom da corrida. Segundo a página oficial do percurso de Paris, Roubaix, a edição de 2026 terá 258,3 quilómetros entre Compiègne e Roubaix, e volta a incluir os setores que quase sempre reduzem a prova à sua essência, a Trouée d’Arenberg, Mons, en, Pévèle e Carrefour de l’Arbre. Isso pesa porque Pogacar já não pode confiar numa única aceleração violenta em subida para partir a corrida. Aqui, as diferenças costumam surgir por acumulação, por pressão constante, por boa colocação e pela capacidade de manter a calma quando o pavé começa a baralhar tudo. (paris-roubaix.fr)

Van der Poel continua a ser o homem a bater

Se esta corrida tem uma referência natural, continua a ser Mathieu Van der Poel. O resumo oficial de Paris, Roubaix 2025 recorda que a vitória do ano passado foi já a sua terceira consecutiva, e isso diz quase tudo sobre o à vontade com que corre neste terreno. Borreguero sublinha o mesmo no seu artigo, e é difícil contrariá-lo. Pogacar pode ser o corredor mais forte em muitas corridas, mas Roubaix é um dos poucos lugares onde Van der Poel ainda parece ser o homem que todos os outros precisam primeiro de resolver. (paris-roubaix.fr)

Essa vantagem percebe-se ainda melhor se olharmos para o que aconteceu há poucos dias na Flandres. A crónica da Cycling Weekly mostrou Pogacar a largar Van der Poel no último Oude Kwaremont, mas deixou também outra ideia: Van der Poel continua lá nas maiores corridas, e Roubaix encaixa melhor nas suas características do que a Flandres. Pogacar bateu-o nas subidas. No domingo, terá de o bater em setores onde Van der Poel quase nunca parece desconfortável ou vulnerável. (cyclingweekly.com)

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Van Aert continua perigoso se a corrida chegar aberta ao final

Wout Van Aert quase não precisa de apresentação numa corrida destas. Tem o motor para um dia muito longo, o físico certo para o pavé e a velocidade final necessária para transformar qualquer grupo reduzido num problema para os outros. Borreguero coloca-o entre as ameaças mais claras, e isso parece lógico, porque Roubaix sempre deu a sensação de ser o Monumento que mais naturalmente assenta no seu perfil, mesmo que ainda não faça parte do seu palmarés. (cyclinguptodate.com)

A sua forma recente reforça ainda mais essa ideia. Na crónica da Cycling Weekly sobre a Volta à Flandres, Van Aert foi quarto, à frente de Mads Pedersen, depois de se manter na discussão até as subidas decisivas partirem de vez o grupo. Roubaix retira parte desses esforços explosivos em subida e substitui-os por desgaste, colocação e força bruta. Isso abre um pouco mais o cenário para Van Aert do que aconteceu na Flandres. (cyclingweekly.com)

Ganna pode transformar a corrida num teste puro de força

Filippo Ganna é o corredor capaz de fazer com que isto pareça menos um duelo entre grandes nomes e mais um teste de potência. Borreguero apontava o seu segundo lugar na Milano, Sanremo 2025 e o seu grande momento recente, e essa leitura geral continua a fazer sentido. Já não é apenas um especialista com um enorme motor de contrarrelógio. Agora é também um corredor de clássicas de um dia plenamente sério para as maiores corridas. (cyclinguptodate.com)

Além disso, há uma razão ainda mais recente para o levar muito a sério. A página de resultados da FirstCycling sobre a Dwars door Vlaanderen mostra que Ganna venceu essa corrida a 1 de abril, exatamente o tipo de sinal que se quer ver antes de Roubaix. Se passar Arenberg sem perder tempo por azar ou problemas mecânicos, tem aquela potência estável que lhe permite continuar na frente quando outros começam a quebrar na última hora de corrida. (firstcycling.com)

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Pedersen encaixa melhor no ritmo de Roubaix do que no da Flandres

É fácil subestimar Mads Pedersen porque não chega a este fim de semana com o mesmo foco que Pogacar ou Van der Poel, mas Roubaix nunca foi uma corrida que premiasse apenas o favorito mais ruidoso. O argumento de Borreguero a favor de Pedersen apoia-se numa progressão constante depois de um início de primavera interrompido, e parece razoável. Ele tem estado presente em todo este bloco de pavé, e isso conta muito numa corrida em que a forma e a resistência costumam pesar tanto como um momento brilhante. (cyclinguptodate.com)

A Flandres também deixou uma pista útil. Pedersen terminou em quinto, segundo a Cycling Weekly, mas importa mais a forma como perdeu contacto do que a classificação em si. Ficou para trás nas subidas decisivas, e Roubaix oferece muito menos momentos desse género. O caráter mais plano, mais pesado e mais duro desta corrida deverá favorecê-lo bastante mais do que um final construído sobre acelerações repetidas a subir. (cyclingweekly.com)

Philipsen é a ameaça que ninguém quer levar até ao velódromo

Jasper Philipsen traz outro tipo de pressão para a corrida. Não precisa de ser o corredor mais forte no pavé durante todo o dia para se tornar um problema real. Basta-lhe sobreviver aos momentos mais duros e chegar aos quilómetros finais com uma hipótese credível. Borreguero apresenta-o como o homem especialmente perigoso se a corrida voltar a juntar-se no final, e provavelmente essa é a melhor forma de ler as suas possibilidades. (cyclinguptodate.com)

A forma recente também encaixa nessa leitura. A CyclingNews informou que Philipsen venceu a Nokere Koerse para conquistar a sua primeira vitória da temporada de 2026, e isso conta porque um sprinter precisa tanto de confiança como de velocidade. Em Roubaix, um corredor como Philipsen pode passar horas a parecer discreto e, de repente, tornar-se no homem que ninguém quer arrastar até ao velódromo. (cyclingnews.com)

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Os setores onde Pogacar pode perder o controlo

O ângulo extra mais interessante nem sequer gira em torno de um corredor específico. Tem a ver com os pontos onde a corrida pode mudar completamente de forma. Segundo o detalhe oficial do percurso, Arenberg surge com 95,3 quilómetros por percorrer, Mons, en, Pévèle com 48,6 e Carrefour de l’Arbre com 17,1. Não são apenas nomes famosos. São os lugares onde uma corrida destas deixa de ser teórica. Um furo, uma má entrada de setor ou um momento de hesitação podem deitar a perder tudo o que foi bem feito antes. (paris-roubaix.fr)

É por isso que Pogacar pode ser a grande história desta corrida e, ao mesmo tempo, não ser a aposta mais segura. Já mostrou que consegue correr bem aqui, foi segundo no ano passado, e a sua forma nesta primavera é quase impossível de pôr em causa. Mas este continua a ser o Monumento em que os especialistas podem puxar o favorito para o seu próprio terreno. Segundo o artigo original de Borreguero, Van der Poel, Van Aert, Ganna, Pedersen e Philipsen são os cinco homens com mais condições para o impedir. Olhando para o percurso, para os resultados recentes e para a qualidade do pelotão, a ideia parece sólida. (cyclinguptodate.com)

Fontes: CyclingUpToDate, Jorge Borreguero, percurso oficial de Paris, Roubaix, resumo oficial de Paris, Roubaix 2025, Cycling Weekly, crónica da Volta à Flandres 2026, FirstCycling, Dwars door Vlaanderen 2026, CyclingNews, Nokere Koerse 2026.

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