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VAR na Champions League: Por que os árbitros raramente anulam as decisões dos colegas

A cultura de “união” entre árbitros e pressões externas explicam por que decisões do VAR raramente são anuladas na Champions League.

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O empate em 1 a 1 entre Arsenal e Atlético de Madrid na Champions League, conforme relata a GiveMeSport, foi marcado por duas decisões controversas da arbitragem que impactaram significativamente o andamento do jogo, reacendendo o debate sobre a independência dos árbitros do VAR e dos árbitros de campo.

No Wanda Metropolitano Stadium, o Arsenal foi prejudicado por uma marcação de pênalti “duvidosa” quando um chute desviado atingiu a coxa de Ben White antes de tocar sua mão. Mais tarde no jogo, um pênalti inicialmente concedido ao Arsenal, após Eberechi Eze ser derrubado na área, foi controversamente anulado pelo VAR.

A cultura de ‘união’ entre os árbitros

A relutância dos árbitros de campo em anular decisões do VAR, mesmo ao revisar incidentes nos monitores à beira do campo, parece derivar de uma cultura enraizada na UEFA. Grupos de árbitros trabalham frequentemente juntos na Champions League, promovendo um ambiente onde pressões podem naturalmente surgir para que os árbitros “permaneçam unidos”. Essa dinâmica pode minar a crucial independência entre os árbitros do VAR e os árbitros de campo, criando um desequilíbrio de poder.

Uma fonte próxima à comunidade de arbitragem esclareceu esse fenômeno, afirmando: “É assim que funciona. Esses caras se conhecem. Eles trabalham juntos o tempo todo. Os árbitros simplesmente não querem ir contra os caras do VAR. É quase como uma rebelião se o fizerem. Isso apenas deixa todos desconfortáveis. Então, com o mundo assistindo, eles permanecem unidos. É da natureza humana.”

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Esse sentimento foi ecoado em um incidente recente envolvendo o árbitro italiano Maurizio Mariani. No mês passado, Mariani admitiu em particular ter sentido uma pressão significativa para reverter sua decisão de conceder um pênalti ao Liverpool por uma falta em Alexis Mac Allister contra o PSG, depois que o árbitro do VAR, Marco Di Bello, o aconselhou a revisar o lance no monitor à beira do campo. Mariani acabou revertendo sua decisão original.

Protocolo da IFAB versus prática da UEFA

O site da International Football Association Board (IFAB) afirma explicitamente que um árbitro assistente de vídeo pode auxiliar o árbitro apenas em caso de um “erro claro e óbvio”. No entanto, há uma crença generalizada de que os árbitros da UEFA nem sempre aderem estritamente a esse protocolo, levando a intervenções que vão além do escopo pretendido do VAR.

Influência externa e pressão à beira do campo

Além das dinâmicas internas, pressões externas também podem desempenhar um papel. No caso do pênalti anulado de Eze, o técnico do Atlético de Madrid, Diego Simeone, foi visto gesticulando agressivamente e provocando os árbitros enquanto o árbitro Danny Makkelie revisava a filmagem no monitor à beira do campo. Makkelie foi enviado ao monitor 12 vezes antes de reverter sua decisão.

Os comentaristas Ally McCoist e Steven Gerrard apoiaram publicamente a teoria de que as ações de Simeone influenciaram o resultado. Da mesma forma, Declan Rice, que foi visto gritando com o árbitro durante a revisão, fez comentários comparáveis e agora enfrenta a possibilidade de uma suspensão. Esses incidentes destacam as pressões multifacetadas que podem pesar sobre os árbitros durante momentos críticos da Champions League, complicando ainda mais a aplicação do VAR.

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Fontes: www.givemesport.com, www.vavel.com, www.valnetinc.com

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