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A dança das cadeiras de treinadores do Chelsea continua com Rosenior demitido após 106 dias

Liam Rosenior foi demitido do cargo de treinador do Chelsea após apenas 106 dias no comando, marcando o mais recente capítulo em um período de instabilidade sem precedentes sob a gestão da BlueCo, proprietária do clube. Sua saída ocorre após uma derrota por 3 a 0 para o Brighton, um resultado que estendeu a sequência do Chelsea para cinco jogos do campeonato sem marcar um gol, um feito não visto no clube desde 1912. Rosenior, que foi promovido do Strasbourg para o Chelsea em janeiro, torna-se o sexto treinador a sair desde que a BlueCo, liderada pelos coproprietários Behdad Eghbali e Todd Boehly, concluiu sua aquisição de £4,25 bilhões em maio de 2022. Calum McFarlane retornará como treinador interino, um papel que ele ocupou anteriormente entre os mandatos de Enzo Maresca e Rosenior, enquanto o Chelsea se prepara para uma semifinal da FA Cup contra o Leeds United em Wembley.

Um padrão familiar de instabilidade

A rápida rotatividade no banco de reservas tornou-se uma marca registrada da era BlueCo. Antes da aquisição, o Chelsea havia terminado em terceiro lugar na Premier League sob o comando de Thomas Tuchel e não havia ficado fora dos cinco primeiros em sete anos, tendo inclusive vencido a Liga dos Campeões apenas um ano antes. Desde então, a lista de baixas de treinadores é extensa:
  • Thomas Tuchel foi demitido ao final dos primeiros 100 dias da BlueCo.
  • Graham Potter foi dispensado sete meses após a saída de Tuchel.
  • Frank Lampard teve uma curta segunda passagem como treinador interino.
  • Mauricio Pochettino saiu por mútuo acordo após uma temporada.
  • Enzo Maresca foi demitido em janeiro, menos de seis meses após vencer o Mundial de Clubes e a UEFA Conference League.
  • Liam Rosenior agora o segue, durando pouco mais de três meses.
O ex-ponta do Chelsea, Pat Nevin, em declarações à BBC Radio 5 Live, destacou a questão sistêmica. "Esta é a quarta temporada da nova gestão. Este é o sexto treinador. Quando você muda tantas vezes, precisa se perguntar: o problema é realmente o treinador?"

Crescentes preocupações financeiras

O caos gerencial se desenrola em um cenário de desafios financeiros significativos. No início de abril, o Chelsea anunciou perdas antes de impostos de £262 milhões, as maiores na história da Premier League, superando o déficit de £197,5 milhões do Manchester City em 2011. Este valor surge apesar de o clube ter reportado sua segunda maior receita total de todos os tempos, £490,9 milhões. Desde a aquisição em 2022, o Chelsea gastou aproximadamente £1,5 bilhão em jogadores, uma soma impressionante que ainda não se traduziu em sucesso consistente em campo. O clube agora enfrenta uma luta crucial para garantir o futebol europeu na próxima temporada, com a expectativa de que a falha em fazê-lo acarrete uma pesada penalidade financeira.

Questões sobre o modelo multi-clubes

A nomeação de Rosenior, uma promoção dentro da estrutura multi-clubes da BlueCo vindo do Strasbourg, gerou críticas em relação à estratégia da propriedade. Nevin questionou o conflito inerente a tal modelo. "É um modelo com o qual nos sentimos desconfortáveis, toda essa responsabilidade sem autoridade se você é um treinador. Rosenior não escolheu os jogadores. Ele é apenas um treinador que está lá por acaso", disse ele à BBC Radio 5 Live. Esse sentimento ecoa relatos de atrito entre o ex-treinador Enzo Maresca e a hierarquia do clube, incluindo suposta interferência na seleção da equipe e nas substituições. Após a demissão de Rosenior, o Chelsea emitiu um comunicado reconhecendo a gravidade da situação: "Empreenderemos um processo de auto-reflexão." No entanto, com a trajetória do clube mostrando poucos sinais de melhora, as questões fundamentais sobre a abordagem da BlueCo à gestão e à construção da equipe continuam a se intensificar. Fontes: www.bbc.com

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