A federação da Noruega exigiu formalmente a saída do presidente da FIFA. Poucas horas depois, dois dos maiores países do desporto fizeram o oposto.
«Não há retorno possível para Gianni Infantino», afirmou na quinta-feira a presidente da federação norueguesa, Lise Klaveness, ao exigir a sua demissão e alertar que a cooperação internacional no futebol está «em sérios apuros».
A federação mexicana foi a primeira a manifestar apoio. A FMF afirmou que não iria «reconhecer nem aprovar qualquer processo convocado fora desse quadro institucional» e juntou-se ao apelo de Infantino para «continuar coletivamente a desenvolver o futebol em benefício das 211 associações membros».
A associação de futebol argentina seguiu-se com um tributo à década de Infantino no cargo. A AFA elogiou aquilo que designou como um «modelo de governação transparente» e defendeu que o caminho a seguir passa por continuar a trabalhar sob a sua liderança, com vista ao Congresso da FIFA de março do próximo ano.
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Dois continentes cerram fileiras
A América do Sul e a África já se tinham alinhado publicamente com o suíço no início da semana.
O comité executivo da CAF anunciou o seu «apoio unânime» ao presidente. A CONMEBOL mostrou-se mais fria, apontando preocupações com «ações unilaterais repetidas, tomadas sem recurso ao diálogo», mas descartou qualquer tentativa acelerada de afastar Infantino e insistiu que qualquer movimento contra ele exigiria uma votação de todo o congresso, com as 211 associações.
As confederações podem fazer pressão, mas não decidem o voto das suas associações-membro. Segundo as regras da FIFA, cada uma das 211 associações vota individualmente no congresso, e o México afastou-se da posição da CONCACAF, que no fim de semana passado apelou a um acerto de contas abrangente com a presidência de Infantino.
O boicote da UEFA mantém-se
A 31 de julho, os 55 membros da UEFA votaram por boicotar todas as competições da FIFA até que Infantino retirasse o seu plano de vender participações no braço comercial da FIFA a investidores privados.
Infantino acabou por abandonar o plano e pediu desculpa aos associados. Ainda assim, a UEFA não mudou de posição.
«As associações da UEFA foram muito claras quanto às condições associadas à não participação nas competições da FIFA. Em primeiro lugar, as propostas de venda das grandes competições tinham de ser retiradas e, em segundo, têm de ser dadas garantias de que nunca mais se voltarão a fazer tentativas de desfigurar o jogo desta forma», afirmou na quinta-feira a confederação.
«Estas condições não foram cumpridas. Além disso, a UEFA deixou bem claro no seu comunicado de sábado que perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição mantém-se.»
Próximo teste começa na Polónia
O primeiro compromisso em jogo é o Mundial Feminino de Sub-20, que arranca na Polónia no próximo mês. Todas as seleções europeias aderiram ao boicote, o que significa que a FIFA poderá realizar o torneio sem qualquer participante da UEFA se o impasse se mantiver.
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O presidente da LaLiga, Javier Tebas, também criticou a governação da FIFA. O mandato de Infantino prolonga-se até ao Congresso da FIFA de março do próximo ano e qualquer contestação será resolvida aí, associação a associação.
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