Lionel Scaloni tomou centenas de decisões durante o período mais bem-sucedido da história recente da Argentina. Poucas provocaram tanto debate como a opção de não utilizar Lautaro Martínez na final do Mundial de 2026.
A Argentina completou os 90 minutos regulamentares contra a Espanha sem realizar um único remate. Acabou por perder 1-0 após prolongamento, enquanto o avançado que marcara o golo decisivo na meia-final permaneceu no banco durante toda a partida. (fifa.com)
A polémica talvez tivesse desaparecido se Lautaro tivesse permanecido completamente em silêncio. Uma interação no Instagram levantou agora a possibilidade de um dos jogadores mais importantes da Argentina também acreditar que Scaloni cometeu um erro decisivo.
O gosto que mudou a história
Segundo La Nación na notícia sobre a atividade de Lautaro nas redes sociais, o capitão do Inter colocou um gosto numa publicação que descrevia a sua ausência da final como “o pior erro de Scaloni”. O texto defendia que o avançado tinha respondido repetidamente quando a Argentina precisava de um golo nos últimos minutos. (lanacion.com.ar)
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Um gosto numa rede social não equivale a um ataque público ao treinador. Pode ser acidental, emocional ou interpretado de forma mais forte do que o jogador pretendia.
A reação ganhou, no entanto, maior importância por causa da mensagem publicada pelo próprio Lautaro depois da final. “Gostaria de ter tentado ajudar a equipa dentro do campo, mas não foi possível”, escreveu após a derrota argentina. (football-italia.net)
A formulação foi controlada e respeitosa, mas a desilusão ficou clara. Lautaro assistiu no banco ao encontro mais importante do torneio, apesar de acreditar que poderia alterar o resultado.
A Argentina precisava desesperadamente de um golo
O argumento mais forte contra Scaloni encontra-se nas estatísticas. A Espanha controlou a final desde os primeiros minutos, enquanto a Argentina terminou o tempo regulamentar sem realizar um único remate.
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De acordo com o relatório oficial da FIFA sobre a final, a Espanha obrigou Emiliano Martínez a efetuar 12 defesas antes de Ferran Torres marcar aos 106 minutos. A resistência defensiva argentina foi extraordinária, mas a ameaça ofensiva permaneceu praticamente inexistente. (fifa.com)
Lautaro parecia representar a solução mais evidente. Tinha marcado três golos no torneio e demonstrado que podia influenciar imediatamente o jogo depois de entrar como suplente.
Realizou uma assistência contra o Egito, marcou diante da Suíça e fez aos 92 minutos o golo da vitória sobre a Inglaterra na meia-final. O seu cabeceamento colocou a Argentina na final apenas quatro dias antes de Scaloni decidir não o utilizar. (fifa.com)
O jogador que acabara de salvar a Argentina
A Argentina aproximava-se da eliminação contra a Inglaterra quando Scaloni recorreu a Lautaro. O avançado atacou a área e finalizou um cruzamento de Lionel Messi durante os descontos.
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As estatísticas oficiais da FIFA da meia-final mostram que a Argentina realizou 15 remates, contra apenas cinco da Inglaterra. Lautaro encontrou a finalização decisiva depois de a pressão argentina finalmente quebrar a resistência defensiva inglesa. (fifa.com)
A exibição parecia confirmar o seu valor como suplente. Lautaro não precisava de jogar uma partida completa para alterar o resultado, tornando-se uma escolha óbvia quando a Argentina necessitava de um momento decisivo contra a Espanha.
Foi por isso que a última substituição se tornou tão controversa. Com a Argentina em desvantagem e reduzida a dez jogadores, Scaloni escolheu o defesa Marcos Senesi em vez do avançado que tinha resolvido o encontro anterior.
Os defensores de Scaloni também têm um forte argumento
A decisão não pode ser avaliada sem considerar os problemas enfrentados pelo selecionador. Os dois defesas-centrais titulares da Argentina sofreram lesões, obrigando às entradas de Nicolás Otamendi e Facundo Medina.
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Enzo Fernández recebeu depois um segundo cartão amarelo pouco antes do prolongamento. A Argentina teve de resistir à pressão constante da Espanha com dez jogadores e uma defesa improvisada. (fifa.com)
A decisão de colocar Senesi não representou simplesmente uma recusa em atacar. Scaloni precisava de outro defesa porque a equipa estava esgotada, em inferioridade numérica e tentava sobreviver diante do melhor conjunto de posse de bola do torneio.
Também existia uma razão tática para manter Julián Álvarez. A sua pressão, movimentação e trabalho defensivo eram considerados importantes contra uma Espanha que constrói os ataques pacientemente a partir da defesa. (khelnow.com)
Lautaro e Messi podiam ter jogado juntos?
A verdadeira questão talvez não seja se Lautaro deveria ter substituído Álvarez. Scaloni podia ter utilizado o avançado do Inter ao lado de Messi e oferecido à Argentina uma referência permanente dentro da área espanhola.
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Essa abordagem teria envolvido um risco considerável. Messi tinha 39 anos, a Argentina jogava com dez e a Espanha já encontrava espaços em redor do bloco defensivo.
Adicionar um avançado poderia enfraquecer ainda mais o meio-campo e permitir que a Espanha resolvesse a final antes do prolongamento. Scaloni escolheu o controlo e a sobrevivência, esperando levar o encontro até aos penáltis.
O plano esteve perto de resultar. A Argentina resistiu até aos 106 minutos e, mesmo depois do golo de Torres, continuou a apenas uma jogada de forçar o desempate.
Um treinador não deve ser julgado apenas depois do resultado
Scaloni conquistou um enorme crédito. Conduziu a Argentina aos títulos da Copa América em 2021 e 2024, à Finalissima e ao Mundial de 2022 antes de alcançar uma nova final em 2026. (cadenaser.com)
É fácil afirmar que Lautaro deveria ter jogado depois de a Argentina não conseguir marcar. Se Scaloni o tivesse colocado e a Espanha aproveitasse imediatamente os espaços adicionais, o treinador seria criticado por abandonar a estrutura defensiva.
Os treinadores tomam decisões sem saber o que acontecerá depois. Os adeptos analisam essas mesmas decisões quando o resultado final já é conhecido.
Isso não torna a crítica inválida. Significa apenas que é necessário considerar aquilo que Scaloni sabia naquele momento, e não apenas o que aconteceu posteriormente.
A reação de Lautaro cria um novo problema
O gosto no Instagram sugere que a questão pode não estar limitada aos adeptos e jornalistas. Mesmo que Lautaro não pretendesse criticar publicamente Scaloni, a sua reação demonstra que reconheceu o argumento apresentado contra o selecionador.
O tema é importante porque a Argentina entra num período de incerteza. O futuro a longo prazo de Scaloni ainda não está totalmente resolvido, enquanto a equipa também precisa de se preparar para uma possível era sem Messi.
Lautaro deverá ser um dos líderes do próximo ciclo. Qualquer tensão entre o capitão do Inter e o treinador argentino mais bem-sucedido da era moderna tornar-se-ia muito mais do que um desacordo sobre uma substituição.
Não existem provas públicas de uma rutura séria entre os dois. O gosto levantou perguntas, mas não demonstra a existência de um conflito no balneário.
A decisão que continuará a acompanhar Scaloni
A Argentina poderia ter perdido mesmo com Lautaro em campo. A Espanha foi a melhor equipa, controlou a bola e criou oportunidades suficientes para merecer o título.
A história do futebol é, no entanto, frequentemente marcada pelo jogador que não foi escolhido. Lautaro marcara na meia-final, estava disponível e assistiu a todos os minutos de uma final na qual a Argentina quase não atacou.
A decisão de Scaloni era taticamente compreensível. Também pode ter sido o maior erro da sua carreira.
O que pensa? Scaloni fez bem em proteger a estrutura defensiva da Argentina ou Lautaro deveria ter entrado assim que a equipa precisou de um golo?



