O treinador do Southampton, Tonda Eckert, pediu desculpas pelo escândalo “Spygate” de seu clube, mas insiste que observar os treinos dos adversários é uma prática comum em sua Alemanha natal e durante seu tempo na Itália. O técnico de 33 anos, que chegou ao Southampton no verão passado como treinador da equipe Sub-21 antes de assumir o comando do time principal no outono, transmitiu um pedido de desculpas em vídeo na terça-feira, atribuindo o incidente à sua ignorância das regras do futebol inglês.
A controvérsia levou a English Football League (EFL) a expulsar os Saints dos play-offs do Championship do mês passado, e Eckert agora enfrenta uma investigação sobre sua conduta pela Football Association (FA). A regra da EFL proíbe especificamente a observação de treinos de adversários nas 72 horas anteriores a uma partida.
A defesa de Eckert: Uma perspectiva europeia
Eckert, que anteriormente trabalhou como treinador de jovens no Colônia e como analista para a seleção alemã na Copa do Mundo de 2014, citou sua vasta experiência no futebol europeu como base para suas ações. Ele passou quatro anos na Itália, incluindo uma passagem como assistente técnico de Patrick Vieira no Genoa.
“Quando trabalhei na Itália por quatro anos, cada escalação inicial que escolhíamos era divulgada na mídia antes dos jogos, e a razão é que nossos treinos – especialmente os que antecedem os jogos – sempre foram observados pela mídia e pelas equipes adversárias”, declarou Eckert.
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Ele afirmou ainda que a espionagem é generalizada na Alemanha, referenciando as observações do ex-treinador do Bayern, Pep Guardiola, durante seu mandato de 2013-2016. O próprio Guardiola, falando em 2019, observou: “Em outros países, todo mundo faz isso, [mas] é mais difícil aqui. Em Munique, havia pessoas com câmeras observando o que fazíamos. Todos querem saber de tudo.”
De fato, exemplos do futebol alemão apoiam a afirmação de Eckert. O treinador do RB Leipzig, Ole Werner, admitiu ter usado drones sobre os campos de treino dos adversários e enviado funcionários para se esconderem em arbustos enquanto treinava o Werder Bremen. O Werder Bremen chegou a pedir desculpas depois que um de seus analistas de vídeo foi pego pilotando um drone sobre o campo de treino do Hoffenheim, o que gerou uma investigação policial. O ex-treinador do Borussia Dortmund, Edin Terzic, também confessou ter se disfarçado de comissário para observar um treino do Real Madrid em 2013. Em 2015, o jornal alemão Kicker noticiou que o Colônia, onde Eckert trabalhava na época, havia enviado um analista para espionar o Hamburgo durante um campo de treino em Dubai.
Um choque de culturas futebolísticas
As diferentes atitudes em relação à observação de adversários destacam uma significativa divisão cultural no futebol. Muitos clubes da Bundesliga realizam regularmente treinos abertos, que o público pode assistir. O comentarista de jogos da Bundesliga, Kevin Hatchard, explicou a perspectiva alemã à BBC Sport.
“O sentimento geral é que a espionagem é uma questão secundária e não é levada muito a sério. Nunca houve indignação na mesma escala que no Southampton. Treinos abertos são considerados jogo justo para espionagem”, disse Hatchard. “Quando alguém é pego espionando, a reação tende a ser ‘melhor sorte na próxima vez, seu espertinho’, em vez de raiva séria e exigência de demissões.”
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Isso contrasta fortemente com a reação na Inglaterra. Steve Grant, co-apresentador do podcast Total Saints, descreveu a resposta inglesa como “uma coisa muito britânica de ‘segurar as pérolas’ diante do conceito de fair play [em relação à espionagem], enquanto ficamos felizes por nosso centroavante mergulhar na área de pênalti.”
Apesar do histórico de Eckert, incluindo um ano e meio como assistente técnico no Barnsley, na League One, Hatchard expressou surpresa com a falha do treinador. “Mas para alguém tão orientado a detalhes em seu treinamento, fico chocado que Eckert não tenha parado para pensar: ‘certo, sei que isso acontece com mais frequência na Alemanha, mas posso realmente fazer isso aqui?’ Uma vez que você é o principal responsável, é bastante imperdoável não pensar na gravidade do que ele estava fazendo, como seria percebido e quais poderiam ser as consequências”, disse Hatchard à BBC Sport.
Fontes: www.bbc.com
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