Gary Neville fez o pedido em direto durante a transmissão da Sky Sports do Liverpool 0-3 Manchester City.
«Este é o primeiro jogo do Manchester City que fiz hoje desde que as acusações ou os veredictos de culpa foram proferidos há algumas semanas», disse aos telespectadores. «Estávamos ainda agora a gravar o podcast e dissemos que, se me pudessem retirar dos jogos do Manchester City nos próximos meses, até os veredictos serem conhecidos, ficaria absolutamente encantado.»
O veredicto a que Neville se referia chegou a 26 de setembro, quando uma comissão independente da Premier League decidiu que o City tinha cometido graves infrações financeiras entre as temporadas 2009-10 e 2017-18. A comissão concluiu que o clube tinha montado contratos «fictícios» com parceiros comerciais e inflacionado receitas em mais de 900 milhões de libras. O City nega qualquer irregularidade e apresentou um recurso completo.
Ao abrigo das novas regras da Premier League, o recurso tem de ficar concluído em 12 semanas, tendo o painel depois 30 dias para proferir uma decisão, o que significa que uma decisão é esperada até janeiro de 2027, embora a pausa de Natal possa empurrar o anúncio para o início de fevereiro. Até lá, cada ponto que o City conquistar conta na classificação, com as potenciais sanções a continuarem a variar entre uma multa, uma dedução de pontos e a expulsão da Premier League.
Leia também: «Custe o que custar»: Manchester United pressionado a avançar com transferência bombástica por Harry Kane
Haaland, Doku e Cherki no marcador
Erling Haaland, Jérémy Doku e Rayan Cherki marcaram todos em Anfield, com o City a dominar após um cartão vermelho ao Liverpool. Neville afirmou em direto que o City tinha «dominado o jogo nos últimos 20 minutos, a partir do cartão vermelho» e elogiou Gianluigi Donnarumma, Rúben Dias e o bloco defensivo por se manterem «fortes como grupo» na primeira parte.
O resultado colocou o City três pontos à frente do Arsenal na liderança da Premier League.
«O futebol tornou-se secundário»
O pedido de Neville não surgiu de forma isolada. Desde a decisão de 26 de setembro, cronistas ingleses e europeus têm questionado o que significam os resultados da Premier League enquanto o recurso continua em aberto. O Telegraph descreveu a liga como uma «farsa» e o The Guardian escreveu que «o futebol tornou-se secundário» quando o City vence, ambos citados na compilação de reações ao jogo do Goal.com. A BBC Radio tem debatido em antena a credibilidade da liga, e o L’Équipe escreveu que um resultado Liverpool-City que outrora teria liderado as páginas desportivas europeias foi empurrado para segundo plano pelo processo judicial.
O contra-argumento é processual. Até o recurso ser apreciado, o City continua a ser um clube da Premier League em pleno direito, disputa jogos que contam e vai continuar a disputá-los. A conclusão da comissão sobre as graves infrações às regras financeiras não altera isso; apenas a decisão final sobre a sanção o fará.
Leia também: Mensagem de Cucurella ao árbitro após expulsão de Vinícius tem reviravolta constrangedora
Janeiro é o objetivo
O painel do recurso trabalha com o objetivo de proferir o seu veredicto em janeiro de 2027, com a Sky Sports a avançar que a decisão poderá estender-se até cerca de 8 de fevereiro de 2027, devido à pausa judicial de Natal. É esse o prazo até ao qual a Premier League espera saber, em termos desportivos, o que vale verdadeiramente a temporada 2026-27 do Manchester City.
Leia também: Seedorf no comando: tetracampeão da Liga dos Campeões assume novo clube



