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Henry traça um limite enquanto Carragher reacende o debate sobre a arbitragem na Afcon

Uma final marcada pela controvérsia, não pela celebração

O Senegal manteve o título da Copa Africana de Nações ao vencer Marrocos por 1,0 no domingo à noite, mas o desfecho da partida rapidamente ofuscou o feito desportivo. O momento decisivo surgiu nos acréscimos, quando Marrocos beneficiou de um penálti que Brahim Díaz falhou.

Poucos minutos antes, um golo do Senegal havia sido anulado, provocando protestos intensos por parte dos jogadores e da comissão técnica. De acordo com o relato da partida publicado pelo GiveMeSport, o selecionador Pape Thiaw ordenou que a equipa abandonasse o relvado, atrasando a final por cerca de 20 minutos.

O capitão Sadio Mané regressou depois do túnel para convencer os colegas a retomar o jogo, num ambiente marcado por grande tensão.

A arbitragem no centro das atenções

Após o apito final, o debate público afastou-se da vitória do Senegal e concentrou-se nas decisões da arbitragem. Alguns comentadores classificaram o encontro como prejudicial para a imagem do torneio, enquanto outros defenderam que essa leitura ignora problemas estruturais, como formação e recursos disponíveis para os árbitros.

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Segundo o GiveMeSport, também foi discutida a possibilidade de sanções disciplinares para ambas as seleções após os incidentes do final da partida. O foco na arbitragem refletiu críticas recorrentes que acompanham a competição em edições anteriores.

Comentários em estúdio geram reação imediata

Durante uma participação no programa CBS Sports Golazo, Thierry Henry reconheceu que o nível da arbitragem não correspondeu à dimensão do evento. “The referees were not at the level of the show”, afirmou, salientando que a responsabilidade recai sobre os sistemas de desenvolvimento e não sobre os árbitros individualmente.

Jamie Carragher levantou então uma questão que provocou reação negativa imediata. “You mention about the referees there, could there not be a case where they actually bring some of the top European referees in to oversee AFCON matches?”, questionou.

Henry rejeitou a sugestão sem hesitar. “You have to give African referees a chance. It is an African tournament, it has to have African referees”, respondeu.

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Henry redireciona o debate para soluções estruturais

Henry acrescentou que o caminho passa por investimento e apoio, e não por substituição. “I'm talking about sending someone to put them to a certain level, because you can see there are more and more mistakes all of the time”, explicou. Também observou que o torneio e os jogadores acabam muitas vezes responsabilizados por falhas que têm origem em questões mais profundas.

De acordo com a CBS Sports Golazo, a intervenção de Henry procurou separar críticas legítimas à arbitragem de avaliações generalizadas sobre a credibilidade da competição.

Reações online expõem tensões mais amplas na Afcon

A troca de argumentos espalhou-se rapidamente pelas redes sociais. Muitos adeptos elogiaram Henry pela defesa dos árbitros africanos, enquanto as declarações de Carragher foram amplamente contestadas. Vários comentários sublinharam que sugestões semelhantes raramente surgem quando há polémicas em torneios europeus.

As reações evidenciam uma frustração persistente em relação à forma como o futebol africano é tratado no debate mediático internacional.

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Sources: GiveMeSport, CBS Sports Golazo

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