O Barcelona quer uma retratação pública de Florentino Pérez. Se este se recusar a fazê-la na manhã de 25 de novembro, o clube tenciona levá-lo a tribunal criminal.
O presidente do Real Madrid deverá comparecer num tribunal de Madrid às 9h40 da hora local desse dia, para uma audiência de conciliação obrigatória, marcada pelo juiz a pedido do Barcelona. O clube apresentou o pedido de conciliação em junho, um mês após a conferência de imprensa de Pérez em maio, exigindo que as declarações do dirigente sobre o caso Negreira sejam formalmente retiradas por serem caluniosas e prejudiciais à reputação do clube.
A conciliação é um passo obrigatório antes de se poder intentar uma ação penal em Espanha. Se Pérez não comparecer, ou se comparecer mas recusar retratar-se, o Barcelona anunciou que apresentará uma queixa-crime por calúnia ao abrigo do artigo 205 do Código Penal espanhol.
O que Pérez disse em maio
Em conferência de imprensa a 12 de maio, Pérez associou diretamente os títulos de liga do Barcelona aos pagamentos do caso Negreira.
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«Ficámos de mãos a abanar, e só ganhei sete Ligas dos Campeões e sete títulos de liga, que podiam ter sido 14 porque me foram roubados», afirmou.
Pérez classificou o caso como «o maior escândalo da história» e disse aos jornalistas que o Real Madrid estava a preparar «um dossier de 500 páginas que enviarei à UEFA quando a competição terminar». Sobre os pagamentos em si, afirmou que o Barcelona esteve «a pagar durante duas décadas, mas agora são os mesmos árbitros nesta terceira década».
O historial do caso Negreira
O caso incide sobre cerca de 7 milhões de euros pagos pelo Barcelona a José María Enríquez Negreira, antigo vice-presidente da Comissão Técnica de Arbitragem (CTA) espanhola, ao longo de quase duas décadas até 2018. O Barcelona afirmou que o dinheiro serviu para pagar relatórios de análise e vídeos sobre árbitros.
Um tribunal de Barcelona arquivou a acusação específica de suborno contra o clube em maio de 2024, decidindo que Negreira não era funcionário público à luz da lei espanhola e, por conseguinte, não podia ser subornado no sentido jurídico. A investigação mais ampla à corrupção desportiva prosseguiu, mas nenhuma decisão judicial estabeleceu que os pagamentos do Barcelona tenham efetivamente alterado qualquer decisão arbitral.
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O que vai acontecer a 25 de novembro
Pérez tem duas opções na própria audiência: assinar uma retratação das afirmações sobre os «títulos roubados» e a «corrupção sistémica», ou obrigar o Barcelona a apresentar a queixa-crime. Não comparecer teria o mesmo efeito que uma recusa.
O próximo passo do Barcelona nesse cenário já está delineado: uma ação penal por calúnia ao abrigo do artigo 205, apresentada em Madrid, contra o atual presidente do Real Madrid.
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