A atual campeã mundial do concurso geral da Rússia não vai competir em Roterdão. Angelina Melnikova foi uma das três ginastas russas a quem os Países Baixos recusaram o visto, segundo a Meduza, com o Campeonato do Mundo de Ginástica Artística a arrancar em 17 de outubro.
As notificações de recusa, reproduzidas por responsáveis russos, referiam que «um ou vários Estados-membros do Espaço Schengen consideram as atletas uma ameaça às respetivas relações internacionais». Dos 61 membros da delegação russa que requereram autorização de viagem, 47 obtiveram-na, noticiou o Kyiv Independent, incluindo cinco ginastas masculinos e três femininas.
A prova, que decorre de 17 a 25 de outubro, é a fase inicial da qualificação por equipas para os Jogos de Los Angeles 2028.
Três perfis, três bandeiras pró-guerra
Melnikova está ligada ao CSKA, o clube desportivo das Forças Armadas russas, e já partilhou fotografias com o símbolo «Z», utilizado para manifestar apoio à guerra de Moscovo na Ucrânia.
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Viktoria Listunova, que integrou a equipa russa medalhada de ouro no concurso geral por equipas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, participou num comício de Vladimir Putin realizado em março de 2022 para assinalar o início da invasão. A World Gymnastics já lhe tinha recusado o estatuto de neutra devido a publicações pró-militares e, em agosto, foi-lhe recusado um visto croata para uma competição.
Anna Kalmykova tem um contrato desportivo com a Guarda Nacional russa, segundo as autoridades desportivas ucranianas.
A ameaça da Rússia: retirar o estatuto de qualificação para LA 2028
A resposta da Rússia foi além do protesto. O ministro do Desporto, Mikhail Degtyaryov, que preside também ao Comité Olímpico Russo, afirmou nas redes sociais que o país vai pressionar para que o Campeonato do Mundo de Roterdão perca o estatuto de qualificação olímpica.
«A recusa de vistos às ginastas russas por parte dos Países Baixos, politicamente motivada, volta a demonstrar que o grande desporto não tem lugar na Europa», afirmou Degtyaryov em declarações divulgadas pela TASS.
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«Não se pode confiar aos países da UE a realização de competições internacionais.»
A Federação Russa de Ginástica anunciou que iria «recorrer ao Comité Olímpico Internacional e à World Gymnastics», segundo o Kyiv Independent. O embaixador da Rússia em Haia, Vladimir Tarabrin, deslocou-se pessoalmente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros neerlandês para exigir a emissão dos vistos, noticiou o Moscow Times, afirmando que foi recebido com «argumentos absolutamente pouco convincentes que desafiam qualquer crítica razoável».
Uma eventual despromoção do Campeonato do Mundo afetaria todas as federações em prova, e não apenas a Rússia. É em Roterdão que os lugares por equipas para Los Angeles são postos pela primeira vez em jogo, e as ginastas que falhem a prova veem estreitar-se o caminho até aos Jogos.
Os atletas russos têm competido no circuito internacional como neutros, sem bandeira nem hino, depois de a World Gymnastics ter começado a readmiti-los sob esse estatuto. As recusas neerlandesas, dirigidas a atletas com ligações militares ou políticas documentadas, constituem uma das aplicações mais contundentes desse filtro num país anfitrião não russo desde o início da invasão.
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O primeiro dia de competição em Roterdão é sábado, 17 de outubro. A equipa russa que recebeu os vistos mantém-se autorizada a competir.
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