Vinčić finalmente fala após a final
Slavko Vinčić quebrou o silêncio sobre a turbulenta final do Mundial de 2026, revelando como geriu o intenso confronto entre Espanha e Argentina. O árbitro esloveno encerrou a sua carreira de arbitragem pouco depois de a Espanha ter garantido uma vitória por 1-0 no prolongamento no New York New Jersey Stadium.
“A responsabilidade é enorme quando toda a sua carreira de arbitragem se resume a um único jogo”, disse Vinčić. “Eu sabia que a maior parte do trabalho envolveria gerir o jogo: quando parar e quando permitir que a ação continuasse.”
De acordo com a reportagem da Cadena SER, o árbitro de 46 anos acreditava que controlar as emoções dos jogadores era mais desafiador do que tomar decisões técnicas individuais. A final contou com 45 faltas, inúmeros confrontos e a expulsão do médio argentino Enzo Fernández.
A conversa com Messi que ele não vai revelar
Vinčić falou regularmente com Messi durante o jogo porque o avançado era o capitão da Argentina. Imagens de televisão mostraram os dois a trocar palavras em várias ocasiões, especialmente à medida que a frustração aumentava durante os momentos finais do tempo regulamentar.
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No entanto, quando Vinčić foi questionado sobre o que Messi lhe tinha dito, o árbitro recusou-se a fornecer quaisquer detalhes. A sua resposta criou imediatamente outro mistério em torno de uma final já repleta de incidentes disputados e confrontos emocionais.
“A minha conversa com Messi? Vou deixar essa conversa no campo”, disse Vinčić. “Mas posso dizer que a sua conduta foi correta e desportiva.”
Messi exigiu ação contra Cucurella
Uma das trocas mais visíveis ocorreu pouco depois de Fernández ter recebido o seu segundo cartão amarelo. O médio foi expulso nos acréscimos após chegar atrasado e fazer contacto com Pau Cubarsí, deixando a Argentina com dez jogadores antes do prolongamento.
Momentos depois, Messi pediu que Marc Cucurella fosse punido depois de o defesa espanhol ter levantado brevemente a mão em direção ao seu rosto enquanto falava. O capitão da Argentina parecia acreditar que Cucurella tinha coberto a boca durante um confronto, uma ação que tinha levado a expulsões anteriormente no torneio sob a nova interpretação da FIFA.
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As repetições não estabeleceram que Cucurella tivesse cometido a mesma infração, e Vinčić rejeitou o apelo da Argentina. De acordo com a análise de arbitragem da Cadena SER, o ex-árbitro internacional Eduardo Iturralde González avisou inicialmente que um confronto com a boca deliberadamente coberta poderia exigir um cartão vermelho, mas as imagens disponíveis não apoiaram a alegação de Messi.
‘As reações dos jogadores são diferentes’
Vinčić admitiu que uma abordagem comum não poderia ser aplicada a uma final do Mundial. Com o troféu em jogo, ele esperava que jogadores normalmente controlados reagissem mais emocionalmente a entradas, decisões disciplinares e momentos capazes de definir as suas carreiras.
“É a final do Mundial”, disse ele. “A mentalidade e as reações dos jogadores são diferentes, e dada a importância do jogo, é preciso entender tudo.”
“O maior desafio é gerir tudo corretamente durante o jogo”, acrescentou Vinčić. Ele tentou permitir um jogo físico sem perder o controlo, embora a sua abordagem tenha dividido opiniões em Espanha e na Argentina após a final.
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A decisão sobre Enzo Fernández mudou a final
A expulsão de Fernández foi a maior decisão disciplinar de Vinčić. O médio já tinha sido advertido por protestos antes de receber um segundo cartão amarelo pela sua entrada sobre Cubarsí perto do final do tempo regulamentar.
O jogador do Chelsea chegou atrasado e atingiu o defesa espanhol quando Cubarsí tentava jogar a bola. Vinčić imediatamente mostrou outro cartão amarelo, deixando a Argentina a disputar todo o período de prolongamento com dez homens.
O ex-árbitro Iturralde González apoiou a decisão e disse que a entrada justificava claramente uma advertência, embora não um cartão vermelho direto. “Ele chega atrasado, atinge-o com o joelho e é isso. É um cartão amarelo claro”, disse ele.
Árbitro insiste que a sua estratégia funcionou
Apesar da controvérsia, Vinčić acredita que a sua equipa de arbitragem geriu o jogo com sucesso. Ele disse que estava particularmente satisfeito por o árbitro não ter sido o tema central de discussão imediatamente após a Espanha levantar o troféu.
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“Não fomos o tema de conversa após o jogo, o que mostra que, no geral, fizemos bem o nosso trabalho”, disse ele. “Acredito que a nossa estratégia de arbitragem foi a correta.”
Essa avaliação dividirá os adeptos que criticaram a sua gestão permissiva das entradas iniciais e a desordem que se seguiu ao apito final. O treinador da Argentina, Lionel Scaloni, no entanto, recusou-se a culpar o árbitro pela derrota e aceitou publicamente que a Espanha tinha sido a melhor equipa.
Reforma anunciada apenas uma semana depois
Vinčić reformou-se oficialmente uma semana após a final, encerrando uma carreira na qual arbitrou mais de 500 jogos. O anúncio foi feito pela Federação Eslovena de Futebol, que descreveu a sua nomeação para o Mundial como o ponto alto de uma carreira histórica.
“Uma semana após a final do Mundial nos Estados Unidos, Slavko Vinčić encerrou oficialmente a sua histórica carreira de arbitragem no topo do desporto”, disse a federação, citado pela EFE. Não há evidências de que a sua reforma tenha sido causada por críticas à final, e o momento parece ter refletido uma decisão de sair após atingir a nomeação mais alta possível.
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Vinčić era árbitro internacional desde 2010 e tornou-se o primeiro esloveno a supervisionar uma final do Mundial. Ele já tinha controlado a final da Liga Europa de 2022 e a vitória do Real Madrid sobre o Borussia Dortmund na final da Liga dos Campeões de 2024.
Prémios seguiram-se apesar das críticas
Vinčić deixou o torneio com um reconhecimento significativo dentro do mundo da arbitragem. A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol nomeou-o o melhor árbitro do Mundial de 2026, citando o seu controlo e autoridade ao longo de quatro jogos.
Conforme descrito pela FIFA antes da final, Pierluigi Collina informou pessoalmente Vinčić que ele tinha sido selecionado para o jogo. O esloveno emocionou-se ao receber a notícia e descreveu a nomeação como uma “honra incrível”.
A sua última aparição garantiu que ele se despedisse no ponto mais alto da sua profissão. No entanto, a sua recusa em revelar o que Messi lhe disse significa que uma das trocas mais intrigantes da final do Mundial permanecerá entre o capitão e o árbitro.



