Um retorno ofuscado por perguntas
O tão esperado retorno de Conor McGregor ao UFC tem sido complicado por um escrutínio renovado sobre a recuperação da perna quebrada que o manteve fora do Octógono desde 2021.
O irlandês está programado para enfrentar Max Holloway em uma revanche no peso meio-médio no UFC 329, em 11 de julho, na T-Mobile Arena, em Las Vegas. Será sua primeira luta desde o UFC 264, onde sofreu fraturas na tíbia e fíbula no primeiro round de sua trilogia contra Dustin Poirier.
De acordo com o anúncio oficial do UFC sobre McGregor vs. Holloway 2, a luta será o evento principal do card de julho, com o card principal começando às 21h ET.
Mas a preparação não se limitou a conversas sobre a luta. Uma reportagem do New York Times alegou que McGregor usou “drogas potentes e proibidas” durante sua reabilitação. A reportagem também levantou questões sobre seu tempo fora do antigo grupo de testes da USADA e sobre um pedido de isenção para uso terapêutico relacionado à sua recuperação.
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McGregor não aceitou a forma como as alegações foram apresentadas. Ele, em vez disso, descreveu o assunto como uma violação de sua privacidade médica e argumentou que a prioridade após uma lesão tão grave deveria ter sido ajudá-lo a recuperar a mobilidade básica.
McGregor diz que seu foco era voltar a andar
Em conversa com Ariel Helwani, McGregor disse que a lesão o deixou preocupado primeiro com sua capacidade de andar e viver normalmente, e não com o retorno às competições.
Conforme citado pelo The New York Post em sua reportagem sobre a resposta de McGregor, McGregor disse: “Se você for perguntar o que eu estava usando, eu nem sei. Não sei. Não quero saber. Tudo o que quero saber é o que vai me colocar de volta em pé, p*rra? Para poder brincar com meus filhos novamente de forma normal? E foi isso.”
Ele também criticou a forma como a questão ressurgiu anos após a lesão.
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“A coisa toda é estranha para mim. Você tem uma lesão assim, você não vai mais andar. O objetivo deveria ser fazer com que aquele atleta, aquele lutador que deu sua vida, seu membro, seu sustento para o entretenimento das pessoas e para o lucro da empresa, deveria ser, ‘coloquem este homem de volta em pé’,” disse McGregor.
A defesa mais ampla de McGregor foi que ele seguiu orientação médica durante uma recuperação que ele via como potencialmente transformadora. Ele não deu um relato substância por substância do que tomou.
UFC dá apoio público a McGregor
O UFC emitiu um comunicado veemente defendendo McGregor e rejeitando qualquer sugestão de que sua separação da USADA estivesse ligada a ele.
De acordo com Jeremy Lambert na reportagem da Fightful sobre o comunicado do UFC, a promoção disse que McGregor buscou orientação médica do cirurgião ortopédico Dr. Neal ElAttrache após o que descreveu como uma “lesão potencialmente fatal para a carreira”.
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“Como resultado, McGregor não competiu por cinco anos e manteve comunicação adequada com nossa equipe durante todo o processo, permanecendo em total conformidade com as regras de nosso programa antidoping abrangente,” disse o UFC.
A organização também apontou para o histórico recente de testes de McGregor, dizendo: “McGregor foi testado 19 vezes nos últimos dois anos, incluindo 12 vezes em 2026, tornando-o o atleta mais testado durante este período.”
O UFC acrescentou que sua decisão de encerrar a parceria com a USADA não estava relacionada a McGregor. Afirmou que as discussões sobre o afastamento da USADA começaram antes de qualquer conversa envolvendo-o e descreveu a narrativa oposta como “categoricamente falsa”.
Uma sanção, mas não um teste falho
Há outra distinção importante no registro antidoping de McGregor. Ele cumpriu uma suspensão, mas não foi por um teste positivo.
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Conforme descrito pelo aviso oficial do UFC sobre a sanção de McGregor, a Combat Sports Anti-Doping anunciou em outubro de 2025 que McGregor havia aceitado um período de 18 meses de ineligibilidade por falhas de localização (whereabouts failures) sob a Política Antidoping do UFC.
A sanção foi retroativa a 20 de setembro de 2024 e terminou em 20 de março de 2026. As violações estavam relacionadas a tentativas de coleta de amostras perdidas, e não a um teste de drogas falho relatado.
Essa distinção importa enquanto McGregor se prepara para retornar. As alegações sobre sua recuperação permanecem contestadas, enquanto a sanção formal em seu registro se refere a obrigações de teste perdidas.
Revanche com Holloway agora tem peso extra
McGregor e Holloway se enfrentaram pela primeira vez em 2013, com McGregor vencendo por decisão unânime. A revanche deles chega em um estágio muito diferente de ambas as carreiras.
McGregor tem agora 37 anos e não luta há quase cinco anos. Holloway, ex-campeão peso-pena, permaneceu ativo no mais alto nível e entra na luta com muito menos incerteza em torno de seu ritmo competitivo.
Para McGregor, o UFC 329 já é uma luta de retorno, uma luta de legado e um teste do que resta após anos de afastamento. A controvérsia sobre a recuperação e drogas adicionou outra camada a esse retorno.
O UFC deixou claro que o apoia. McGregor deixou claro que, em sua opinião, a história deveria começar com a gravidade da lesão, e não com especulações sobre sua reabilitação.
Em 11 de julho, o debate em torno de sua recuperação dará lugar à pergunta que o acompanha desde a luta contra Poirier: se uma das maiores estrelas do UFC ainda pode atuar no nível que o tornou famoso.



