Urs Meier já viu o suficiente para se preocupar.
O ex-árbitro suíço de elite fez uma avaliação contundente da fase de grupos da Copa do Mundo, alertando que a fase inicial mais calma do torneio pode não sobreviver à pressão das rodadas eliminatórias.
Em entrevista ao repórter do Blick, Simon Strimer, Meier disse que as maiores controvérsias de arbitragem ainda não haviam chegado, mas deixou claro que estava insatisfeito com várias partes do torneio.
Sem paciência com a decisão sobre Schärer
Uma das críticas mais fortes de Meier diz respeito a Sandro Schärer.
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O árbitro suíço da UEFA ainda não foi escalado para uma partida na Copa do Mundo, apesar de ter apitado uma semifinal da Liga dos Campeões.
“Um dos pontos negativos desta Copa do Mundo é que Sandro Schärer ainda não foi utilizado”, disse Meier.
Ele acrescentou que não conseguia entender como um árbitro com o perfil de Schärer poderia permanecer sem uso enquanto outros já haviam apitado duas ou três partidas.
“Se ele realmente não conseguir uma partida, eu não teria absolutamente nenhuma compreensão para isso”, disse Meier.
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Pausas para hidratação sob fogo
Meier foi ainda mais direto ao falar sobre as pausas fixas de três minutos para hidratação em cada tempo.
Para ele, não se trata apenas do bem-estar dos jogadores.
“Todos sabem que é uma pausa publicitária disfarçada”, disse ele.
Meier acredita que as pausas mudam o próprio jogo. Os treinadores têm a chance de reajustar suas equipes, ajustar o ritmo e dar novas instruções no meio de um tempo.
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Depois disso, o árbitro também precisa encontrar a linha certa novamente.
“As pausas para hidratação são algo que precisa ser abolido novamente”, disse Meier. “O que está acontecendo ali não está no espírito do futebol.”
Ele não argumentou contra as pausas para hidratação em condições extremas. Seu ponto era que os árbitros deveriam ter permissão para decidir quando elas são realmente necessárias, em vez de estarem presos a pausas fixas.
Elogios a um forte momento de arbitragem
Nem tudo na avaliação de Meier foi negativo.
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Ele elogiou o árbitro de El Salvador, Ivan Barton, por sua conduta com o goleiro do Paraguai, Orlando Gill, durante a acalorada partida entre Paraguai e Turquia.
Quando Gill se sentou e pareceu segurar o pé enquanto o Paraguai vencia, Barton disse a ele para se levantar e continuar.
“Eu celebro coisas assim”, disse Meier. “Para mim, isso é controle de jogo. Se você entende de futebol e está em campo, você sente: algo não está certo aqui. Não faça um teatro disso.”
Para Meier, esse era o tipo de autoridade que os árbitros precisam em um torneio onde a perda de tempo e a cera podem rapidamente aumentar.
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Um aviso antes das eliminatórias
Meier também vê uma questão mais ampla na linha de arbitragem.
Ele acredita que os oficiais permitiram uma quantidade generosa de contato durante a fase de grupos, e ele aceita que os jogadores, em grande parte, responderam bem a isso.
Mas as rodadas eliminatórias são diferentes.
“Agora, a partir das oitavas de final, um vento diferente soprará”, disse ele. “A pressão será completamente diferente.”
O aviso é claro. Uma linha de arbitragem relaxada pode funcionar quando as partidas são menos desesperadoras. Torna-se muito mais arriscado quando um erro pode encerrar o torneio de uma equipe.
Letexier recebe elogios especiais
Meier também apontou um árbitro que ele particularmente admira: François Letexier, da França.
O árbitro de 37 anos apitou duas partidas na fase de grupos e impressionou Meier com seu estilo ativo.
“Ele luta pela sua posição e decide imediatamente se o jogo deve continuar ou não”, disse Meier. “Isso significa que temos menos problemas com as decisões.”
Meier espera que o comitê de arbitragem não diga a Letexier para se afastar dessa abordagem.
Para os espectadores que desejam estudar a arbitragem mais de perto, o conselho de Meier é simples: fiquem atentos à próxima partida de Letexier.
Tratamento ao Irã considerado inaceitável
As palavras mais fortes de Meier foram reservadas para eventos fora do campo.
Na Copa do Mundo de 1998, ele arbitrou a partida politicamente carregada entre Estados Unidos e Irã. Antes daquele jogo, ele ajudou a criar a agora famosa foto conjunta das equipes, um momento lembrado como um símbolo do esporte superando a política.
Essa história torna sua crítica a esta Copa do Mundo especialmente incisiva.
O Irã estava baseado no México, mas, de acordo com o Blick, só foi autorizado a entrar nos Estados Unidos nos dias de jogo e teve que sair imediatamente depois.
“O que os americanos fizeram com os iranianos nesta Copa do Mundo não é aceitável e tem pouco a ver com fair play”, disse Meier.
Para ele, o contraste com 1998 é doloroso.
Naquela época, ele sentiu que o futebol mostrou ao mundo que as coisas poderiam ser diferentes. Desta vez, ele acredita que a oportunidade foi perdida.
O futebol enfrenta um teste mais rigoroso agora
O veredito de Meier não é uma rejeição do torneio como um todo.
É um aviso.
A Copa do Mundo avançou além da fase de grupos, e com isso a margem de erro diminuiu. Os árbitros enfrentarão mais pressão. Os jogadores testarão os limites com mais frequência. Regras que pareciam gerenciáveis nas primeiras partidas podem de repente se tornar decisivas.
Para Meier, a solução não é complicada.
Usem os melhores árbitros. Deixem-nos conduzir as partidas com autoridade. Removam as regras que interrompem o fluxo natural do futebol. E mantenham a política o mais longe possível do campo.
As rodadas eliminatórias mostrarão se a FIFA ouviu.



