O futebol italiano foi mergulhado em mais uma crise de liderança depois que Paolo Maldini e Leonardo renunciaram aos seus cargos na Federação Italiana de Futebol após apenas 16 dias.
Maldini havia sido nomeado diretor técnico da FIGC e presidente do Club Italia, enquanto seu ex-colega do AC Milan, Leonardo, se juntou à nova estrutura como conselheiro. Suas nomeações pretendiam marcar o início de um ambicioso projeto de reconstrução para as seleções nacionais italianas.
Esse projeto agora ruiu antes mesmo de poder começar adequadamente.
De acordo com o relatório da Sky Sport Italia sobre as renúncias, ambos os homens informaram o presidente da FIGC, Giovanni Malagò, de sua decisão em 27 de julho, apenas 16 dias depois de concordarem em assumir suas novas responsabilidades.
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Decisão sobre Pirlo desencadeia saída dramática
A disputa centrou-se na busca da FIGC por um novo treinador principal para a Itália.
Depois que Pep Guardiola rejeitou uma abordagem por motivos pessoais, Maldini e Leonardo identificaram Andrea Pirlo como o treinador que desejavam para liderar a seleção nacional. O ex-meio-campista da Juventus foi contatado, e as negociações começaram para liberá-lo de seu contrato com o United FC em Dubai.
No entanto, a relação comercial de Pirlo com a Fonbet, uma empresa russa de apostas esportivas, gerou críticas políticas na Itália. Ele havia trabalhado como embaixador global da empresa, cujos interesses comerciais estão ligados ao proprietário do United FC, Sergey Lomakin.
Conforme a Sky Sport Italia descreveu em seu relato detalhado do colapso, Malagò recusou-se a aprovar a nomeação em meio à crescente pressão política. Reuniões que deveriam finalizar a saída de Pirlo do United FC e seu subsequente acordo com a FIGC foram então canceladas.
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A questão não era simplesmente que Pirlo não pudesse encerrar sua relação com a Fonbet. A Sky informou que a FIGC havia recebido seus contratos ativos e estava ciente de uma cláusula que permitia a rescisão dos acordos relevantes sem penalidade financeira.
Pirlo diz que foi retirado da disputa
Pirlo não anunciou que havia decidido se retirar do processo.
Em vez disso, o ex-internacional italiano disse que lhe haviam informado que ele não estava mais sendo considerado.
“Soube ontem à noite que não era mais candidato a treinar os Azzurri”, escreveu Pirlo em uma declaração nas redes sociais citada pela ANSA em seu relatório sobre a crise.
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Pirlo defendeu seu trabalho comercial como inteiramente esportivo e profissional, e não político. Ele também expressou decepção com a forma como o debate se desenvolveu em torno de sua candidatura.
Para Maldini e Leonardo, a decisão representou um desafio fundamental à autoridade que acreditavam ter recebido ao aceitar seus novos cargos.
Frente unida desmorona em dias
A velocidade do colapso é particularmente impressionante porque a FIGC havia apresentado publicamente sua nova estrutura de liderança apenas dias antes.
Em uma reunião da Lega Serie A em 24 de julho, Malagò esteve ao lado de Maldini e Leonardo e falou sobre a unidade por trás de seus planos.
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“Há um alinhamento completo entre mim, Maldini e Leonardo”, disse Malagò no relato oficial da FIGC sobre a apresentação. “Compartilharemos todas as tomadas de decisão.”
Maldini também disse na apresentação que o projeto era ambicioso, mas empolgante. Ele explicou que a recém-criada posição de diretor técnico tinha como objetivo estabelecer uma identidade futebolística reconhecível tanto na seleção principal quanto nas equipes juvenis da Itália.
Três dias depois, ele e Leonardo haviam partido.
Presidente da Serie A confirma saída de Maldini
Ezio Maria Simonelli, presidente da Lega Serie A, confirmou que Maldini havia escolhido Pirlo e expressou pesar pela saída do ex-defensor.
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“Maldini havia escolhido Pirlo, mas ele não será o treinador”, disse Simonelli.
Ele acrescentou que Maldini havia sido uma nomeação valiosa e que ele teria preferido que ele permanecesse envolvido para o benefício geral do futebol italiano.
As renúncias deixam Malagò sem os dois homens que deveriam definir a nova direção técnica da FIGC. Elas também deixam a busca por um treinador para a Itália sem solução, já que Pirlo nunca havia assinado formalmente um contrato.
Mancini surge como o principal candidato
Roberto Mancini agora voltou à frente da corrida para se tornar o próximo treinador principal da Itália.
A Sky Sport Italia informou que Malagò havia se encontrado anteriormente com Mancini no final de maio e inicialmente o considerava a opção preferida. O ex-treinador do Manchester City também teria contatado Lele Oriali sobre a possibilidade de retornar como gerente da equipe da Itália.
Mancini levou a Itália ao título do Campeonato Europeu em 2021 antes de deixar a seleção nacional em 2023. Sua saída anterior foi controversa, mas sua experiência internacional e familiaridade com a federação o tornam uma opção óbvia durante um período de instabilidade.
Antonio Conte permanece outro possível candidato, embora a Sky tenha informado que ele não havia sido contatado formalmente até 27 de julho. Giorgio Chiellini também foi mencionado como um possível substituto para Maldini na função de diretor técnico.
Um projeto de reconstrução termina antes de começar
O Conselho Federal da FIGC está programado para se reunir em 28 de julho, com a busca por um treinador e a futura estrutura técnica dominando as discussões.
Maldini e Leonardo haviam sido nomeados para um mandato de quatro anos, projetado para levar o futebol italiano através da Euro 2028 e em direção à Copa do Mundo de 2030. O anúncio original da nomeação da FIGC os descreveu como figuras centrais em uma reformulação de longo prazo do programa nacional.
Em vez disso, a parceria durou pouco mais de duas semanas.
A Itália agora deve encontrar um treinador nacional, nomear outro líder técnico e explicar como um projeto introduzido como um novo começo histórico se desintegrou apenas dias após sua primeira apresentação pública.



