A revolta na FIFA não abrandou.
A condenação de Infantino por parte da Concacaf, divulgada no dia seguinte ao abandono do plano de venda de uma participação no Mundial, continuou a repercutir-se na batalha pela governação, juntando-se à UEFA e à Confederação Asiática de Futebol na oposição ao plano.
«Este recente ato unilateral e flagrante de má governação e liderança segue um padrão de erros e de comportamentos semelhantes», afirmou a Concacaf num comunicado emitido no sábado.
O veredito sobre a presidência foi invulgarmente contundente:
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«É imperativo um ajuste de contas abrangente com esta presidência.» E sobre o que se deve seguir: «Um dever de serviço acima do poder. Onde esse dever não for cumprido, a prestação de contas não pode ser opcional.»
O que a Concacaf está a pedir
A Concacaf não pediu publicamente a demissão de Infantino. O comunicado exigiu antes uma responsabilização estrutural: a proposta, disse a confederação, tinha avançado «fora de qualquer quadro de governação estabelecido, sem transparência, consulta ou processo justo».
A FIFA já dispõe de «vastas reservas», acrescentou, e esses fundos deviam ser aplicados no futebol.
O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é vice-presidente da FIFA e um dos nomes mais frequentemente apontados como potencial candidato nas eleições presidenciais, marcadas para 19 de março de 2027, em Rabat, Marrocos. As candidaturas encerram a 18 de novembro.
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A UEFA foi mais longe
Enquanto a Concacaf exigiu um ajuste de contas, a UEFA questionou se Infantino deve manter-se no cargo.
O seu executivo afirmou que «nenhuma opção deve ser posta de parte» e que a liderança da FIFA «não perdeu apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol», de acordo com o comunicado emitido a par da condenação do plano.
«Não podemos continuar assim, com esquemas secretos em prazos apertados, arquitetados por figuras sem rosto e de duvidoso benefício para o futebol», acrescentou a UEFA.
A Confederação Asiática de Futebol classificou o plano de investimento como «totalmente inaceitável» e exigiu uma revisão urgente da governação da FIFA.
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O plano que se desmoronou numa semana
A proposta de Infantino assentava na FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária comercial que teria absorvido a gestão do Mundial e do Mundial de Clubes.
A FIFA procurava vender uma participação de cerca de 20 por cento a investidores privados, avaliando a entidade em 20 mil milhões de dólares e captando até 4,2 mil milhões de dólares. O investidor âncora era uma empresa de Nova Iorque lançada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner.
O plano ruiu ao final da noite de sexta-feira, depois de o principal conselheiro de Infantino, Carlos Cordeiro, se ter demitido em protesto e o ter classificado como «um mau negócio para o futebol».
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, afirmou que os funcionários tinham sido «enganados» e que era chegada a hora de os líderes políticos do futebol «se fazerem as perguntas certas e tomarem as decisões certas».
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Ao anunciar a retirada da proposta, Infantino afirmou que o projeto tinha «criado divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não servem o interesse do objetivo inicialmente traçado».
«Uma proposta desta magnitude não chega a esse ponto por acaso», sublinhou a Concacaf. «É um sintoma de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar.»
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