A administração Trump entrou abertamente numa disputa pela presidência da FIFA que até agora estava contida nos gabinetes de governação do futebol, ligando Washington diretamente a Gianni Infantino no momento em que os seus opositores dentro da modalidade endurecem a posição.
Em uma entrevista ao The Athletic publicada em meados de agosto, Andrew Giuliani, diretor executivo do Grupo de Trabalho da Casa Branca para o Mundial 2026 da FIFA, afirmou que os críticos de Infantino são movidos pela inveja.
«As pessoas têm inveja quando estão perante quem alcança muito, e o que Gianni Infantino fez pela FIFA foi levá-la a um nível completamente novo que provavelmente não pensavam ser possível», disse Giuliani ao órgão de comunicação.
Foi mais longe quanto à própria votação, avisando que qualquer presidente de confederação ou de federação que se movesse contra Infantino iria arrepender-se.
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«Para qualquer presidente de confederação de futebol ou de federação de futebol que esteja a pensar em não votar em Gianni Infantino, seria provavelmente uma das decisões mais insensatas da sua vida profissional», afirmou Giuliani, segundo a Sports Illustrated.
«Se Gianni Infantino não for reeleito por unanimidade, então quem votou contra ele precisa de examinar a cabeça.»
Apresentou a campanha contra Infantino como politicamente motivada, traçando um paralelo com o tratamento dado a Donald Trump, que o nomeou para liderar o grupo de trabalho para o Mundial em maio de 2025.
O que desencadeou a revolta
A crise eclodiu em torno do plano de Infantino para vender cerca de 20% da FIFA Forward Enterprise, uma nova entidade criada para gerir as operações comerciais do organismo, tendo Joshua Kushner, irmão do genro de Trump, Jared Kushner, entre os investidores propostos. Infantino abandonou a proposta no final de julho, após a reação negativa, mas o recuo não restaurou o seu apoio.
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Em 10 de agosto, a UEFA, a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol emitiram um comunicado conjunto a acusar Infantino de quebrar a confiança através de engano. As federações de futebol de Inglaterra, País de Gales, República da Irlanda e Nova Zelândia também já afirmaram que não o vão apoiar.
Os órgãos de governação não entregam os votos dos seus membros. Cada uma das 211 federações da FIFA emite um voto individual no Congresso, pelo que a oposição pública das confederações é um problema político para Infantino, e não um bloco fixo de votos contra ele.
Ceferin avisa da chegada de um candidato
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, tornou-se a voz institucional mais ruidosa contra Infantino, embora tenha fechado a porta à sua própria candidatura. Falando no podcast The Rest Is Politics: Leading, divulgado em 24 de agosto, Ceferin expôs para onde acredita que a disputa se encaminha.
«Uma opção é que perceba que não tem o apoio. E a segunda opção é que avance para as eleições em março, mas, nesse caso, penso que terá um candidato contra si», disse Ceferin.
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Nenhum candidato formal apresentou ainda a candidatura. Os nomes que circulam nas notícias incluem o presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, o presidente da AFC, Sheikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, e o presidente da CAF, Patrice Motsepe, embora Motsepe tenha apoiado publicamente Infantino. O presidente do Paris Saint-Germain e da Associação Europeia de Clubes, Nasser al-Khelaifi, cujo nome foi lançado por várias federações da UEFA, afastou a hipótese.
Votação em Rabat marcada para 18 de março
O Congresso da FIFA vota para eleger o seu presidente em 18 de março de 2027, em Rabat. O prazo para os candidatos apresentarem as suas candidaturas termina em 18 de novembro de 2026, deixando aos opositores de Infantino menos de três meses para se unirem em torno de um nome.
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