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A Federação Internacional de Judo volta a receber os atletas russos

A Rússia recupera a bandeira e o hino

Segundo a AFP, no artigo do The Moscow Times sobre esta decisão, a Federação Internacional de Judo votou a favor de permitir que os atletas russos voltem a competir com os seus símbolos nacionais. A entidade também confirmou a mudança no seu próprio texto, “O desporto, a última ponte para a reconciliação e a paz”, onde indicou que a medida entrará em vigor a partir do Grand Slam de Abu Dhabi de 2025.

Isso põe fim ao estatuto neutro sob o qual os judocas russos competiam desde as consequências internacionais, no mundo do desporto, da invasão russa da Ucrânia em 2022. Na formulação divulgada pela AFP e também reproduzida pela IJF, a federação afirmou que o seu comité executivo votou para permitir novamente que os atletas russos compitam sob a sua bandeira nacional, com hino e insígnias, a partir desse torneio em Abu Dhabi. Não se trata de um alívio parcial das restrições, mas sim de uma reposição completa da representação nacional visível dentro da modalidade.

Moscou vê na decisão uma vitória simbólica

A decisão foi recebida de forma positiva na Rússia, onde o judo tem um peso político e simbólico que vai além do desporto. Segundo a AFP, no mesmo artigo do The Moscow Times, o ministro do Desporto, Mikhail Degtyarev, descreveu o judo como um dos desportos preferidos do país e chamou-lhe “um desporto presidencial”, numa referência direta à longa associação pública de Vladimir Putin com a modalidade.

Sergei Soloveychik, presidente da Federação Russa de Judo, também classificou a decisão como “histórica” e apresentou-a como um passo importante rumo a uma reintegração mais ampla na competição internacional. Essa reação não reflete apenas satisfação com uma mudança regulamentar. Na Rússia, o judo tem sido tratado há anos como parte de uma imagem nacional mais ampla, o que ajuda a explicar por que razão o regresso da bandeira e do hino foi interpretado como algo mais importante do que uma simples decisão técnica de uma federação.

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Uma mudança que vai além do judo

A IJF explicou que a sua decisão surgiu depois de ter restabelecido também a representação nacional plena dos atletas bielorrussos. No seu próprio comunicado oficial, a federação sustentou que agora é apropriado permitir a participação dos atletas russos “em condições de igualdade” e acrescentou que o regresso da Rússia reforçará a competitividade no judo mundial.

Isso coloca o judo entre as modalidades em que algumas federações internacionais começaram a avançar mais depressa do que o sistema olímpico na readmissão de atletas russos e bielorrussos. Ainda assim, as restrições mais amplas não desapareceram. Na decisão do COI sobre as rigorosas condições de elegibilidade para Paris 2024, o organismo olímpico indicou que os atletas russos e bielorrussos só poderiam competir como atletas neutros individuais e sob exigências bastante rigorosas.

Esse contraste chama a atenção porque mostra até que ponto o panorama desportivo internacional se tornou fragmentado. Enquanto algumas federações voltam a abrir a porta ao uso de símbolos nacionais, o COI tem mantido uma linha bem mais restritiva.

Abu Dhabi será o primeiro teste concreto

A federação defendeu a sua posição com o argumento de que os atletas não devem ser punidos pelas decisões tomadas pelos seus governos. No artigo da IJF já referido, a organização afirmou que o desporto é a última ponte que une pessoas e nações em situações de conflito muito difíceis, acrescentando que os desportistas não são responsáveis pelas decisões dos governos.

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Esse raciocínio já apareceu outras vezes no debate internacional sobre governação desportiva, mas neste caso ele produz consequências imediatas e bastante visíveis. O primeiro teste concreto desta nova política acontecerá no Grand Slam de Abu Dhabi, o evento que a própria IJF identificou como ponto de partida para a reintegração. O que acontecer ali terá importância para além do judo, porque outras federações, atletas e comités nacionais estarão a observar se este caso ficará como uma exceção ou se antecipa um regresso mais amplo da Rússia ao desporto internacional.

Fontes: AFP através do artigo do The Moscow Times, o artigo da IJF “O desporto, a última ponte para a reconciliação e a paz” e o artigo do COI “Rigorosas condições de elegibilidade aprovadas pelo Comité Executivo do COI para atletas neutros individuais nos Jogos Olímpicos Paris 2024”.

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