Lamine Yamal

Lamine Yamal: “Vejo-me muito melhor do que as pessoas me veem”

Lamine Yamal, estrela em ascensão aos 18 anos, exprime forte autoconfiança, aborda a sua formação futebolística única e reflete sobre os custos da fama e os …

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Confiança sem desculpas

Lamine Yamal ainda tem apenas 18 anos, mas fala com a certeza de um jogador que já aprendeu a rapidez com que o futebol pode mudar uma vida.

Nascido em Rocafonda, perto de Barcelona, de pai marroquino e mãe guineense-equatoriana, o avançado espanhol passou do futebol de rua para o palco do Campeonato do Mundo com uma velocidade incomum. A sua ascensão tornou-o um dos rostos da campanha da Espanha nos Estados Unidos, México e Canadá.

De acordo com Juan I. Irigoyen e David Álvarez na entrevista do EL PAÍS com Lamine Yamal, Yamal não se sente desconfortável com a confiança que o rodeia. Ele vê-la como necessária, e não como arrogância.

“Vejo-me muito melhor do que as pessoas me veem”, disse Yamal. “Sei que o caminho pela frente é longo e tenho muitas coisas a melhorar.”

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Essa mistura de autoconfiança e realismo já se manifestou no torneio da Espanha. Após a deceção de um empate em 0-0 contra Cabo Verde no jogo de abertura, Yamal marcou o golo inaugural na vitória por 4-0 sobre a Arábia Saudita.

A rua e a academia

O futebol de Yamal sempre teve duas influências. Uma é a estrutura da academia do Barcelona. A outra é o jogo de rua com que cresceu, onde a improvisação importava tanto quanto a instrução.

Ele acredita que essa combinação o moldou.

“Quando jogava na rua, era assim: quem marcasse dois golos ganhava, e o outro estava fora”, disse Yamal. “Então, era sobre ser astuto, não sei, apenas divertir-me.”

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Essa formação explica parte do seu apelo. Yamal joga com a disciplina de um jogador de academia moderno, mas os seus melhores momentos ainda têm a imprevisibilidade de um jogador que aprendeu a resolver problemas sem que lhe dissessem exatamente como.

Ele também deixou claro que sente falta de um certo tipo de futebolista. Mencionou jogadores como Neymar, Isco, Karim Benzema, Vinícius Júnior e Rayan Cherki como o tipo de figuras que o fazem querer assistir a jogos.

Um futuro no meio-campo

Por enquanto, Yamal é principalmente um extremo. Ele estica as defesas, impulsiona o ataque da Espanha e atrai marcadores onde quer que receba a bola.

Mas ele não acredita que essa será a sua posição final.

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“Sei que terei três jogadores em cima de mim”, disse ele. “Pelo menos três, sempre três. Se tiver sorte, dois. Mas um contra um, nunca, nunca, nunca.”

É por isso que ele já imagina mover-se para o centro mais tarde na sua carreira.

“Com o tempo, acabarei lá, porque na ala é muito fácil marcar-me com três, mas no meio eles não conseguem fazer isso”, disse Yamal.

É uma resposta notável de um adolescente. Ele não está apenas a pensar em como joga agora, mas em como os adversários tentarão pará-lo nos próximos anos.

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O custo da fama

A ascensão de Yamal também veio com a perda de uma vida normal. Ele diz que percebeu pela primeira vez que estava a ficar famoso aos 13 anos, quando um rapaz o reconheceu num parque como “o miúdo do Barça”.

Agora, os limites são mais claros. Coisas simples como ir tomar uma bebida, fazer compras no centro de Barcelona ou sentar-se num café tornaram-se difíceis.

“Acho que trocaria muito do que temos apenas para ser uma pessoa livre”, disse Yamal.

É uma das frases mais reveladoras da entrevista. Yamal desfruta do que o seu talento lhe deu e é aberto sobre querer desfrutar do sucesso que conquistou. Mas ele também entende que a fama lhe tirou algo.

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Os seus pais continuam a ser centrais para essa perspetiva. Ele falou emocionalmente sobre os sacrifícios que fizeram para lhe dar uma oportunidade no futebol, dizendo que nunca conseguirá retribuir-lhes.

Sem pressa para coroar um campeão

Yamal também usou a entrevista para refutar conclusões precipitadas sobre o Campeonato do Mundo.

Após o início lento da Espanha, ele sentiu que a reação se tinha tornado demasiado dramática e rápida. Argumentou que jornalistas e observadores estavam a tentar decidir o torneio antes que este se desenvolvesse adequadamente.

“Que os jornalistas têm muita pressa em terminar o seu trabalho”, disse Yamal. “É apenas a primeira ronda. A Espanha empatou, Portugal empatou, a Argentina venceu por 3-0. A França venceu por 3-1. E vocês já pensam que a final será França vs. Argentina? Não entendo.”

O seu ponto era simples. O Campeonato do Mundo não será decidido pelas primeiras impressões.

“Até 19 de julho, não saberão quem vai ganhar, e vocês querem saber hoje”, disse ele.

Para a Espanha, essa paciência pode ser importante. O empate com Cabo Verde levantou questões, mas a resposta contra a Arábia Saudita mostrou a qualidade do plantel de Luis de la Fuente.

Yamal já é um dos jogadores esperados para responder a essas perguntas. Aos 18 anos, ele carrega uma pressão que a maioria dos futebolistas nunca experimenta. A diferença é que ele parece recebê-la de bom grado.

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