O príncipe Ali bin Al Hussein levou a campanha contra Gianni Infantino a um novo patamar, acusando dirigentes da FIFA de chantagem pela forma como procuraram obter o seu apoio a um novo mandato do presidente da FIFA.
O presidente da Federação Jordana de Futebol afirmou que o organismo dirigente sugeriu verbalmente que apoiar publicamente Infantino «seria uma grande ajuda para a nossa federação» na resolução de um conjunto de litígios por resolver, desde dinheiro de torneios ainda por pagar até a uma dívida fiscal nos Estados Unidos.
«Orgulhamo-nos, na Jordânia, de defender valores éticos. Não o apoiámos antes e certamente não o apoiaremos agora», escreveu o príncipe Ali numa publicação no X, citada pela Al Jazeera.
«Mas toda esta situação equivale a chantagem e recusamo-nos a ceder a isso.»
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O príncipe Ali é antigo vice-presidente da FIFA e uma das poucas figuras de topo dentro do futebol ainda disposta a apontar publicamente o dedo a Infantino.
Reunião sob pressão em Marrocos
Infantino convocou altos responsáveis da FIFA para conversações em Rabat, noticiou o The National.
O encontro surge dias depois de ter sido obrigado a abandonar o seu projeto comercial de referência, sob a ameaça de um boicote europeu ao Mundial.
O plano passava por escindir uma subsidiária, a FIFA Forward Enterprise (FFE), e vender cerca de 20 por cento do capital a investidores privados.
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A empresa foi avaliada internamente em cerca de 20 mil milhões de dólares, com a FIFA a esperar captar até 4,2 mil milhões de dólares, noticiou a ESPN.
Os 55 membros da UEFA votaram, a 30 de julho, o boicote a todas as competições da FIFA, incluindo o Mundial 2030, caso a venda avançasse, uma ameaça que teria deixado a atual campeã do mundo, a Espanha, e outras seleções europeias de fora da próxima edição. Infantino retirou o plano em poucos dias.
Dinheiro por pagar e jogadores taxados
As queixas do príncipe Ali são tanto financeiras como políticas. Disse que os jogadores e o staff da Jordânia ainda não receberam o prémio devido por terem chegado à final da Taça Árabe da FIFA, no Qatar, em dezembro de 2025.
«O dinheiro que a nossa equipa deveria receber por ter chegado à final ainda não foi entregue, enquanto, ao mesmo tempo, a FIFA se gaba dos milhares de milhões que tem em reserva», afirmou.
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Acusou ainda a FIFA de deixar as obrigações fiscais nos Estados Unidos corroer os ganhos da Jordânia com o Mundial 2026, ao passo que as seleções sediadas no Canadá e no México as evitaram.
«Estamos a ser taxados pelo governo norte-americano, através da FIFA, pela nossa participação», disse o príncipe Ali. «Dinheiro que deveria ir para os jogadores e para o staff.»
Os adeptos, acrescentou, pagaram preços altos pelos bilhetes apenas para verem recusados os vistos para o Mundial.
Base de apoio estreita-se antes da votação de março
Cinco federações europeias retiraram formalmente o apoio a Infantino antes do Congresso da FIFA em Marrocos, em março de 2027, com a Inglaterra à cabeça. País de Gales, Suécia, Finlândia e Sérvia deram o mesmo passo.
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Dinamarca, Noruega e Alemanha nem sequer chegaram a assinar a carta inicial de apoio a um novo mandato. Em sentido contrário, Marrocos, Egito, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Sri Lanka mantiveram publicamente o seu apoio.
A tarefa imediata de Infantino é evitar um Congresso Extraordinário. Esse mecanismo é acionado caso 43 federações membros o solicitem formalmente, e permitiria reabrir o seu mandato antes da eleição prevista.
Também o ambiente dentro da FIFA mudou. Num email para os funcionários divulgado à Sky News, o secretário-geral Mattias Grafstrom descreveu o episódio da FFE como «uma triste e reprovável série de acontecimentos», uma crítica notável a Infantino vinda do seu próprio principal administrador.
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