O presidente português elogiou este notável desempenho desportivo após a conquista de três medalhas de ouro pelo seu país no Campeonato Mundial de Remo Sub-23, que decorreu em Duisburgo.
João Veloso, Diogo Gonçalves, Pedro Rodrigues e Tomás Neves regressaram da Alemanha como campeões mundiais e transformaram um fim de semana que já se anunciava promissor num sucesso sem precedentes para o remo português.
Este sucesso suscitou uma reação oficial por parte de António José Seguro, eleito presidente de Portugal em março.
De acordo com o comunicado divulgado pela Presidência portuguesa do Conselho, Seguro classificou estes resultados como um marco histórico e como «um dos maiores sucessos de sempre» do remo português.
O presidente proclama um momento de orgulho nacional
O Sr. Seguro felicitou os quatro atletas, os seus treinadores, a Federação Portuguesa de Remo e os clubes que contribuíram para a sua formação.
O presidente afirmou que estas vitórias constituíam «um grande motivo de orgulho para todo o povo português» e que demonstravam o que é possível alcançar graças ao talento, à perseverança e a uma excelente preparação.
Além disso, apresentou este sucesso como um exemplo a seguir pelas gerações mais jovens e salientou que estes resultados reforçaram o prestígio internacional de Portugal numa modalidade desportiva em que o país tem frequentemente dificuldade em competir com as grandes potências do remo.
Esta mensagem revestia-se de grande importância, pois não se tratava simplesmente de mais um concurso de jovens talentos que tivesse sido um verdadeiro sucesso.
Leia também: Neymar nega 'mentiras maliciosas' sobre suposto abuso no vestiário do Santos
Portugal nunca tinha conquistado uma medalha de ouro nos Campeonatos Mundiais de Remo Sub-23. No final do fim de semana, já contava com três.
A primeira medalha de ouro abre caminho
Foram Pedro Rodrigues e Tomás Neves que conseguiram a primeira grande conquista na prova de duplas masculinas.
Graças à vitória de sábado, Portugal conquistou o primeiro título mundial da história da competição sub-23, o que o tornou imediatamente um pioneiro deste programa nacional.
O dia seguinte reservou-nos uma surpresa ainda maior.
Leia também: LeBron aceita corte salarial impressionante em busca do quinto título da NBA
Tal como descrito em pormenor no artigo do «Diário de Notícias» dedicado aos resultados de Portugal, Veloso venceu a prova na categoria de skiff individual masculino de peso leve, antes de Gonçalves se impor na categoria de skiff individual masculino (categoria de peso livre).
No espaço de um único fim de semana, Portugal passou de zero para três títulos mundiais de remo na categoria sub-23.
Veloso vence após uma final emocionante
A final da categoria de pesos-leves em Veloso foi decidida por uma diferença de menos de um segundo.
O remador português percorreu os 2 000 metros em 6 minutos e 59,96 segundos. O grego Angelos Athanasiadis Kaoudis cruzou a linha de chegada apenas 0,66 segundos atrás dele, enquanto Artem Matussevich, do Cazaquistão, conquistou a medalha de bronze com um tempo de 7 minutos e 1,56 segundos.
Devido a esta vantagem mínima, Veloso não conseguiu relaxar até ao último lance.
A sua vitória não foi totalmente inesperada. A World Rowing já o tinha apontado como um dos favoritos antes do campeonato, depois de ele ter vencido a primeira prova da Taça do Mundo da época, em Sevilha.
No entanto, Veloso teve de lidar com a pressão de participar na competição como favorito, num grupo de participantes que incluía vários candidatos internacionais com grandes hipóteses de conquistar medalhas.
Gonçalves dá uma resposta convincente
Gonçalves voltou a impor-se com uma vitória ainda mais esmagadora na prova individual sem limite de peso.
Leia também: Macron entra na corrida pelos 13 milhões de euros para o jovem prodígio francês do Tour
Ele cruzou a linha de chegada em 6 minutos e 54,18 segundos, o que lhe permitiu superar por quase quatro segundos o grego Nikolaos Cholopoulos, medalhista de prata. O dinamarquês August Wisholm conquistou a medalha de bronze, a apenas seis centésimos de segundo de Cholopoulos.
Este resultado representou um avanço significativo para Gonçalves, que tinha conquistado a medalha de bronze na mesma modalidade nos anteriores Campeonatos Mundiais Sub-23.
Em vez de se contentar em voltar ao pódio, subiu com determinação até ao topo.
Além disso, o seu sucesso veio coroar uma série extraordinária, durante a qual todas as equipas portuguesas que conquistaram o ouro faziam parte do mesmo grupo de treino, muito unido.
Quatro amigos que vivem e treinam juntos
As bases para este fim de semana histórico tinham sido lançadas muito antes da chegada dos atletas a Duisburgo.
Veloso, Gonçalves, Rodrigues e Neves treinam juntos em Montemor-o-Velho e partilham uma casa em Coimbra. A relação entre eles criou um ambiente particularmente competitivo, no qual os quatro se motivam mutuamente e constantemente para darem o melhor de si.
Numa reportagem da «World Rowing» dedicada à jovem seleção nacional portuguesa, Veloso explicou que, nas provas de seleção nacionais, apenas três segundos separavam os quatro atletas.
«Todos se mostraram solidários, ninguém foi deixado de lado, todos deram uma ajuda», afirmou ele.
Neves também atribuiu os seus progressos ao ambiente que reinava no seio do grupo.
«Somos exigentes connosco próprios e incentivamo-nos mutuamente a melhorar, e penso que é isso que está a dar frutos», afirmou ele.
Essas declarações revelaram-se proféticas. Menos de dois meses depois, os quatro tinham-se proclamado campeões do mundo.
O remo tem dificuldade em ganhar espaço num país onde o futebol ocupa um lugar preponderante
O sucesso de Portugal é ainda mais notável, uma vez que o remo desempenha um papel relativamente secundário no panorama desportivo do país.
O futebol monopoliza a atenção dos meios de comunicação social, os patrocínios e o interesse do público, enquanto desportos como o remo contam com menos praticantes e beneficiam de um apoio financeiro significativamente menor.
Rodrigues já tinha reconhecido esse facto antes dos campeonatos.
«Em Portugal, não temos muitos remadores. O nosso desporto principal é o futebol, e o remo não é um desporto de grande relevância», explicou ele à World Rowing.
Estes quatro desportistas iniciaram-se neste desporto por caminhos diferentes e, em alguns casos, por acaso. Gonçalves dedicou-se ao remo depois de perceber que não tinha o talento necessário para o futebol, enquanto Rodrigues foi incentivado por um amigo a experimentar esta modalidade.
Graças a estes três títulos mundiais, a federação portuguesa tem agora a oportunidade de atrair mais atenção, recrutar mais participantes e obter um maior apoio financeiro.
O sonho olímpico está cada vez mais próximo
Além disso, esta vitória em Duisburgo reforça as esperanças de Portugal com vista aos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles.
Os quatro atletas já se pronunciaram sobre a sua qualificação para os Jogos Olímpicos. Os seus resultados frente a adversários internacionais levam a crer que esse objetivo já não é apenas um sonho.
A World Rowing classificou o Campeonato Sub-23 como a principal competição anual para jovens remadores e como uma importante ponte entre o remo júnior e o remo internacional sénior. Mais de 600 atletas de 49 países participaram na edição de 2026.
Portugal nunca conquistou uma medalha olímpica no remo.
Esta história representa um fardo pesado para cada nova geração, mas os resultados obtidos pela Alemanha mostram claramente que a diferença em relação aos programas mais bem-sucedidos do mundo está a diminuir.
Uma pequena delegação consegue um resultado extraordinário
A Grécia e os Estados Unidos lideraram o quadro geral de medalhas, com quatro medalhas de ouro cada um.
Portugal estava apenas a um título de distância deles, apesar de não dispor nem do mesmo leque de jogadores nem dos mesmos recursos que esses programas de maior dimensão.
A reação da presidência foi, portanto, mais além da habitual mensagem de felicitações publicada após a conquista de uma medalha internacional.
Seguro descreveu este fim de semana como uma prova da qualidade e da ambição que se foram forjando no remo português ao longo dos anos.
Quatro atletas participaram nos campeonatos, representando as esperanças de uma comunidade desportiva relativamente pequena.
Regressaram com três medalhas de ouro, três primeiros lugares para o seu país e a atenção do novo presidente português.



