Horas depois de o jogador de 41 anos ter posto fim imediato aos seus 23 anos de carreira internacional, na quinta-feira, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) emitiu um comunicado a partir da Cidade do Futebol, em Oeiras, que soou menos a nota à imprensa e mais a carta dirigida ao seu «capitão eterno».
A FPF recusou-se a deixar que a despedida ficasse apenas numa publicação do jogador nas redes sociais, comprometendo-se a organizar e a colaborar ativamente num evento para que os adeptos e o país pudessem saudar o jogador mais uma vez.
«A Federação Portuguesa de Futebol recusa-se a permitir que esta despedida aconteça sem uma homenagem à altura», lia-se no comunicado.
A dimensão daquilo que a FPF se propõe assinalar é a espinha dorsal de qualquer palmarés português: um recorde de 146 golos internacionais em 234 internacionalizações.
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Capitão eterno, não jogador retirado
As palavras são cuidadosas. Cristiano Ronaldo é descrito, do princípio ao fim, como o «capitão eterno», agradecido menos pelas estatísticas do que por ser «um líder inspirador» e um exemplo para as gerações mais novas.
A frase de fecho soa, por um lado, a adeus e, por outro, a convite em aberto: «Obrigado por tudo, capitão, esta será sempre a tua casa, sigamos rumo à meta dos 1000.»
Esse número final não é retórica vã. Ronaldo continua contratado pelo Al-Nassr, na Arábia Saudita, e soma 985 golos de carreira entre clube e seleção, a 15 de um marco que persegue abertamente há anos.
O desfecho por trás da despedida
A própria retirada surgiu numa longa publicação no Instagram, na quinta-feira, em que Ronaldo leu uma carta aos adeptos.
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«Hoje termino o meu percurso em campo com a seleção nacional. Saio de cabeça erguida, com orgulho no caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal», escreveu.
«Portugal fará sempre parte de mim.»
O anúncio surgiu após um diferendo prolongado com o treinador de Portugal, Jorge Jesus. O último jogo de Ronaldo foi uma vitória por 1-0 sobre o País de Gales, a 24 de setembro; foi depois suplente não utilizado na vitória por 2-1 frente à Noruega e, ao saber que não seria titular contra a Dinamarca, abandonou o estágio a 30 de setembro. A FPF aplicou-lhe depois uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros pela saída.
Em outubro, antes de a retirada ser anunciada, Jesus disse aos jornalistas que Ronaldo continuaria a ser bem-vindo se quisesse regressar. Segundo a imprensa portuguesa, Ronaldo informou o presidente da FPF, Pedro Proença, da sua decisão antes da publicação de quinta-feira, mas não informou Jesus.
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Uma homenagem sem data
A FPF ainda não definiu data, local nem formato para a homenagem. O comunicado compromete-se apenas a organizar o que chamou «uma homenagem à altura» a um jogador a quem continua a chamar capitão, não antigo capitão.
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