Chris Johnson não chegou ao ponto de culpar o futebol americano pela sua ELA, mas já não finge que a pergunta pode ser ignorada.
Numa carta publicada no The Players’ Tribune e dirigida aos seus quatro filhos, o antigo running back dos Tennessee Titans escreve que a reação que agora recebe dos especialistas é impossível de ignorar.
«Já consultei muitos neurologistas a esta altura e passei praticamente por todas as principais clínicas de ELA do país e, pela minha experiência, assim que se diz que se jogou futebol americano é logo: “Ahh, OK”.»
Cita um estudo segundo o qual os antigos jogadores da NFL tinham quase quatro vezes mais probabilidades de desenvolver e morrer de ELA do que a população masculina dos Estados Unidos em geral, descrevendo o resultado como um choque, ao mesmo tempo que ressalva que não é «especialista» e que outros fatores ambientais podem estar envolvidos.
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«Não consigo deixar de me perguntar se existe alguma ligação entre a minha carreira e o ponto em que estou agora», escreve Johnson.
Das 2006 jardas ao diagnóstico
Johnson revelou o diagnóstico a 29 de junho numa entrevista gravada com Michael Strahan no Good Morning America da ABC. Disse à cadeia que tinha sido diagnosticado em 2025, aos 39 anos, e que os médicos classificaram o seu caso como ELA esporádica, a forma que corresponde à grande maioria dos casos.
O primeiro sinal foi a fraqueza na mão direita. Perdeu a força de aperto e depois vieram a fala e a mobilidade. Comunica agora através de um dispositivo gerador de fala acionado pelos olhos e programado com uma gravação da sua própria voz.
Apelidado de CJ2K depois da época de 2006 jardas corridas em 2009, Johnson foi Jogador Ofensivo do Ano da NFL nessa época e estabeleceu o recorde da liga numa única época com 2509 jardas totais de ataque. Ao longo de 10 épocas na NFL pelos Tennessee, New York Jets e Arizona Cardinals, foi convocado para três Pro Bowls e terminou com 9651 jardas corridas e 55 touchdowns terrestres, segundo os Titans.
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A longa sombra neurológica da NFL
A esclerose lateral amiotrófica, muitas vezes chamada doença de Lou Gehrig, em homenagem ao primeira-base dos New York Yankees que morreu com esta doença em 1941, ataca os neurónios motores que controlam o movimento muscular voluntário. Não tem cura.
A ligação do futebol americano à doença neurológica é disputada em tribunais e em revistas científicas há mais de uma década, sobretudo em torno da encefalopatia traumática crónica. A vertente da ELA é menos compreendida, mas o estudo a que Johnson se refere voltou a colocá-la em foco, e o seu nome pesa. A sua época de 2009 continua a ser a referência com que os outros running backs são comparados.
Johnson está bem longe de emitir um veredicto. Assinala na carta que «qualquer pessoa pode ter ELA» e que um único estudo não é prova.
Ainda aqui
«Quero que as pessoas saibam que continuo a ser eu», disse Johnson na entrevista com Strahan. «A ELA mudou aquilo que o meu corpo consegue fazer, mas não mudou quem eu sou.»
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Na carta, Johnson escreve que, nas semanas que se seguiram ao momento em que tornou o diagnóstico público, viu amigos e antigos companheiros trazerem de volta o Ice Bucket Challenge, a campanha de angariação de fundos para a ELA que se tornou viral em 2014.
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