Aurelio De Laurentiis não é homem de subtilezas. De microfone na mão em Roma, numa cerimónia em honra da sua carreira no futebol, o presidente do Napoli usou-o para admitir, em público, que tinha sido dissuadido de guardar rancor a Gianni Infantino.
«Queria dar um tiro em Infantino; mas quando vi como tinha organizado tudo, disse: ‘Não, tiro o chapéu, tenho de dizer parabéns’», afirmou De Laurentiis à Associação da Imprensa Estrangeira na quarta-feira, segundo o relato da cerimónia feito pela agência Reuters.
O plano que acendeu o rastilho
O motivo concreto foi a proposta que Infantino apresentou no verão para transferir os direitos comerciais dos futuros Mundiais e do Mundial de Clubes para uma nova subsidiária, a FIFA Forward Enterprise, e abrir o capital a investidores privados liderados pela Thrive Capital, de Joshua Kushner, numa estrutura avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares. A UEFA respondeu boicotando a reunião da FIFA em que o plano foi apresentado, classificando-o como «irresponsável e indefensável» e avisando que as federações membros iriam boicotar as competições da FIFA se a proposta não fosse totalmente abandonada.
O plano foi entretanto abandonado, noticiou a Al Jazeera este mês, mas as consequências diplomáticas não desapareceram com ele. A UEFA está a preparar uma queixa-crime contra Infantino na Suíça e pediu a um tribunal federal norte-americano na Florida documentos da FIFA para usar no processo.
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De Laurentiis não recuou quanto ao plano comercial em si. O que suavizou foi a fúria pessoal, e apenas depois de ter assistido ao torneio nos Estados Unidos.
Um elogio incómodo
«Infantino é alguém que faz o seu trabalho a partir do seu ponto de vista. Se a um antigo secretário é depois permitido, quando se torna presidente, fazer certas coisas e viajar pelo mundo com o emblema da FIFA, encontrando-se com Trump, com Putin, com toda a gente, o que é que lhe havemos de dizer?»
Reeleição em Rabat
Infantino anunciou que se recandidatará a mais um mandato. O congresso eleitoral da FIFA está marcado para 18 de março de 2027 em Rabat, Marrocos, e as candidaturas devem ser formalizadas até 18 de novembro. Um candidato precisa de 106 dos 211 votos das federações membros para vencer.
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