O Virtual Safety Car acendeu-se na volta 29 e, quando voltou o verde, Russell já tinha perdido o Grande Prémio de Itália. Nessa altura ainda liderava, ainda confortável com um jogo de pneus duros que a Mercedes considerava capazes de aguentar até ao final. Atrás dele, Antonelli entrou nas boxes, calçou médios novos e lançou-se à perseguição.
Russell terminou em segundo, a menos de quatro segundos. Foi uma dobradinha da Mercedes e um conto de fadas em Monza para Antonelli, o primeiro italiano a vencer a corrida desde 1966. Deixou também o homem do carro-irmão com uma frustração muito particular.
«A equipa, claro, não queria que eu e o Kimi lutássemos», disse Russell aos jornalistas.
«E é por isso, imagino, que fiquei um pouco irritado com o momento em que apareceu aquele VSC.»
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O seu argumento era simples: ele tinha o composto mais duro, Antonelli tinha o médio, e se algum dos carros ia aproveitar uma paragem gratuita, seria sempre o que estava com a borracha mais macia.
«Porque, como disse o Max, acho que teria sido difícil para quem estava de médio competir com quem estava de duro.»
Russell queria manter a sua estratégia e deixar a corrida decidir-se.
«Teria adorado continuar com a mesma estratégia», disse à Motorsport.com. «Porque me sentia numa boa posição naquela luta.»
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A Mercedes jogou em dois tabuleiros
A versão do diretor de equipa Toto Wolff foi a de que o muro das boxes não sabia qual das decisões era melhor e optou por dividir a estratégia. O computador dizia que a uma paragem estava à frente; o pneu duro podia, em teoria, aguentar até ao final.
«Não sabíamos qual era a melhor estratégia. Naquela altura, o sistema dizia que a uma paragem saía à frente», afirmou Wolff.
«O pneu duro aguenta uma eternidade. Podes começar com ele e acabar com ele, e viu-se com o George que era um pneu para toda a corrida, mas não tinha o desempenho do médio.»
Essa era a teoria. Na prática, Antonelli caçou Russell por entre o tráfego e foi fechando a diferença volta após volta. A ultrapassagem, quando chegou, foi já perto do final, sobre um pneu duro com voltas a mais e com um piloto de borracha nova que não estava disposto a ficar atrás.
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A resposta de Antonelli no rádio
O muro das boxes tinha, a certa altura, pedido a Antonelli que pensasse mais na posição em pista do que na vitória. A sua resposta, captada pela Fórmula 1, foi direta.
«Pois, e entretanto ele ultrapassou-me. Querem que eu fique aqui atrás, ou quê?»
Russell também teve uma palavra para o seu companheiro de equipa.
«Mas, sabem, isso não retira absolutamente nada à prova do Kimi.»
Antonelli partiu do 19.º lugar depois de uma penalização por troca de motor. A sua recuperação e a decisão da Mercedes de dividir estratégias tiveram um impacto que vai para além de uma única corrida: está agora 66 pontos à frente de Russell no campeonato de pilotos.
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