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Tom Henning Ovrebo reflete sobre a noite em que se tornou ‘o maior tolo do futebol internacional’

Tom Henning Ovrebo reflete sobre a infame semifinal da Liga dos Campeões de 2009 entre Chelsea e Barcelona, que alterou sua carreira de árbitro.

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A data era 6 de maio de 2009, e o palco estava montado para um jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões que ficaria para sempre gravado na infâmia do futebol. Conforme detalhado pelo GiveMeSport, o Chelsea, buscando finais consecutivas contra o Manchester United, recebeu o Barcelona em um confronto supervisionado pelo árbitro norueguês Tom Henning Ovrebo. O que se desenrolou naquela noite em Stamford Bridge não só levaria o Barcelona à final, mas também alteraria irrevogavelmente a trajetória da carreira de Ovrebo.

O Chelsea conquistou uma vantagem inicial, com Michael Essien marcando um golo espetacular aos nove minutos. A partida permaneceu tensa e, com 25 minutos restantes, Eric Abidal, do Barcelona, recebeu um cartão vermelho, inclinando ainda mais a balança. No entanto, os momentos decisivos do jogo giraram em torno de uma série de decisões controversas de Ovrebo.

Conforme destacado na cobertura retrospectiva do GiveMeSport sobre a partida, o Chelsea teve múltiplos pedidos de penálti ignorados, incluindo um claro toque de mão de Gerard Piqué e outra instância em que Samuel Eto’o pareceu bloquear um remate com o braço. A frustração entre jogadores e adeptos do Chelsea atingiu o auge. Nos acréscimos, o Barcelona desferiu um golpe cruel: Andrés Iniesta marcou a partir de um passe de Lionel Messi, fazendo 1-1 na noite e no agregado, enviando os gigantes catalães para enfrentar o Manchester United na final.

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As consequências imediatas e uma carreira redefinida

O apito final desencadeou uma explosão de raiva. O avançado do Chelsea, Didier Drogba, confrontou uma câmara de televisão, gritando famosamente: “Estão a ver isto? É uma vergonha! É uma vergonha! É uma p***a de vergonha!” Drogba mais tarde recebeu uma suspensão de seis jogos pelo seu desabafo, enquanto o colega de equipa José Bosingwa foi suspenso por quatro jogos após rotular Ovrebo de “ladrão”. O Chelsea, como clube, foi multado em £85.000 por “conduta imprópria dos seus jogadores e o arremesso de objetos pelos seus adeptos”.

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Segundo o GiveMeSport, o próprio árbitro enfrentou consequências imediatas e severas. A equipa de segurança de Ovrebo mudou-o para outro hotel na noite do jogo devido à intensa reação e às ameaças de morte que recebeu. Refletindo sobre o caos, Ovrebo disse à revista Panenka 10 anos depois: “Devo admitir que por dentro eu estava a ferver. Foi no balneário que percebi o quão controverso tudo tinha sido. No espaço de duas horas, passei de um árbitro bastante respeitado a tornar-me o maior tolo do futebol internacional. Colocaram-nos sob escolta policial até conseguirmos apanhar um avião e regressar a casa.”

O incidente teve um impacto duradouro na carreira de Ovrebo como árbitro registado pela FIFA, um papel que desempenhou de 1994 a 2010. Conforme relatado pelo GiveMeSport, ele não recebeu jogos do mesmo nível na Liga dos Campeões após agosto de 2009. Mais controvérsia seguiu em 2010, quando ele falhou uma clara decisão de fora de jogo num jogo entre Bayern de Munique e Fiorentina. Embora tenha continuado a arbitrar na liga nacional da Noruega, uma lesão em 2012 levou-o finalmente à sua reforma da arbitragem em 2013.

Vida após o apito

Nos anos que se seguiram ao infame jogo, Ovrebo encontrou uma nova vocação. Tendo estudado o assunto na universidade, ele fez a transição para uma carreira como psicólogo. Ele agora trabalha na Escola Norueguesa de Ciências do Desporto, uma mudança significativa do mundo de alta pressão da arbitragem de futebol internacional.

Ovrebo também teve tempo para refletir sobre a noite crucial. Em declarações ao Daily Mail em maio de 2022, ele reconheceu: “Não creio que os adeptos do Chelsea estejam certos quando reclamam quatro ou cinco penáltis, mas penso que todos os que conhecem futebol e as leis do jogo sabem que deveria ter sido assinalado um penálti.” Ele também expressou um desejo por tecnologia moderna, dizendo à revista Panenka: “Gostaria de ter tido a ajuda do VAR naquele dia. Após a primeira parte, os meus assistentes e eu sentimos que tínhamos o controlo. No final do jogo, no entanto, não tive essa sensação. Quando cheguei ao balneário pensei: ‘Ok, Tom Henning, esta não foi a tua melhor noite’.”

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Apesar da animosidade persistente de alguns adeptos, Ovrebo mantém-se filosófico. Sobre o abuso que recebeu, ele afirmou: “O meu lema na vida é que ‘É melhor ser alvo de bullying do que as pessoas se esquecerem de ti’, por isso penso que os adeptos podem continuar a fazer-me bullying se quiserem; para mim, isso não é problema.”

Fontes: www.givemesport.com, www.goal.com

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