Paris esperava uma celebração. Em vez disso, a capital francesa ficou em silêncio depois que a Espanha derrotou a França por 2 a 0 nas semifinais da Copa do Mundo.
Torcedores vestindo camisas azuis haviam lotado a cidade durante toda a terça-feira, 14 de julho. No início da noite, os terraços dos cafés estavam cheios e as ruas do 11º arrondissement ecoavam com cânticos enquanto os fãs se preparavam para o que muitos acreditavam ser mais uma noite de sucesso para a equipe de Didier Deschamps.
A França havia vencido todos os seis jogos anteriores no torneio e chegou à semifinal com um dos elencos mais fortes do futebol mundial. Em Paris, a confiança parecia quase universal.
Essa crença começou a desaparecer quando a Espanha recebeu um pênalti no meio do primeiro tempo.
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Pênalti muda a atmosfera
Lucas Digne tentou afastar a bola dentro da área, mas atingiu Lamine Yamal depois que o ponta espanhol chegou primeiro.
O árbitro Iván Barton apontou para a marca da cal, e Mikel Oyarzabal converteu o pênalti aos 22 minutos.
No Café Divan, um local lotado no 11º arrondissement, a decisão foi recebida com decepção, e não com indignação.
“Não vamos nos enganar, isso é pênalti todo dia”, disse o torcedor Ulysse, de acordo com a reportagem de Marine Pattyn de Paris para o L’Équipe.
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O gol mudou imediatamente o clima. A França não havia ficado em desvantagem no torneio anteriormente, e o controle de posse de bola da Espanha deu aos torcedores poucas razões para acreditar que um empate era iminente.
Ao intervalo, a confiança que havia definido as horas antes do pontapé inicial havia sido substituída pela preocupação.
“Subestimamos a Espanha”
A França possuía um ataque com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Bradley Barcola, levando muitos torcedores a acreditar que a Espanha teria dificuldades para contê-los.
Em vez disso, os atacantes franceses encontraram pouco espaço contra uma defesa organizada, enquanto Rodri e Fabián Ruiz controlavam as áreas centrais.
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“Subestimamos a Espanha”, disse Nolan, de 28 anos.
“Com o nosso ataque, nos vemos como os Galácticos. Pensamos que iríamos atropelá-los, mas eles são muito sólidos.”
A França havia entrado na partida como uma das favoritas a vencer a competição, mas a Espanha parecia mais calma e coerente desde os estágios iniciais.
A equipe de Deschamps teve dificuldades para progredir pelo meio-campo e raramente conseguiu colocar o goleiro Unai Simón sob pressão sustentada.
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O placar permaneceu apenas 1 a 0 no intervalo, permitindo que os torcedores na rue de la Roquette continuassem cantando enquanto as equipes voltavam ao campo.
O otimismo deles não duraria muito mais.
Segundo gol silencia Paris
A Espanha dobrou sua vantagem aos 58 minutos.
Pedro Porro tabelou com Dani Olmo antes de finalizar por cima de Mike Maignan, dando à equipe de Luis de la Fuente uma vantagem confortável.
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Conforme registrado na reportagem ao vivo do L’Équipe da semifinal, a França respondeu com maior urgência após o segundo gol, mas não conseguiu transformar sua posse de bola em uma virada bem-sucedida.
O segundo gol silenciou os terraços em Paris. Torcedores que passaram a noite cantando começaram a trocar olhares preocupados enquanto a possibilidade de eliminação se tornava inevitável.
A França continuou a atacar, e cada arrancada de Mbappé animava brevemente a multidão.
Alguns torcedores lembraram da final da Copa do Mundo de 2022, quando o atacante marcou duas vezes em menos de dois minutos antes de completar um hat-trick contra a Argentina.
“Mbappé já fez isso em 2022 contra a Argentina”, disse Léa. “Podemos fazer qualquer coisa.”
Desta vez, no entanto, não haveria recuperação.
A Espanha permaneceu disciplinada, protegeu sua área e impediu que os jogadores de ataque da França encontrassem um caminho claro para o gol.
Raiva substitui a confiança
O apito final confirmou que a França não disputaria uma terceira final consecutiva de Copa do Mundo.
A vitória da Espanha foi difícil de ser contestada pelos torcedores. O pênalti foi marcado corretamente, e a equipe francesa havia criado muito pouco para alegar que o resultado foi imerecido.
Esse reconhecimento apenas aprofundou a frustração.
“Estamos no limite”, disseram os torcedores Marc, Hugo e Pauline após o apito final.
“Não tínhamos imaginado um único cenário em que a França perdesse. É uma falha profissional, porque temos os melhores jogadores do mundo e o jogo nem nos foi roubado. Simplesmente não mostramos nada.”
A avaliação deles capturou o clima nos terraços: decepção misturada com descrença diante do contraste entre o talento da França e seu desempenho.
A derrota não foi vista como uma eliminação infeliz decidida por um erro de arbitragem ou um momento isolado de brilhantismo. A Espanha foi a melhor equipe, e a França não conseguiu reagir.
A festa termina cedo
Minutos após o apito final, os terraços lotados começaram a esvaziar.
As canções que haviam preenchido as ruas no início da noite foram substituídas por conversas silenciosas sobre o desempenho, as táticas e a falha dos principais jogadores da França em influenciar a partida.
A Copa do Mundo da França não acabou completamente. A equipe de Deschamps ainda disputará a partida pelo terceiro lugar.
Para os torcedores em Paris, no entanto, a partida que importava já havia sido perdida.
A cidade havia se preparado para mais uma final e mais uma oportunidade de celebrar uma equipe que havia chegado à partida decisiva em 2018 e 2022.
Em vez disso, a Espanha encerrou a festa abruptamente.



