O ex-presidente da FIFA, Sepp Blatter, condenou publicamente o controverso plano do atual chefe, Gianni Infantino, de vender uma participação minoritária na Copa do Mundo, acusando-o de “vender o nosso jogo”. No entanto, a crítica de Blatter foi recebida com rápida reação negativa, com muitos apontando para o seu próprio mandato, marcado por escândalos, no comando do órgão regulador do futebol mundial.
Infantino está liderando um esquema para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões de investidores privados, trabalhando em conjunto com o JPMorgan. O plano envolve a criação de uma nova entidade comercial, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que concederia às 211 associações nacionais membros da FIFA participações acionárias negociáveis. As propostas já geraram oposição significativa, principalmente da UEFA, que teria dito a Infantino que ele está “ultrapassando um limite”.
UEFA ameaça boicote à Copa do Mundo
A gravidade da situação é sublinhada pelas nações da UEFA que convocaram uma reunião de emergência, com um potencial boicote à Copa do Mundo em pauta caso Infantino não reconsidere os planos. Aumentando a pressão, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, criticou as intenções da FIFA, afirmando que elas equivaliam a uma “venda”.
Um elemento chave da crítica de Blatter centra-se na relação de Infantino com o Presidente dos EUA, Donald Trump. A administração Trump teria sido abordada pela FIFA sobre o potencial acordo, construindo sobre uma forte relação forjada quando Infantino co-organizou o torneio nos Estados Unidos durante o verão.
Leia também: Jato de férias de Verstappen detetado na sede da Red Bull enquanto a família publicava fotos de aniversário
Escrevendo em sua conta X, Blatter afirmou: “A estreita relação entre o Presidente da FIFA e o Presidente dos EUA atingiu uma dimensão financeira que é profundamente prejudicial ao futebol. Ninguém tem o direito de vender o nosso jogo.”
O passado de Blatter projeta uma longa sombra
As palavras fortes de Blatter, no entanto, não tiveram ressonância universal. Infantino foi eleito presidente da FIFA em fevereiro de 2016, sucedendo a Blatter, que passou 17 anos no poder antes de seu mandato terminar em meio a uma investigação de corrupção em maio de 2015. Esse período viu sete altos funcionários da FIFA serem presos e acusados de receber mais de US$ 150 milhões em subornos. As autoridades suíças invadiram o hotel Baur au Lac em Zurique em 27 de maio de 2015, como parte da investigação.
A investigação focou na corrupção generalizada, incluindo direitos de transmissão e comerciais, votos para sediar grandes torneios e as controversas decisões de conceder à Rússia e ao Catar as Copas do Mundo de 2018 e 2022. Embora Blatter tenha sido reeleito dois dias após as prisões iniciais, ele anunciou sua renúncia pouco depois devido à imensa pressão de patrocinadores, da UEFA e de ameaças legais iminentes.
Uma investigação criminal subsequente descobriu um pagamento suspeito de US$ 2 milhões de Blatter ao então presidente da UEFA, Michel Platini, em 2011. Isso levou o Comitê de Ética da FIFA a suspender Blatter e Platini do futebol por oito anos. Embora ambos tenham sido posteriormente absolvidos duas vezes de fraude criminal em tribunais civis suíços, suas proibições do futebol permanecem intactas.
A ironia da crítica atual de Blatter não passou despercebida aos observadores. Um fã, respondendo aos comentários de Blatter, observou: “Sepp Blatter; o homem que dirigiu a FIFA por 17 anos e foi banido por violações éticas é agora a voz da autoridade moral sobre a corrupção no futebol. O fato de ele ser o crítico mais credível nesta situação diz tudo sobre a profundidade deste buraco de coelho.”
Conforme The Times noticiou, os planos da FIFA de vender uma participação minoritária na Copa do Mundo marcam uma mudança significativa, que está claramente a gerar profundas divisões no mundo do futebol, provocando até críticas do seu mais controverso ex-líder.



