A publicação de Blatter, divulgada na tarde de terça-feira na Europa, ficou-se por menos de 300 caracteres e apontou a pessoa que quer ver à frente do futebol mundial.
«Lise Klaveness merece o maior respeito. Foi a única que sempre assumiu uma posição clara e não se deixou levar pela corrente. E, na FIFA, chegou o momento certo para uma mulher assumir a liderança», escreveu no X.
A intervenção é o primeiro apoio público a um sucessor identificado vindo de um antigo presidente da FIFA enquanto Infantino ainda está no cargo.
Surge no meio da mais grave crise de governação da sua presidência, com a Sky Sports a noticiar que 91 federações nacionais já se juntaram aos pedidos para que abandone o cargo. Fica aquém das 106 necessárias para forçar uma votação, mas é um número muito superior ao das federações que o tinham criticado publicamente algumas semanas antes.
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Quem é Klaveness
Klaveness é advogada, antiga internacional norueguesa e a primeira mulher a liderar a Federação Norueguesa de Futebol desde a sua fundação, em 1902.
A sua reputação de confronto construiu-se no Congresso da FIFA em Doha, em março de 2022, semanas antes do Mundial do Qatar.
Na tribuna, com a federação anfitriã na sala, afirmou que o torneio tinha sido atribuído «de formas inaceitáveis, com consequências inaceitáveis» e virou-se contra a liderança da FIFA por causa das mortes de trabalhadores migrantes, dos direitos LGBTQ+ e da resposta da organização à invasão russa da Ucrânia.
«Não há lugar para empregadores que não garantam a liberdade e a segurança dos trabalhadores do Mundial», disse à sala.
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«Não há lugar para dirigentes que não conseguem organizar o futebol feminino. Não há lugar para anfitriões que não conseguem garantir legalmente a segurança e o respeito das pessoas LGBTQ+ que vêm a este teatro de sonhos.»
É para essa tomada de posição que Blatter parece estar a apontar.
O que Infantino enfrenta
O que despoletou a atual crise foi a proposta de Infantino para uma nova empresa chamada FIFA Forward Enterprise, que teria vendido uma participação de 20% no negócio comercial e operacional da FIFA a investidores privados, entregando-lhes uma fatia das operações do Mundial.
Foi forçado a retirá-la depois de a UEFA, a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol ameaçarem, cada uma, com um boicote e após críticas surgidas no seio da própria FIFA.
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As confederações não controlam a forma como as suas associações membros votam numa eleição presidencial da FIFA, na qual cada um dos 211 membros deposita o seu próprio voto. Ainda assim, a dimensão da contestação foi suficiente para enterrar o plano em poucos dias.
O príncipe Ali bin Hussein, presidente da Federação da Jordânia e antigo vice-presidente da FIFA, foi mais longe no fim de semana.
Acusou Infantino de condicionar o apoio da FIFA à sua federação a um apoio público à recandidatura do presidente, classificando o esquema como «chantagem». A Jordânia tornou-se o primeiro país asiático a exigir a demissão de Infantino.
O secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, descreveu o episódio como uma «triste e reprovável série de acontecimentos».
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Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol da FIFA, considerou a retirada do plano «absolutamente necessária e indiscutível». Carlos Cordeiro, representante da FIFA no grupo de trabalho da Casa Branca para o Mundial de 2026, apresentou a demissão.
Rabat na quarta-feira
Infantino convocou os principais quadros da FIFA para uma reunião na capital marroquina, na quarta-feira, que o correspondente da Sky Sports Kaveh Solhekol descreveu como um encontro «muito, muito tenso».
Klaveness não disse que é candidata. Ainda assim, Blatter colocou agora o seu nome no centro do debate da sucessão.
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