O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, disse à Associated Press na sexta-feira, 31 de julho, que os funcionários tinham sido enganados pelo plano de Infantino para vender uma participação nos direitos comerciais do Mundial a investidores privados, e que mereciam «mais do que desprezo e intimidação».
Lamour, colega de longa data do presidente na FIFA e na UEFA, foi mais longe e colocou o próprio cargo em jogo.
«É o projeto de uma só pessoa. Não só este projeto não pode avançar… como chegou o momento de os dirigentes políticos do futebol se colocarem as perguntas certas e tomarem as decisões certas.»
«E se isso significar que perco o meu emprego, que assim seja. Compreenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos vou dormir bem esta noite.»
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No mesmo dia, o conselheiro sénior de Infantino, Carlos Cordeiro, ex-presidente da US Soccer que representou a FIFA no grupo de trabalho da Casa Branca para o Mundial de 2026, demitiu-se em protesto.
«Não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA pondera vender uma participação no Mundial», escreveu Cordeiro, acrescentando que «não teve qualquer envolvimento nesta proposta» e que se opunha a ela «inequivocamente».
O plano que Infantino foi forçado a abandonar
O ponto de ignição foi a FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária proposta que teria albergado a vertente comercial e operacional das competições da FIFA e vendido uma participação de 20 por cento a investidores privados. Foi abandonada na noite de sexta-feira, 31 de julho, horas depois de as 55 federações-membro da UEFA terem votado a favor de boicotar as competições da FIFA caso o plano avançasse. A CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol também se tinham manifestado contra.
O comunicado da UEFA não se ficou pelo plano.
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«A atual liderança da FIFA perdeu não só a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros», afirmou a confederação, avisando que «esquemas secretos em prazos acelerados, congeminados por indivíduos sem rosto» já não podiam continuar.
A reunião de Marrocos diz uma coisa
Cinco dias depois, na quarta-feira, 5 de agosto, Infantino reuniu os quadros superiores no escritório da FIFA para África, em Rabat. A FIFA afirmou posteriormente que tinha pedido desculpa pelos erros cometidos em relação ao plano e que os quadros superiores presentes na reunião tinham «reafirmado o apoio total» ao presidente, segundo a NPR.
Essa versão dos acontecimentos dificilmente se concilia com o que Lamour e Cordeiro tinham dito dias antes, nem com o que veio a seguir. A presidente da federação norueguesa, Lise Klaveness, pediu a demissão de Infantino na sexta-feira, 7 de agosto.
«Quando a confiança desaparece, a liderança também tem de ser avaliada. Acreditamos, por isso, que o tempo de Gianni Infantino como presidente da FIFA deve chegar ao fim, e pedimos-lhe que se demita», afirmou Klaveness.
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O caminho das 43 federações até uma moção de censura
As federações inglesa e galesa retiraram o apoio à reeleição de Infantino, marcada para março do próximo ano, e a UEFA levantou a hipótese de desencadear uma moção de censura. Segundo os estatutos da FIFA, pode ser convocado um congresso extraordinário se 43 federações-membro, um quinto do total de 211, apresentarem um pedido por escrito; uma maioria simples dos votos expressos bastaria depois para destituir o presidente. As confederações podem fazer pressão sobre os seus membros, mas não decidem o voto das suas associações-membro; cada membro da FIFA vota por si.
A CNN noticiou no sábado, 8 de agosto, que Infantino não deu qualquer sinal de intenção de se afastar. Passou já quase duas semanas com o próprio diretor de operações a acusá-lo publicamente e de forma oficial de gerir o maior projeto do ano como «o projeto de uma só pessoa», enquanto a comunicação oficial da FIFA insiste que os quadros superiores estão do seu lado.
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