A disputa entre as duas instituições mais poderosas do futebol chegou a um tribunal federal norte-americano. A 1 de setembro, duas entidades da FIFA, a FIFA (AMERICAS) Inc. e a FWC2026 US, Inc., apresentaram uma moção para intervir no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova Iorque, pedindo ao juiz que adie ou rejeite o pedido da UEFA de depoimentos e documentos a entidades sediadas nos EUA.
A linguagem da FIFA na ação foi contundente.
«Embora estes requerimentos sejam apresentados como peças processuais com títulos e números de processo, não passam de comunicados de imprensa em mais um apoio à campanha difamatória da UEFA contra a FIFA e a sua liderança», afirmou a FIFA na ação.
A UEFA tinha apresentado o seu próprio requerimento ex parte no mesmo tribunal na semana anterior, procurando obter provas para eventuais processos-crime na Suíça contra Gianni Infantino e outros dirigentes da FIFA relativamente ao abandonado plano FIFA Forward Enterprise.
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O plano FFE que se desfez em poucos dias
O FIFA Forward Enterprise, ou FFE, foi um veículo proposto para deter os direitos comerciais dos Mundiais masculino e feminino e abri-los ao investimento externo. A subsidiária estava avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares, com a FIFA a pretender captar 4,2 mil milhões de dólares através da venda de participações minoritárias e sem controlo a investidores de private equity.
O plano ruiu poucos dias após ter sido apresentado. A UEFA, a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol opuseram-se, e Infantino confirmou a 31 de julho que o projeto não avançaria.
«Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, deixaram de servir o interesse do objetivo inicialmente definido», afirmou Infantino.
Carlos Cordeiro, antigo presidente da US Soccer e conselheiro sénior da FIFA, demitiu-se em protesto.
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O que a UEFA quer, e como a FIFA lhe chama
O argumento da UEFA é processual. Sustenta que o FFE foi elaborado sem a devida consulta aos órgãos dirigentes da FIFA e às suas 211 associações-membro, e quer obter provas nos EUA para eventuais processos-crime na Suíça.
A FIFA rejeita esse enquadramento. Na ação de 1 de setembro afirmou que a UEFA procurava obter provas para «processos-crime suíços supostamente contemplados (mas inexistentes)» e que tinha «procurado fazer descarrilar a proposta do FFE desde o início».
A UEFA não recuou na sua campanha mais ampla. Retirou a ameaça anterior de boicotar as competições da FIFA, mas continua a prosseguir o que descreveu como «todas as vias institucionais, políticas e legais disponíveis» para a reforma da governação, segundo a AFP.
O organismo europeu apresentou a disputa como uma questão de governação, e não pessoal.
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«A FIFA deve voltar a ser governada como uma instituição ao serviço do futebol, não funcionar como um instrumento de poder individual», afirmou a UEFA.
Votação de Rabat a sete meses de distância
Infantino é candidato a um quarto mandato no 77.º Congresso da FIFA em Rabat, Marrocos, a 18 de março de 2027. Segundo a Sportcal, mais de 200 dos 211 membros da FIFA já assinaram uma carta de apoio ao dirigente.
A UEFA foi acompanhada pela Confederação Asiática de Futebol e pela CONCACAF na oposição pública ao plano FFE e no apelo à reforma da governação. As confederações africana e sul-americana continuam a apoiá-lo.
São posições políticas, não votos garantidos. A eleição para a presidência da FIFA é decidida por um membro, um voto, e cada uma das 211 associações vota individualmente, independentemente do que a liderança da sua confederação recomende.
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