Enquanto aumenta a pressão por mudanças no comando do futebol mundial, um dos maiores jogadores africanos da história decidiu defender publicamente a atual gestão.
Presidente da Federação Camaronesa de Futebol, Eto’o acredita que boa parte das críticas contra Infantino está ligada à eleição presidencial da Fifa, marcada para março de 2027.
Eto’o questiona a oposição
Em entrevista à CNN, o ex-atacante afirmou não acreditar que Infantino tenha cometido um erro. Também garantiu que o dirigente continua contando com seu apoio e com o respaldo da federação camaronesa.
Eto’o argumentou que Infantino mudou o futebol e criou oportunidades para países que antes tinham menos acesso às grandes competições. A ampliação da Copa do Mundo faz parte dessa defesa.
Segundo a CNN Brasil, ele considera que as 211 associações da Fifa deveriam ter debatido a proposta antes de uma decisão tomada pela maioria.
O camaronês não acredita que as federações contrárias ao projeto representem necessariamente a maioria do futebol mundial. Sua posição confronta diretamente UEFA, AFC e Concacaf.
O projeto que dividiu o futebol
A controvérsia envolve a FIFA Forward Enterprise. A nova empresa assumiria as operações comerciais da entidade e a organização dos principais torneios sob responsabilidade da Fifa.
A proposta previa a venda de 20% da companhia a investidores privados. A avaliação estimada era de aproximadamente US$ 20 bilhões, levando adversários do projeto a falar em privatização parcial da Copa do Mundo.
Leia também: Salah reencontra parceiro de ouro do Liverpool
A Fifa garantiu que manteria o controle permanente da estrutura. Em seu esclarecimento sobre a proposta, a entidade prometeu US$ 20 milhões em recursos de desenvolvimento para cada associação entre 2027 e 2030.
Um programa voluntário, financiado por capital externo, poderia entregar outros US$ 20 milhões a cada federação participante. Para países com receitas limitadas, o dinheiro permitiria ampliar centros de treinamento, competições e projetos de base.
Eto’o argumentou que esses recursos ajudariam a equilibrar o poder no futebol internacional. Federações africanas mais fortes teriam melhores condições para desenvolver atletas e evitar que seus principais talentos defendessem outras seleções.
UEFA ameaçou abandonar torneios
A UEFA e suas 55 associações rejeitaram o plano por unanimidade. O grupo temia que a obrigação de remunerar acionistas privados passasse a influenciar calendários, formatos de torneios e decisões comerciais.
Leia também: Van Dijk quebra o silêncio sobre as transferências do Liverpool: «Precisamos de um plantel capaz de competir»
Em uma dura declaração conjunta, os europeus ameaçaram retirar suas seleções das competições da Fifa enquanto a proposta permanecesse ativa.
Infantino abandonou o projeto em 31 de julho, reconhecendo que ele havia provocado divisões. A retirada, porém, não encerrou os pedidos de renúncia nem as críticas à condução da entidade.
África mantém apoio importante
Eto’o deseja que o projeto volte à mesa depois de uma reeleição de Infantino. Ele está convencido de que uma votação envolvendo todos os membros resultaria na aprovação da proposta.
A Confederação Africana de Futebol continua apoiando o presidente. Já ex-jogadores e atletas como Emmanuel Petit, Mikaël Silvestre, David James e Lucy Bronze pediram uma mudança de liderança, conforme publicou o Guardian.
Leia também: Newcastle acerta negócio de 58 milhões por ex-FC Porto
O confronto expõe duas visões. A Europa quer impedir a presença de investidores privados nas competições, enquanto Eto’o e dirigentes africanos destacam o aumento dos recursos destinados a federações menores.
Infantino segue como único candidato declarado à eleição de março de 2027. O apoio de Eto’o mostra que, apesar da forte revolta europeia, o presidente ainda possui aliados influentes no futebol mundial.
Leia também: Sorteio da Liga dos Campeões marcado para quinta-feira com os maiores clubes da Europa a conhecerem o seu destino



