Lise Klaveness apelou publicamente aos altos responsáveis da FIFA para desafiarem Gianni Infantino a partir do interior da organização.
A presidente da federação norueguesa de futebol disse à Associated Press na terça-feira que o afastamento do chief operating officer Kevin Lamour, 17 dias depois de este ter criticado publicamente o presidente da FIFA, foi «uma situação de despedimento, não uma demissão», e apontou o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, como um dos dirigentes que tem agora de fazer frente a Infantino.
«Temos também de apelar à liderança e à administração da FIFA para que não se submetam a ordens que sabem não ser do interesse do futebol», afirmou Klaveness.
Descreveu Lamour como «o melhor dirigente de futebol que alguma vez conheci» e apresentou o seu afastamento como prova da forma como Infantino gere o organismo.
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«Agora ele é posto na rua e é suposto seguirmos em frente. É inaceitável, é uma gestão pelo medo.»
A declaração que matou o negócio
Lamour foi despedido ao final da noite de segunda-feira, 17 de agosto. O seu destino parecia ter ficado selado a 31 de julho, quando emitiu uma declaração pública à AP a acusar Infantino de falta de transparência sobre uma proposta de venda dos direitos comerciais da FIFA a fundos de private equity, no valor de 20 mil milhões de dólares, afirmando que os funcionários tinham sido «enganados».
O plano, liderado pelo investidor Joshua Kushner, teria captado 4,2 mil milhões de dólares por uma participação de 20% numa escisão comercial da FIFA, com 20 milhões de dólares a irem para cada uma das 211 federações-membro. Foi retirado poucas horas depois da intervenção de Lamour.
Klaveness disse que a declaração tinha cumprido a sua função.
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«A sua declaração foi necessária para matar o projeto.»
Grafström apontado como o homem pressionado
Klaveness sustentou que Lamour não tinha optado por sair e que Grafström tinha agido por ordens superiores.
Afirmou que o secretário-geral estava «claramente a ser pressionado pelo presidente» quando Lamour foi afastado.
A reunião de Rabat
Duas semanas antes do despedimento, a 5 de agosto, Infantino convocou os altos quadros para Rabat, em Marrocos. Lamour não esteve presente. A FIFA fez saber depois que os presentes na sala tinham «reafirmado o seu total apoio» ao presidente.
Klaveness disse que o que se passou em Rabat só confirmou o que lhe chegava do interior da organização.
«Todos recebemos relatos de Marrocos, sabemos que é uma gestão pelo medo. Não é do melhor interesse do futebol.»
A resposta lacónica da FIFA
A FIFA limitou-se a dizer que «agradece a Kevin os seus dois anos de serviço e deseja-lhe as maiores felicidades para o futuro», acrescentando que «não serão feitos mais comentários sobre o assunto». O organismo não respondeu a um pedido de comentário sobre as declarações de Klaveness.
A direção da federação norueguesa já pediu a demissão de Infantino, mas Klaveness disse que a Noruega não está de momento a trabalhar num candidato alternativo.
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«Não estamos nada nessa fase e essa é 100% a verdade.»
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