Pep Guardiola sentou-se em Barcelona, em julho, com Paolo Maldini e Leonardo, passou em revista os jogadores italianos disponíveis desde os sub-17 para cima e começou a rabiscar possíveis formações em folhas de papel. A versão pública é a de que acabou por recusar a Azzurra. A versão privada, diz Maldini, é a de que esteve muito perto de aceitar.
O antigo capitão da Itália, que se demitiu do cargo de diretor técnico da FIGC a 28 de julho, apenas 16 dias depois de ter assumido funções, deu o seu relato mais completo das conversações numa entrevista ao Corriere della Sera publicada a 9 de agosto.
«Fomos visitá-lo a Barcelona, almoçámos juntos, falámos durante um dia inteiro», Maldini disse ao jornal.
«Foi uma conversa muito séria, estudámos os plantéis desde os sub-17 para cima.»
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«Estava muito tentado. Esteve muito perto de aceitar. Até começou a escrever formações em folhas de papel.»
A história não é a dos 20 milhões de euros
As notícias em torno do fracasso das negociações apontavam para uma exigência salarial de 20 milhões de euros por parte do espanhol. Maldini rejeitou liminarmente essa versão.
«O dinheiro nunca foi problema. O Pep disse-nos claramente: deem-me um euro a menos do que o treinador anterior ganhava, e fico satisfeito.»
Gattuso tinha sido o treinador principal da Itália até que a derrota no play-off de março frente à Bósnia-Herzegovina custou à Azzurra a presença no Mundial de 2026. A proposta de Guardiola, segundo Maldini, era trabalhar por menos do que isso.
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Esgotamento e cirurgia às costas
A verdadeira razão do não, disse Maldini, foi física e pessoal.
«Por esgotamento. Guardiola vem de 10 anos extenuantes na Premier League. Foi operado às costas, quer descansar.»
Isso vai ao encontro do que o próprio Guardiola aceitou fazer depois de deixar o Manchester City em maio. Em vez de assumir outro cargo de treinador principal, aceitou permanecer no City Football Group como embaixador global, prestando orientação técnica aos clubes do CFG e a projetos específicos.
De Pirlo a Mancini
Descartado Guardiola, Maldini e Leonardo viraram-se para Andrea Pirlo. Esse plano caiu em poucos dias. O presidente da FIGC, Giovanni Malagò, vetou a nomeação por causa do contrato de Pirlo como embaixador de uma casa de apostas.
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«Partilhava a visão de escolher Pirlo, e não tenho dúvidas de que teria rescindido o contrato com a casa de apostas para a qual era imagem, mas, por uma série de razões, não me pareceu correto», disse Malagò.
Maldini e Leonardo abandonaram os cargos a 28 de julho, 16 dias depois de assumirem funções. No mesmo dia, Malagò anunciou Roberto Mancini como novo treinador principal da Itália, num segundo ciclo, com Claudio Ranieri a assumir o cargo de diretor técnico e presidente do Club Italia.
«Acreditei que era correto que a pessoa a tornar-se treinador principal da seleção nacional devia ser Roberto Mancini, por várias razões», disse Malagò.
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