Lance Stroll, Fernando Alonso

Pesadelo da Aston Martin aumenta: Stroll faz história pela razão errada e Alonso alerta: “Esta não é a Fórmula 1 que todos queremos”

Lance Stroll tornou-se o primeiro piloto a alcançar 100 eliminações no Q1, enquanto Fernando Alonso admite que o controverso regulamento da Fórmula 1 poderá determinar se ele continuará no grid…

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A Aston Martin chegou a Monza esperando que as recentes atualizações do carro apresentassem sinais de recuperação. Em vez disso, o Grande Prêmio da Itália produziu duas histórias que revelaram a dimensão dos problemas da equipe sob perspectivas muito diferentes. Lance Stroll alcançou uma marca indesejada, enquanto Fernando Alonso voltou a colocar em dúvida seu desejo de continuar competindo sob o atual regulamento técnico.

Os dois pilotos da Aston Martin ocuparam a última fila na classificação, com Alonso terminando em 21º e Stroll em 22º. De acordo com a classificação oficial da Fórmula 1, a melhor volta de Alonso no Q1 foi de 1:25.150, enquanto Stroll marcou 1:25.222. Ambos ficaram mais de dois segundos e meio atrás do melhor tempo de Pierre Gasly na sessão de abertura.

Um recorde que nenhum piloto deseja

A eliminação precoce teve um significado adicional para Stroll. Como destacou Daniel Valente no X, o canadense tornou-se o primeiro piloto a atingir 100 eliminações no Q1 desde que a Fórmula 1 introduziu o atual formato classificatório dividido em três partes, em 2006.

A ressalva é importante porque o Q1 não existia antes daquela temporada. Stroll é o primeiro piloto a chegar aos três dígitos na era moderna da classificação, e não em toda a história da Fórmula 1. Ainda assim, trata-se de um número extraordinário para alguém que estreou na categoria com a Williams apenas em 2017.

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Stroll já havia superado durante a temporada de 2025 o antigo recorde de Kevin Magnussen, que somava 74 eliminações no Q1. Segundo o Grande Prêmio, o piloto da Aston Martin chegou a Monza com 99 depois de outra classificação difícil em Zandvoort. O último lugar na Itália completou uma marca que dificilmente será celebrada em qualquer retrospectiva de sua carreira.

A estatística não conta toda a história

Seria simplista interpretar o recorde como prova de que Stroll nunca teve velocidade em uma volta lançada. Sua carreira inclui três pódios e uma surpreendente pole position pela Racing Point no Grande Prêmio da Turquia de 2020. Durante toda aquela temporada, ele não foi eliminado uma única vez no Q1, demonstrando quanto esse tipo de estatística depende da competitividade do equipamento disponível.

Stroll também disputou a temporada de 2018 com uma Williams pouco competitiva e enfrentou outra campanha difícil depois de se transferir para a Racing Point em 2019. Esses anos representam uma parcela considerável do total. Mesmo assim, a frequência de suas eliminações mais recentes continua sendo preocupante, especialmente porque Alonso geralmente consegue extrair mais do mesmo carro.

Isso voltou a acontecer em Monza, embora apenas 0,072 segundo tenha separado os companheiros de equipe. Alonso terminou à frente, mas a 21ª posição também não ofereceu qualquer motivo para satisfação. O resultado colocou os dois Aston Martin atrás dos carros da Cadillac e deixou uma equipe com ambições de título ocupando as últimas posições.

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O alerta de Alonso provoca uma preocupação ainda maior

O recorde de Stroll ganhou repercussão pelo número impressionante, mas as declarações de Alonso podem ter consequências muito mais sérias para a Aston Martin. A ESPN F1 chamou atenção para seus comentários enquanto permanece a incerteza sobre a continuidade do bicampeão mundial na Fórmula 1 em 2027.

O contrato de Alonso termina no final da temporada de 2026, mas o espanhol insiste que a competitividade atual da Aston Martin não determinará sozinha sua decisão. Ele afirma que continuará entregando o máximo, independentemente de estar lutando pela 15ª posição ou por um pódio. Sua maior preocupação está relacionada à identidade da própria categoria.

“Para a minha decisão, não se trata realmente do carro. Para mim, tem mais a ver com o regulamento”, afirmou Alonso, conforme citado pela Autosport. O veterano acredita que a gestão de energia se tornou influente demais e que a nova geração de carros não oferece o desafio tradicionalmente associado à Fórmula 1 por pilotos e torcedores.

A crítica ganha peso porque Alonso descreveu repetidamente a Fórmula 1 como o auge do automobilismo. Ele já disputou as 500 Milhas de Indianápolis, venceu as 24 Horas de Le Mans e participou do Rally Dakar. Deixar a Fórmula 1, portanto, não significaria necessariamente o fim de sua carreira competitiva.

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A Fórmula 1 já reconheceu a necessidade de mudanças

Alonso não é o único piloto que demonstrou preocupação com o regulamento de 2026. A maior dependência da energia elétrica obriga os competidores a administrar a entrega e a recuperação de potência de uma maneira que pode afetar a velocidade nas retas e até mesmo alterar a abordagem em curvas tradicionalmente exigentes. Monza expôs essas limitações devido aos seus longos trechos de aceleração máxima.

A Fórmula 1 já chegou a um acordo com a FIA, as equipes e os fabricantes de unidades de potência sobre mudanças para 2027 e 2028. O resumo oficial das alterações mostra que a divisão entre a potência do motor a combustão e a parte elétrica passará de 53–47 em 2026 para 58–42 em 2027. A potência máxima do motor a combustão aumentará de 400kW para 420kW, enquanto a entrega normal do MGU-K cairá de 350kW para 300kW.

O objetivo declarado é tornar as voltas de classificação mais próximas do limite e reduzir alguns dos problemas de gestão energética identificados nos primeiros meses do novo regulamento. As alterações podem aproximar os carros do tipo de Fórmula 1 que Alonso deseja, mas seus comentários indicam que ele ainda não está convencido de que serão suficientes para mantê-lo no grid.

A Aston Martin pode perder mais do que um piloto

Alonso enfatizou que seu compromisso com a Aston Martin vai além do período em que estiver pilotando o carro. Ele deseja ajudar a equipe a conquistar um campeonato mundial e sugeriu que pode continuar envolvido no projeto depois de encerrar a carreira. Isso oferece alguma segurança, mas substituir sua experiência e velocidade dentro do cockpit seria uma tarefa muito mais complicada.

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Adrian Newey já descreveu a capacidade e o retorno técnico de Alonso como extremamente valiosos, além de demonstrar confiança na continuidade da parceria. A Formula1.com citou Newey reconhecendo que manter o espanhol é importante para a Aston Martin. A questão é saber se a equipe poderá oferecer uma versão da Fórmula 1 que ele ainda considere interessante pilotar.

O fim de semana em Monza pouco fez para fortalecer esse argumento. O resultado oficial da corrida confirmou que nenhum dos dois Aston Martin chegou ao final, com Alonso completando 23 voltas e Stroll 26. A equipe deixou a Itália com a última fila do grid, um abandono duplo e um dos recordes mais indesejados da história moderna da categoria.

As 100 eliminações de Stroll no Q1 podem formar a manchete que mais chama atenção, mas o alerta de Alonso é a história que a Aston Martin não pode ignorar. Um piloto tornou-se o símbolo dos repetidos fracassos da equipe na classificação. O outro questiona abertamente se a nova direção da Fórmula 1 é compatível com o capítulo final de sua carreira.

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