A FAW confirmou na segunda-feira que enviou uma carta à FIFA a revogar o seu apoio à candidatura de Infantino para o mandato de 2027-2031, tornando-se a primeira federação nacional a romper publicamente com o presidente.
A ameaça de boicote da UEFA e as declarações da CONCACAF e da AFC dominaram as manchetes, mas a retirada de apoio por parte de uma federação-membro é o primeiro movimento dentro do órgão das 211 federações que vão efetivamente votar em Rabat, em março do próximo ano.
«As recentes falhas na boa governação, nos processos, na liderança, nos valores, na gestão dos parceiros, na comunicação e na sensatez das decisões levaram-nos a uma posição em que o Sr. Infantino perdeu a confiança da FAW para continuar ao leme do futebol mundial», afirmou a federação no seu comunicado.
«Não colocar os melhores interesses do futebol em primeiro lugar é uma falha que não podemos aceitar.»
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O rastilho: um plano de 20 mil milhões de dólares abandonado
A carta da FAW surge depois de uma quinzena de guerra aberta no futebol mundial.
Infantino tinha proposto a FIFA Forward Enterprise (FFE), um veículo que venderia participações minoritárias de até 20 por cento nos direitos comerciais da FIFA, com o objetivo de captar cerca de 4,2 mil milhões de dólares sobre uma avaliação de 20 mil milhões. A Thrive Capital, o fundo cofundado por Joshua Kushner, era apontada para liderar o grupo de investidores.
Às federações-membro foram oferecidos até 30,1 milhões de libras cada, caso viabilizassem o plano até 19 de setembro. Em vez disso, a 30 de julho, as 55 federações da UEFA votaram por boicotar os futuros torneios da FIFA caso o esquema avançasse, com a CONCACAF e a AFC a alinharem rapidamente ao seu lado.
Infantino abandonou a FFE no sábado, dizendo às federações que o projeto «criou divisões» e não iria avançar. A carta do País de Gales, enviada dois dias depois, é o primeiro sinal de que retirar o plano não resolveu nada.
Que distância separa os números da sua destituição?
Ao abrigo dos estatutos da FIFA, um quinto das 211 federações-membro, ou seja, 43 federações, pode forçar a convocação de um congresso extraordinário no prazo de três meses e inscrever na ordem de trabalhos uma moção para destituir o presidente. A UEFA, por si só, ultrapassa essa fasquia com folga, com os seus 55 membros.
O limiar é processual, não político. Mesmo que 43 federações exigissem uma votação, afastar Infantino exigiria ainda uma maioria no próprio congresso, onde o apoio continental que tem em África, na Ásia e na América do Sul se mantém há anos.
A federação alemã recusou-se a assinar o documento de endosso que circulou antes do congresso de março de 2027, embora não tenha chegado a formalizar uma retirada. O País de Gales é o primeiro a colocar a sua posição por escrito à FIFA.
Bernstein diz que o caso é motivo de demissão
David Bernstein, antigo presidente da federação inglesa e um dos críticos mais persistentes de Infantino, disse aos jornalistas que o caso já deveria ter decidido a questão.
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«Numa organização normal, se ele tem de recuar por causa de algo desta magnitude, provavelmente ser-lhe-ia mostrada a porta de saída», afirmou Bernstein, citado na cobertura sobre as vias de destituição agora em cima da mesa.
A FIFA não comentou a carta da FAW. O congresso de março de 2027, em Marrocos, mantém-se como a data marcada em que se decidirá o quarto mandato de Infantino, e o País de Gales acaba de tornar a contagem em 210 a 1.
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