David Beckham

A ‘geração de ouro’ da Inglaterra: a promessa não cumprida de 2006

A ‘geração de ouro’ da Inglaterra em 2006, apesar do talento imenso, falhou na Copa do Mundo devido a distrações, divisões internas e lesões.

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Em 2006, a Inglaterra chegou à Copa do Mundo da FIFA na Alemanha carregando um apelido que prometia muito: a “geração de ouro”. Um elenco repleto de vencedores da Premier League e da Liga dos Campeões, capitaneado por David Beckham, e com talentos como Wayne Rooney, Frank Lampard e Steven Gerrard, era amplamente apontado como o time que acabaria com a então espera de 40 anos da Inglaterra por um grande troféu desde a Copa do Mundo de 1966. No entanto, como explora um novo documentário da BBC, “The Golden Generation,” uma confluência de distrações externas, divisões internas e lesões infelizes conspirou para atrapalhar suas ambições, culminando em mais uma dolorosa eliminação nas quartas de final.

O peso da expectativa e um elenco recheado de estrelas

O rótulo de “geração de ouro” foi cunhado pela primeira vez em 2001 pelo então diretor executivo da Football Association, Adam Crozier, após a enfática vitória da Inglaterra por 5 a 1 fora de casa sobre a Alemanha em uma eliminatória da Copa do Mundo. Em 2006, o elenco ostentava uma invejável gama de talentos:

  • David Beckham (31): Real Madrid, 6x Premier League, 1x Champions League
  • Frank Lampard (27): Chelsea, 2x Premier League
  • Steven Gerrard (26): Liverpool, 1x Champions League
  • Rio Ferdinand (27): Manchester United, 1x Premier League
  • Wayne Rooney (20): Manchester United
  • Michael Owen (26): Newcastle, Ballon d’Or 2001

O técnico Sven-Goran Eriksson, o primeiro treinador estrangeiro da Inglaterra, declarou publicamente antes do torneio: “Acho que vamos ganhar desta vez”, um sentimento que refletia o humor nacional. No entanto, até mesmo a seleção do elenco levantou sobrancelhas, com o jovem Theo Walcott, de 17 anos, que ainda não havia jogado pelo Arsenal, sendo escolhido em detrimento do consagrado atacante do Tottenham, Jermain Defoe. Steve McClaren, assistente de Eriksson, relembrou a dificuldade de equilibrar tamanha riqueza de talentos: “Como você deixa de fora Gerrard, Lampard, [Wayne] Rooney, [David] Beckham? Essa era a dificuldade.”

Distrações e turbulência gerencial

O próprio torneio foi ofuscado por um frenesi midiático que ia além do campo. A base da equipe da Inglaterra na Alemanha era um hotel cinco estrelas isolado na Floresta Negra, mas as esposas e namoradas (WAGs) foram alojadas em Baden-Baden, compartilhando um hotel com muitos jornalistas. Isso criou um nível sem precedentes de cultura de celebridades em torno da equipe, com a repórter de entretenimento Clemmie Moodie descrevendo sua missão como “ignorar o futebol” e “observar essas WAGs, ver o que elas aprontam”. Rio Ferdinand lamentou o impacto, afirmando: “Baden-Baden foi uma bagunça. Foi um ato de circo. A mídia, os paparazzi. Eles não querem que a gente ganhe… por que eles vêm e simplesmente arruínam nosso tempo com nossas famílias?”

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Somando-se à atmosfera caótica estava a posição precária de Eriksson. Seis meses antes da Copa do Mundo, uma operação de ‘sheik falso’ do News of the World gravou o técnico discutindo informações sensíveis da equipe e de transferências. Isso, juntamente com outras controvérsias, levou Eriksson a anunciar em janeiro de 2006 que renunciaria após o torneio, lançando uma sombra sobre a campanha.

Rachas internos e lesões críticas

Além do ruído externo, problemas internos assolaram o elenco. Rio Ferdinand revelou abertamente as tensões subjacentes: “Eu honestamente acredito que a desarmonia – as rivalidades – definitivamente desempenhou um grande papel em nos tirar da disputa pela vitória.” Ele descreveu “relacionamentos falsos” dentro do elenco, particularmente entre jogadores de clubes rivais da Premier League, onde a competição profissional se estendia ao ambiente da seleção nacional. Wayne Rooney, no entanto, ofereceu uma visão contrastante, afirmando: “Eu amava, amava jogar pela Inglaterra. Adorava me encontrar e conversar com todos os jogadores. Eu não via isso. Não sentia que havia rivalidades entre diferentes jogadores.”

Crucialmente, lesões em jogadores-chave prejudicaram significativamente as chances da Inglaterra. Seis semanas antes da partida de abertura, Wayne Rooney fraturou o quarto metatarso jogando pelo Manchester United e também escondeu uma lesão na virilha. Apesar de sua determinação em jogar, ele não conseguiu marcar um único gol no torneio. Durante a fase de grupos, Michael Owen sofreu uma grave lesão no joelho contra a Suécia, encerrando sua Copa do Mundo prematuramente.

A Inglaterra navegou em seu grupo com vitórias sobre o Paraguai (1-0) e Trinidad e Tobago (2-0), e um empate em 2-2 com a Suécia, antes de vencer o Equador por 1-0 nas oitavas de final graças a um golo de falta de David Beckham. Sua jornada terminou nas quartas de final contra Portugal, uma repetição de sua eliminação na Euro 2004. Beckham deixou a partida lesionado antes do intervalo, e Rooney foi controversamente expulso aos 62 minutos. Após um empate em 0-0, a Inglaterra perdeu a disputa de pênaltis por 3-1, com Frank Lampard, Steven Gerrard e Jamie Carragher perdendo suas cobranças.

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A derrota marcou a terceira eliminação consecutiva da Inglaterra nas quartas de final de um grande torneio. Beckham renunciou à capitania, e Steve McClaren assumiu como técnico, apenas para a Inglaterra não conseguir se classificar para a Euro 2008. Refletindo sobre a promessa não cumprida, Wayne Rooney concluiu: “Quer nos chamem de geração de ouro ou o que quiserem nos chamar, éramos um grupo de homens tentando ter sucesso pelo nosso país. E, em última análise, falhamos.”

Fontes: www.bbc.com

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