Uma operação de salvamento que deixa um sabor amargo
Youri Tielemans saiu deste jogo como o herói da Bélgica, embora tenha também deixado para trás uma situação um pouco mais complicada.
A Bélgica estava prestes a ser eliminada do Mundial, com o Senegal a vencer por 2-0 em Seattle. Romelu Lukaku devolveu a esperança aos belgas aos 86 minutos, antes de Tielemans empatar com um cabeceamento três minutos depois e, por fim, marcar o penálti decisivo na prorrogação.
Segundo Andrew Destin, da AP, Tielemans marcou o penálti aos 125 minutos, registando assim o golo mais tardio da história do Campeonato do Mundo.
Foi, no sentido mais literal do termo, uma exibição digna de um capitão. Tielemans não cedeu à pressão. Assumiu o comando e permitiu que a Bélgica passasse à fase seguinte.
No entanto, este jogo também pôs em evidência outra faceta das suas qualidades de líder.
O debate sobre Trossard
Antes da recuperação da Bélgica, ocorreu uma acesa discussão na segunda parte entre Tielemans e Leandro Trossard.
Jonatan Pinheiro Diamant descreveu o incidente no jornal «Aftonbladet» como um momento em que Trossard se zangou com Tielemans depois de o médio ter feito um cruzamento em vez de um passe. Os dois jogadores envolveram-se então numa discussão acalorada, e Nicolas Raskin interveio quando a discussão ameaçava degenerar numa briga.
Tielemans minimizou depois o incidente, afirmando: «Bem, foi apenas no calor do momento. Somos todos vencedores e queremos representar o nosso país da melhor forma possível.»
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Esta explicação é fácil de compreender. O futebol dos jogos de desempate é muito emocionante. Os jogadores disputam entre si. Os capitães das equipas podem revelar-se exigentes.
Há, no entanto, uma diferença entre a intensidade e a perda de controlo. A Bélgica estava a perder no marcador, o jogo estava a escapar-lhe e o jogador que usava a braçadeira de capitão entrou numa discussão evidente com um colega de equipa.
García justificou o incêndio
O treinador belga, Rudi García, não viu qualquer problema nesta discussão.
Segundo o «The Guardian», García afirmou que Lukaku tentou acalmar os dois jogadores e acrescentou: «Não sei por que razão discutiram, mas gosto disso: precisamos desse espírito de luta em campo.»
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É um ponto de vista pertinente. A Bélgica precisava urgentemente de agressividade e paixão. A equipa deu a impressão de estar passiva durante grande parte do jogo, e só quando começou a jogar com mais determinação é que conseguiu recuperar o resultado nos últimos minutos.
Este desentendimento também não afetou a relação entre Tielemans e Trossard. Muito pelo contrário. Trossard fez depois o cruzamento que permitiu a Tielemans marcar o golo do empate, e os dois jogadores desempenharam um papel essencial na recuperação da Bélgica.
Isso torna este episódio menos simples do que parece. Não era apenas um sinal de que algo não estava bem. Fazia também parte de um jogo em que as emoções desempenhavam um papel decisivo.
Será que lhe deviam tirar a braçadeira de capitão?
Retirar agora a braçadeira de capitão a Tielemans seria demasiado duro.
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Apesar de ter perdido a calma, também assumiu as suas responsabilidades. Marcou o golo do empate. Converteu a grande penalidade. Soube resistir à pressão quando estava em jogo a qualificação da Bélgica para o Mundial.
Após o jogo, Tielemans afirmou: «Estou orgulhoso por ter contribuído para esta reviravolta no resultado, pois marquei os dois últimos golos e, ao fazê-lo, dei a vitória à equipa hoje. Estou muito orgulhoso por ter podido ajudar a equipa a marcar golos e a conquistar a vitória.»
Essa é a melhor razão para ele continuar a usar a braçadeira de capitão. Um capitão não é avaliado apenas pela calma com que se expressa, mas também pela forma como reage quando o jogo se torna mais difícil.
No entanto, o aviso continua a ser válido.
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Tielemans pode liderar a Bélgica com paixão, mas tem de manter o controlo. Um capitão pode desafiar os seus colegas de equipa. Pode exigir-lhes mais. Pode mostrar a sua frustração.
O que não se deve, de forma alguma, é tornar-se uma fonte de tensão adicional, numa altura em que a equipa já se encontra sob pressão.
Por enquanto, Tielemans mereceu manter a braçadeira de capitão. Contra o Senegal, salvou a Bélgica. Mas também lembrou à equipa que a liderança não consiste apenas em ter a coragem de marcar o penálti decisivo. Trata-se também de manter a calma antes que a situação chegue a esse ponto.



