Uma observação que, com o tempo, se tornou incómoda
Cristiano Ronaldo dedicou grande parte da sua carreira a provar que é um jogador feito para o mais alto nível do futebol.
Foi isso que tornou as suas declarações de 2015 particularmente marcantes. Na altura, Ronaldo ainda jogava no Real Madrid, continuava a ser uma das figuras mais marcantes do futebol europeu e considerava os últimos anos da sua carreira como algo que ainda estava muito longe.
Segundo o «Guardian Sport», uma secção do jornal «The Guardian», Ronaldo afirmou que pretendia encerrar a sua carreira «com dignidade» e não jogando «nos Estados Unidos, no Catar ou no Dubai».
Além disso, deixou bem claro que não considera que esses campeonatos façam parte do seu futuro. «Isso não significa que se jogue mal nos campeonatos dos Estados Unidos, do Qatar ou do Dubai, mas não me imagino a jogar lá», afirmou Ronaldo.
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Na altura, muitos adeptos interpretaram estas declarações como mais uma prova da ambição de Ronaldo. Ele não falava como um jogador que se preparava para se despedir discretamente. Falava como alguém determinado a permanecer ao mais alto nível durante o maior tempo possível.
O Al Nassr mudou de assunto
Estas declarações voltaram a ser notícia anos mais tarde, depois de Ronaldo ter deixado o futebol europeu para assinar pelo Al Nassr, na Arábia Saudita.
Segundo a ESPN, o Al Nassr anunciou a transferência de Ronaldo a 30 de dezembro de 2022, no final da sua segunda passagem pelo Manchester United.
Na verdade, em 2015, Ronaldo não visitou nenhum dos locais que tinha mencionado na altura. A Arábia Saudita não é nem os Estados Unidos, nem o Catar, nem o Dubai, e o Dubai é uma cidade, não um país nem um campeonato.
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No entanto, era quase impossível evitar uma comparação mais geral. Para muitos críticos, a sua transferência para a Saudi Pro League colocou Ronaldo de novo no centro do debate sobre o fim da sua carreira, do qual parecia ter-se afastado na altura.
Uma escolha profissional que está a ser posta em causa
Na verdade, esta crítica não tem nada a ver com a geografia. É uma questão de perceção.
Em 2015, Ronaldo tinha falado na possibilidade de pôr fim à sua carreira ao mais alto nível. Em 2022, deixou os grandes campeonatos europeus para se tornar a figura de proa de um ambicioso projeto futebolístico saudita.
Este contraste tornou esta antiga entrevista um ponto de referência óbvio para os adeptos que consideram que Ronaldo se contradisse. Para eles, a sua transferência para o Al Nassr não condiz com a imagem que ele próprio tinha transmitido na altura: a de um jogador determinado a evitar a «aterragem suave» frequentemente associada às estrelas que vão envelhecendo.
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Outros verão as coisas de forma diferente. Ronaldo tinha 30 anos quando proferiu estas palavras pela primeira vez. Tinha 37 anos quando assinou pelo Al Nassr, após uma carreira marcada por títulos na Liga dos Campeões, Bolas de Ouro, recordes internacionais e sucessos nacionais em Inglaterra, Espanha e Itália.
Mas o futebol, os adeptos e a Internet raramente se esquecem de um encontro.
A transferência de Ronaldo para a Arábia Saudita não pôs em causa os seus sucessos na Europa. No entanto, proporcionou aos seus detratores um argumento ao qual estes puderam recorrer repetidamente nos debates sobre o seu legado, a sua ambição e a forma como um dos melhores futebolistas de todos os tempos pretendia passar os últimos anos da sua carreira.
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