O presidente da LaLiga, Javier Tebas, lançou um ataque contundente contra a FIFA após o título mundial conquistado pela Espanha, exigiu a demissão de Gianni Infantino e acusou a organização de prejudicar todo o setor do futebol.
Numa entrevista com Filippo Maria Ricci, publicada no «La Gazzetta dello Sport», Tebas criticou a direção da FIFA, a comercialização do Campeonato do Mundo e a controversa decisão disciplinar relativa ao avançado norte-americano Folarin Balogun.
Tebas exige a demissão de Infantino
À pergunta sobre se Infantino deveria demitir-se do cargo, Tebas deu uma resposta inequívoca.
«Na minha opinião, sim, acho que o seu tempo já acabou», explicou ele. «No entanto, ele conta com o apoio do sistema e das federações, por isso não há muito mais a dizer sobre o assunto, pois não?»
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Infantino, de 56 anos, confirmou que se candidatará a um novo mandato em 2027. De acordo com o comunicado oficial da FIFA, informou as 211 federações-membro sobre a sua decisão durante o congresso da organização, realizado em Vancouver.
Até ao momento, ainda não surgiu nenhum adversário, o que, segundo Tebas, aponta para um sistema eleitoral fundamentalmente deficiente.
«Não há nenhum candidato da oposição; ninguém quer concorrer apenas para perder», explicou ele. «É assim que funciona o sistema, e é um sistema que está corrompido até ao âmago. Não deveria continuar a existir, mas, tal como as coisas estão neste momento, não vai desaparecer.»
A controvérsia em torno de Balogun intensifica as críticas a
Tebas abordou ainda a forma como a FIFA lidou com o cartão vermelho mostrado a Balogun no jogo contra a Bósnia-Herzegovina.
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O avançado norte-americano tinha inicialmente sido punido com uma suspensão automática de um jogo. No entanto, a FIFA associou a sanção a um período de prova de um ano, pelo que lhe foi permitido jogar nos oitavos-de-final contra a Bélgica. O cartão vermelho, por si só, não foi anulado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou posteriormente que tinha contactado Infantino e exigido uma nova análise do caso. Infantino negou ter tomado pessoalmente a medida disciplinar.
«A suspensão da proibição de jogo imposta ao jogador norte-americano foi um assunto extremamente grave», explicou Tebas. «Tiveram sorte de a Bélgica ter eliminado os EUA, pois, caso contrário, poderia ter vindo à tona um escândalo que teria custado o cargo a Infantino. Como a Bélgica venceu, conseguiram varrer o assunto para debaixo do tapete. Mas estas coisas são apenas a ponta do iceberg.»
A UEFA considerou que a atitude da FIFA nesta questão ultrapassou uma «linha vermelha». O presidente Aleksander Ceferin decidiu, por isso, não comparecer à final do Mundial, embora a sua ausência se devesse mais a várias divergências com a FIFA do que apenas ao caso Balogun. De acordo com a reportagem da Reuters sobre o conflito, entre os outros problemas contavam-se a logística da nomeação dos árbitros, o desenrolar do jogo e as pausas obrigatórias para hidratação.
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Tebas adverte contra um Mundial com 64 equipas
Tebas considera que a disponibilidade da FIFA para discutir o alargamento do Campeonato do Mundo de 2030 de 48 para 64 equipas é mais um sinal de que a federação internacional está a negligenciar as competições nacionais.
«Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido», explicou ele. «O mundo do futebol não se resume apenas ao Campeonato do Mundo, que, embora seja o evento mais importante, não pode ser o único em torno do qual tudo gira.»
Ele argumentou que as ligas nacionais proporcionam postos de trabalho e estabilidade financeira ao futebol ao longo de todo o ano.
«São as competições nacionais que sustentam este desporto», explicou Tebas. «Estão a destruir precisamente o setor do futebol, que cria dezenas de milhares de postos de trabalho, em prol de um evento que dura 40 dias e no qual apenas participa uma minoria de jogadores.»
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Foi discutida a possibilidade de um torneio com 64 equipas, mas a FIFA não aprovou oficialmente essa ampliação.
«As pausas para beber são um mito»
O presidente da LaLiga também se pronunciou de forma desdenhosa sobre as pausas para hidratação de três minutos, que foram introduzidas a meio de cada parte em todos os jogos do Mundial.
De acordo com a explicação da regra pela FIFA, os intervalos eram obrigatórios, independentemente das condições meteorológicas, e tinham como objetivo proteger os jogadores e, ao mesmo tempo, garantir condições equitativas ao longo de todo o torneio.
Tebas rejeitou esta declaração e afirmou que as decisões serviam, acima de tudo, interesses comerciais.
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«As pausas para beber são uma mentira», explicou ele. «Na liga, é verdade que existem, mas só quando está mesmo calor. Aqui em Dallas, Los Angeles e Atlanta, os campos de jogo tinham ar condicionado; nas bancadas, tive até de vestir uma camisola. Isso era uma mentira, uma pausa publicitária.»
Criticou ainda o prolongamento do intervalo na final do Mundial. O intervalo habitual de 15 minutos durou mais de 27 minutos, para dar lugar a um espetáculo de 11 minutos com a Madonna, os BTS, a Shakira, o Justin Bieber e outros artistas.
«A FIFA gere as coisas como quer, para os seus próprios fins, para os seus próprios interesses — certamente não para o futebol», explicou Tebas. «Portanto, se precisarem de um intervalo de 27 minutos, é isso que terão.»
Silêncio e cumplicidade no fogo cruzado das críticas
Tebas afirmou ter encontrado uma resistência considerável contra Infantino durante a sua estadia nos Estados Unidos, mas acusou figuras importantes do mundo do futebol de não questionarem publicamente o presidente da FIFA.
«Dizem isso, mas depois não fazem nada», explicou ele. «Não sei o que é pior: o silêncio ou a cumplicidade, pois aqueles que se calam estão perfeitamente cientes dos danos que o futebol está a sofrer.»
Para Tebas, esta disputa já não se resume apenas a uma medida disciplinar isolada ou a um espetáculo excessivamente longo no intervalo. Trata-se de uma luta mais abrangente para determinar quem controla o calendário do futebol, como são distribuídos os fundos no desporto e se as competições nacionais serão sacrificadas para tornar o torneio emblemático da FIFA ainda maior.



