Gianni Infantino continua a enfrentar pedidos de demissão, apesar de ter abandonado o controverso plano de investimento. Segundo a reportagem da Associated Press sobre a intervenção de Burnham, o primeiro-ministro britânico já não considera Infantino a pessoa certa para dirigir o futebol mundial. A disputa deixou de estar centrada na interrupção do projeto e passou a incidir sobre a responsabilidade pela sua criação.
Para Burnham, o recuo chegou tarde demais
Burnham já tinha pedido a demissão de Infantino antes de a FIFA retirar o projeto. Como foi citado pelo Morning Star, afirmou: «O futebol não pertence aos investidores. Pertence às pessoas que enchem as bancadas e estão junto às linhas laterais, semana após semana, faça chuva ou faça sol.» O primeiro-ministro acrescentou que o Mundial não era um produto que a FIFA pudesse vender.
Após a retirada, Burnham reconheceu que a FIFA tinha tomado a decisão correta. Ainda assim, defendeu que a proposta nunca deveria ter chegado a uma fase tão avançada. Na sua opinião, o processo revelou um problema de liderança mais profundo durante a presidência de Infantino.
O que a FIFA pretendia vender
A FIFA Forward Enterprise não previa a privatização integral da FIFA. Segundo o relato da AP sobre o colapso do projeto, a organização pretendia criar uma subsidiária comercial avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e vender uma participação de 20 % a investidores privados. A operação deveria gerar aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares.
A empresa ficaria responsável por áreas comerciais e operacionais relacionadas com competições como os Mundiais masculino e feminino. A FIFA manteria a maioria do capital, mas os investidores externos adquiririam um interesse financeiro permanente nas receitas dos torneios. Os opositores receavam que interesses comerciais passassem a influenciar decisões fundamentais para o futebol internacional.
A ameaça de boicote força a retirada
UEFA, CONCACAF e Confederação Asiática de Futebol opuseram-se à proposta. As 55 federações da UEFA ameaçaram boicotar as competições da FIFA enquanto o projeto permanecesse ativo. Infantino encerrou o processo ao anunciar: «Por esse motivo, esta proposta não avançará.»
A resistência também surgiu dentro da própria FIFA. Carlos Cordeiro demitiu-se do cargo de conselheiro, enquanto o diretor de operações Kevin Lamour descreveu a FFE como «o projeto de uma só pessoa». Como relatou a notícia da Press Association publicada pela Perspective, a UEFA classificou o acordo como «sórdido, opaco e negociado nos bastidores», defendendo ainda que nenhuma opção deveria ser excluída da investigação posterior.
A disputa pela liderança continua
Infantino confirmou que pretende candidatar-se a um novo mandato em 2027. Segundo o anúncio oficial da FIFA, apresentou a candidatura durante o Congresso de 2026, em Vancouver. A eleição deverá realizar-se em Rabat, em março de 2027.
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Burnham não possui qualquer papel formal na votação, que será decidida pelas federações filiadas na FIFA. Nenhum candidato oficial se apresentou até ao momento, enquanto Infantino continua a contar com apoios importantes fora da Europa. O plano de investimento terminou, mas a discussão sobre a sua presidência está longe de acabar.
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