O acordo foi noticiado pela primeira vez na sexta-feira pelo Inside World Football. Põe fim a uma ação cível apresentada em novembro de 2025 relativa a uma alegada agressão histórica no Cliff, o antigo centro de treinos do United em Salford.
O alegado autor, Billy Watts, trabalhou no Cliff durante anos, acumulando as funções de responsável pelas instalações, encarregado do equipamento e tratador do relvado. Deixou o clube em 1989, na sequência de um processo disciplinar interno, e morreu em 2009.
O Cliff, novembro de 1986
O queixoso, cuja identidade não foi divulgada, tinha 14 anos à data da alegada agressão. A ação cível foi apresentada em novembro passado e noticiada na altura pela ITV News, tendo chegado a acordo quatro meses depois.
O Manchester United não reconheceu responsabilidade. Os termos financeiros não foram divulgados.
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Identificado no Relatório Sheldon
Watts já tinha sido identificado no Relatório Independente sobre Abuso Sexual de Menores no Futebol, de 2021, o inquérito encomendado pela FA e liderado por Clive Sheldon KC. O relatório examinou casos não recentes de abuso no futebol entre 1970 e 2005 e identificou 692 sobreviventes e 240 suspeitos em toda a modalidade.
O Manchester United transmitiu à equipa que conduziu o relatório várias queixas relativas a Watts. Segundo o documento, o funcionário foi acusado de fazer comentários inadequados de natureza sexual, de puxar fisicamente um dos jovens para dentro de um gabinete contra a sua vontade e de seguir outro até à sauna do centro de treinos. Jogadores das camadas jovens ter-se-iam referido a ele como um «pervertido».
À data da publicação do relatório, o Manchester United afirmou que o clube tinha cooperado plenamente e que as informações relativas ao antigo funcionário tinham sido incluídas nos elementos que remeteu.
Um ajuste de contas mais alargado
A ação cível insere-se no prolongado desfecho do escândalo de abusos não recentes do futebol inglês, que veio a público em novembro de 2016, depois de o antigo jogador das camadas jovens do Crewe Alexandra Andy Woodward ter renunciado ao anonimato para descrever os abusos de que foi vítima em criança. Centenas de outros sobreviventes vieram então a público e, no mês seguinte, a FA encomendou o Relatório Sheldon.
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Kate Hall, especialista em direito relativo a abusos na Simpson Millar, que representa o autor da ação, afirmou num comunicado publicado no site da firma que o seu cliente «demonstrou uma enorme coragem ao vir a público ao fim de tantos anos», acrescentando que ele teve de reviver memórias dolorosas para levar o processo adiante.
No mesmo comunicado, emitido quando a ação cível ainda decorria, Hall foi crítica quanto à forma como o clube conduziu o processo judicial. Embora o Manchester United tenha contribuído para o Relatório Sheldon, disse, a sua abordagem à ação cível tinha sido «dececionante», e os sobreviventes mereciam «um envolvimento significativo e responsabilização», além de solidariedade.
O clube não emitiu qualquer comunicado público sobre o acordo alcançado em março. Outros sobreviventes identificados no Relatório Sheldon, ou representados separadamente pela Simpson Millar, mantêm a possibilidade de intentar as suas próprias ações cíveis.
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