Emails internos de uma equipa de Fórmula 1 campeã quase nunca saem da fábrica. Este saiu. O diretor-adjunto de equipa da Mercedes, Bradley Lord, publicou no LinkedIn o texto integral da nota de Toto Wolff aos funcionários na manhã seguinte à conquista do título de pilotos de 2026 por Kimi Antonelli, no Grande Prémio da Cidade do México.
O email é uma longa reflexão de Wolff sobre a decisão que marcou a temporada da Mercedes, e o primeiro gesto é recusar o mérito.
«O sucesso tem muitos pais. O fracasso é órfão. É assim que diz o ditado. Mas, ao refletir sobre Kimi tornar-se campeão mundial, sinto que me foi atribuído demasiado mérito por uma história que pertence a tantas pessoas», escreveu Wolff na mensagem publicada por Lord e reproduzida pelo Planet F1.
Porque Lord tornou o email público
Lord antecedeu a captura de ecrã no LinkedIn reconhecendo que fazer circular correspondência interna não é algo que a Mercedes costume fazer. Escreveu que não publica com frequência no LinkedIn, mas que os funcionários nas várias instalações da equipa tinham acordado com a mensagem e quis que os de fora vissem como soa, do topo, a operação de Brackley.
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«Esta manhã, quer em Brackley, Brixworth ou no Brasil, cada um de nós acordou com este email do chefe. A razão para o partilhar é mostrar-vos o que queremos dizer quando afirmamos que a cultura da nossa equipa começa no topo, com Toto», escreveu Lord na publicação do LinkedIn, citado pelo GPFans.
A aposta que substituiu Hamilton
Wolff dedica grande parte do email à própria decisão. Disse aos funcionários que entregar a Antonelli o lugar deixado vago por Lewis Hamilton nunca seria recebido pacificamente.
«Substituir Lewis Hamilton, o piloto mais vitorioso da história da F1 e, indiscutivelmente, a sua figura culturalmente mais marcante, por um adolescente nunca seria uma decisão fácil», escreveu Wolff, segundo o Yahoo Sports.
É explícito quanto à dimensão que as dúvidas atingiram durante o ano de estreia de Antonelli, quando o italiano passou por uma série de corridas sem pontuar.
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«Houve muitas críticas, tanto dentro como fora do desporto, por colocar um jovem de 18 anos num Mercedes. E quando Kimi passou por um período difícil, com várias corridas sem marcar pontos, essas dúvidas, compreensivelmente, ganharam mais força», disse Wolff aos funcionários no email publicado por Lord.
A quem Wolff realmente agradeceu
O chefe da equipa revelou que conheceu Antonelli quando o italiano tinha 11 anos e acompanhou a sua carreira no karting durante anos antes do acordo com a Mercedes. A lista de agradecimentos no email é longa e específica. Segundo o GPFans, Wolff citou os pais de Antonelli, Marco e Veronica, os primeiros mentores como Dino Chiesa e Gwen Lagrue, o diretor técnico James Allison, o engenheiro de corrida Peter «Bono» Bonnington, o diretor de engenharia na pista Andrew Shovlin, as responsáveis de comunicação Clare Robertson e Rosa Herrero Venegas, o parceiro no conselho da Mercedes Ola Källenius, o colega de equipa de Antonelli, George Russell, e a sua própria mulher, Susie.
Wolff encerra o email com uma frase que define o tom de toda a mensagem.
«Sim, acreditei nele. E sim, a certa altura tive de tomar uma decisão e defendê-la. Mas acreditar em alguém é muito mais fácil quando tantas boas pessoas já nos deram todos os motivos para acreditar. Esta não é a minha história de sucesso. É a nossa», escreveu, citado pelo Yahoo Sports.
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Antonelli selou o campeonato com um terceiro lugar no Grande Prémio da Cidade do México, no domingo, 1 de novembro, tornando-se o mais jovem campeão mundial da F1, com 20 anos e 68 dias, e batendo o recorde de Sebastian Vettel de 2010.
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