A CAF deu o braço a torcer. O organismo que tutela o futebol africano votou por unanimidade na quinta-feira para devolver a Taça das Nações Africanas ao ciclo de dois anos, rasgando o calendário de quatro em quatro anos que ele próprio tinha anunciado em dezembro de 2025.
A reviravolta surgiu numa reunião do comité executivo da Confederação Africana de Futebol, na sequência da conferência estratégica do organismo em Cabo Verde no início deste mês.
O presidente da CAF, Patrice Motsepe, associou o recuo a questões financeiras. A Liga das Nações Africanas, que deveria preencher os anos intermédios, demoraria demasiado tempo a gerar as receitas necessárias para financiar o futebol em todo o continente.
«A decisão do CAF EXCO de que a CAN da CAF deve realizar-se de dois em dois anos baseou-se na defesa, proteção e promoção dos interesses do futebol africano e das 54 associações membros da CAF, bem como dos interesses dos jogadores africanos ao serviço de clubes de futebol fora de África», afirmou Motsepe.
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Os treinadores lideraram a contestação
O plano dos quatro anos deparou-se com resistência desde o momento em que foi apresentado.
«Desde o primeiro torneio em 1957 que África tem a sua Taça das Nações de dois em dois anos. Temos de respeitar África», disse o selecionador do Mali, Tom Saintfiet, à Africanews em janeiro.
O selecionador do Egito, Hossam Hassan, acusou a CAF de moldar o calendário aos clubes europeus que não queriam libertar os seus jogadores africanos para os compromissos das seleções, afirmando ao mesmo meio que as competições africanas estavam a ser adaptadas às condições europeias.
O veterano treinador francês Claude Le Roy, que levou os Camarões ao título de 1988 e mais tarde orientou o Senegal, a RD Congo e o Gana, foi mais direto: «Esta decisão não é de todo para África. É para a FIFA.»
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2027 a seguir, depois 2028, 2031, 2033
A Taça das Nações Africanas de 2027 vai realizar-se conforme previsto no Quénia, na Tanzânia e no Uganda. Com o ciclo bienal restabelecido, o torneio voltará em 2028, 2031 e 2033, saltando 2030 para dar lugar ao Mundial da FIFA.
Para as principais ligas europeias, a decisão fixa a libertação a meio da época dos internacionais africanos a cada dois invernos, o acordo de que os clubes europeus se queixam há muito.
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