A decisão da FIFA de liberar Folarin Balogun para o jogo das oitavas de final da Copa do Mundo dos Estados Unidos contra a Bélgica transformou-se em uma das controvérsias mais explosivas do torneio.
Esperava-se que o atacante americano perdesse a partida após receber um cartão vermelho direto na vitória das oitavas de final sobre a Bósnia e Herzegovina. Em vez disso, a FIFA suspendeu a suspensão automática de um jogo, permitindo que Balogun jogasse contra a Bélgica.
De acordo com a AP News, o Presidente dos EUA, Donald Trump, interveio pessoalmente ao ligar para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e pedir ao órgão regulador que revisasse o caso.
Após a decisão, Trump escreveu nas redes sociais: “Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”
Leia também: A polêmica despedida de Neymar da Copa do Mundo marcada por discussão com Orjan Nyland, da Noruega
FIFA usa regra raramente vista
Balogun foi expulso na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina após pisar de forma desajeitada no tornozelo do zagueiro Tarik Muharemović.
A decisão veio após uma revisão do VAR e desencadeou o que era amplamente esperado ser uma suspensão automática de um jogo.
Isso mudou no domingo.
De acordo com o The Guardian, a FIFA utilizou o Artigo 27 de seu código disciplinar, que permite ao comitê judicial suspender total ou parcialmente a implementação de uma medida disciplinar.
Leia também: “Um dia insano”: Haaland e Noruega eliminam o Brasil da Copa do Mundo
O resultado é incomum. O cartão vermelho de Balogun permanece em seu histórico, mas a suspensão de um jogo foi suspensa por um período probatório de um ano. Se ele cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período, a suspensão ainda poderá ser aplicada.
A AP News descreveu a decisão como uma medida extraordinária e disse que parecia ser a primeira vez desde 1962 que um cartão vermelho na Copa do Mundo não resultava em suspensão.
Bélgica acusa FIFA de quebrar suas próprias regras
A decisão irritou imediatamente a Bélgica.
A Real Associação Belga de Futebol argumentou que a decisão contradizia os regulamentos normais da Copa do Mundo, que estabelecem que um jogador expulso deve perder a próxima partida.
Leia também: “Parece muito grave”: Lesão de Henderson ofusca celebrações da Inglaterra contra o México
Citada pelo The Guardian, a Federação Belga disse: “Estamos estonteados com esta decisão.”
Acrescentou: “Esta decisão está em contradição direta com as disposições do regulamento da competição da Copa do Mundo de 2026.”
A federação também disse que estava examinando suas opções.
“A fim de salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo quanto em futuras edições do torneio, a Federação Belga está investigando todas as opções potenciais”, dizia o comunicado.
Leia também: Inter Miami estaria buscando o herói da Copa do Mundo Vozinha para se juntar a Lionel Messi
Pressão política sob escrutínio
A controvérsia tornou-se maior do que a disponibilidade de um jogador.
Balogun é um dos jogadores de ataque mais importantes dos Estados Unidos e havia marcado três gols antes da partida contra a Bélgica. Seu retorno é um grande impulso para os co-anfitriões, que estão tentando chegar às quartas de final da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002.
Mas o suposto envolvimento político tornou a decisão ainda mais delicada.
De acordo com o The Wall Street Journal, Trump ligou para Infantino e o instou a revisar a suspensão automática de Balogun antes da partida contra a Bélgica.
Leia também: “Tudo contra nós”: Kane questiona árbitro após Inglaterra sobreviver ao México
Essa sequência criou a impressão, especialmente na Bélgica, de que a FIFA respondeu à pressão da Casa Branca.
A explicação formal da FIFA baseia-se no Artigo 27, mas o momento da decisão e os agradecimentos públicos de Trump tornaram impossível separar a decisão disciplinar do contexto político que a cerca.
Especialista em arbitragem espanhol chama de contradição
A base legal para a decisão da FIFA também foi contestada por especialistas em arbitragem.
De acordo com a Cadena SER, o ex-árbitro espanhol Iturralde González argumentou que a FIFA havia usado o artigo errado para justificar a decisão.
Ele disse que o Artigo 27 não se destinava a cartões amarelos ou vermelhos, mas a outras situações disciplinares.
“Existem dois regulamentos; o código disciplinar, no qual a FIFA se baseia, Artigo 27, diz que os órgãos judiciais podem optar por suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar. Aqui está o truque: este artigo não era para cartões amarelos ou vermelhos. Era para distúrbios no campo de futebol”, disse ele.
A Cadena SER também apontou para o Artigo 10.5 do regulamento da Copa do Mundo, que estabelece que, se um jogador for expulso, ele automaticamente recebe uma suspensão e não pode jogar na próxima partida de sua equipe.
Ângulo da UEFA permanece delicado
O caso também gerou tensão no futebol europeu.
De acordo com a WP SportoweFakty, citando a Politico, a UEFA estava considerando se deveria apoiar publicamente a posição da Bélgica. No momento da redação, no entanto, nenhuma declaração oficial da UEFA havia sido confirmada.
Essa distinção importa.
O protesto da Bélgica é público e claro. A posição da UEFA permanece mais cautelosa, pelo menos oficialmente. Ainda assim, a situação já colocou a FIFA sob pressão de uma de suas regiões futebolísticas mais fortes.
A controvérsia surge em um momento delicado para o torneio. Os Estados Unidos são a única nação anfitriã ainda viva depois que Canadá e México foram eliminados nas oitavas de final.
Isso torna a disponibilidade de Balogun ainda mais politicamente carregada.
Uma decisão que pode sobreviver à partida
Para os Estados Unidos, a decisão é simples: seu principal atacante pode jogar contra a Bélgica.
Para a Bélgica, é uma questão de consistência, justiça e se a FIFA criou um precedente perigoso.
Se Balogun marcar ou ajudar os Estados Unidos a avançar, o debate só aumentará. Mas mesmo que a Bélgica vença, a decisão ainda pode perseguir a FIFA pelo resto do torneio.
O cartão vermelho foi um incidente.
A decisão de suspender a proibição tornou-se algo muito maior.



